domingo, 29 de maio de 2011

TRÂNSITO EXISTENCIAL

Tenho afirmado, em minhas conversas, que caminhamos em passos largos para alcançar o desconhecido. Alguns dizem "a vida passa rápido"! eu retruco, não! a vida é eterna, quem passa rápido são os passos apressados dessa nossa caminhada, desse nosso trânsito existencial.

Estamos em trânsito no mundo através da graça concedida pelo Criador e muitas vezes me parece que o homem não entendeu o significado da palavra trânsito. 

A existência de cada um de nós é uma pequena passagem pelo mundo; aproveitar essa passagem distribuindo a experiência do conhecimento, o amor incondicional e muito entusiasmo, alegria e felicidade deveria ser nossa intenção maior como seres racionais. Entretanto, vejo que os homens perderam a razão e avançam em direção ao caos, levando seus espíritos à angústia e despedindo-se do mundo sem ter cumprido sua missão.

Dos homens que conheci nesse meu trânsito existencial, muitos foram, e outros ainda são, essenciais ao mundo e, creio, é por isso que o Criador nunca nos deixa só.

Tardiamente eu soube que partiu para a vida eterna um desses homens: Edvino Aloisio Rabuske, meu professor de Epistemologia das Ciências Humanas e de Antropologia Filosófica. Com ele estudei no curso de Graduação e no curso de Mestrado. Serei sempre grato pela contribuição que esse mestre me concedeu.

Transcrevo abaixo algumas informações que recebi através dos Padres Capuchinhos sobre o falecimento do Padre, Professor, Doutor e, acima de tudo, homem essencial que foi neste mundo.

Registro
Pe. EDVINO ALOISIO RABUSKE, filho de João e Elisabetha Rabuske nasceu em Cerro Largo-RS a 1-11-1932, faleceu em São Pedro do Butiá-RS, no dia 3 de outubro, de complicações renais, poucos dias depois de sofrer uma cirurgia em Santa Rosa. Foi sepultado na jazigo da Família em São Pedro do Butiá-RS. Ordenado sacerdote jesuíta em 13 de dezembro de 1970, ingressando mais tarde no Clero da Arquidiocese de Porto Alegre. Como sacerdote exerceu atividades pastorais em diversas paróquias, destacando-se as paróquias Sagrada Família e Nossa Senhora do Líbano, de Porto Alegre. Era licenciado em Letras Clássicas pela UNISINOS (1956), em Filosofia pela UNISINOS (1958), em filosofia pela UFRGS (1961), em Teologia pelo Colégio Máximo Cristo Rei, de São Leopoldo (1966), Doutorado em Filosofia pela Ludwig Maximilians Universität-München, Alemanha, com a tese Geschichte und Wahrheit (História e Verdade). Considerado como um dos maiores filósofos do Estado, foi de importância decisiva na implantação do Curso de Pós-Graduação em Filosofia na PUCRS.

Informações pessoais
Atividades docentes: 1963-1980: Professor de Filosofia Antiga e Antropologia Filosófica – UNISINOS; 1979-1987: Professor de Antropologia Filosófica da Linguagem – FAFIMC; 1966-.2001: Professor de Ontologia, Antropologia Filosófica e Filosofia da Linguagem e Teologia na PUCRS; 1980-1985: Membro da Comissão de Pós-Graduação em Filosofia - IFCH, PUCRS; 1986-1988: Coordenador do Curso de Pós-Graduação em Filosofia - IFCH, PUCRS. Orientador de 12 Dissertações de Mestrado, defendidas no Curso de Pós-Graduação em Filosofia da PUCRS. Produção científica (livros) – 1977: Wahrheit und Geschichite. München, Editora da Universidade. 1981: Antropologia Filosófica. Porto Alegre: EST. Da 2ª ed., em 1986, à 9ª, Petrópolis: Ed. Vozes. –1987: Epistemologia das Ciências Humanas. Caxias do Sul: EDUCS, 144p. – 1994: Filosofia da linguagem e religião. Porto Alegre: EDIPUCRS. – 1995: Imanência e Transcendência. Pelotas: UFPel. – 1995: Filosofia e Teologia: Irmãs Rivais. Porto Alegre: EVANGRAF. –. – Deixa para publicar: Filosofia e Teologia – Duas irmãs rivais. 


Pe. Edvino Aloisio Rabuske

ONDE ANDARÃO? II

(Um tempo de vida vivido na Caserna; entre o 1º/18º RI, QG da 6ª DI, 11ª Cia Com e o 9º RCB; de 1968 a 1973)

Onde andarão...

Cb. Dias; Cb. Rondon; Cb. Carlos; Cb. Adão Renato (Adão Renato do Pons Couto); Cb. Jacobsen; Cb. Maciel (Antonio Carlos Souto Maciel); Cb. Dario; Cb. Gandon; Cb. Carvalho; Sgt. Odracir; Sgt. Lima; Sgt. Flávio; Ten. Adel; Ten. Porciúncula; Ten. Correia Lima; Ten. Messias; Ten. Sparta; Cap. Cordeiro; Cap. Caggiano; Ten. Estrázulas; Ten. Clézio; Major Índio; Cel. Magalhães; Cel.
Sharnadoff (Harry Sharnadoff); Ten Cel. Ney (Ney Lauro Nunes de Carvalho); Cel. Jacobina (Alberto Bayardo Pereira Jacobina); Cap. Brocardo (Odone Silvio Viero Brocardo); Major Léo; Major Salgado; Cap. Assis; Ten. Carvalho; Ten. Marloi; Ten. Bittencourt; Ten. Amodeo; Ten. Fernando; Ten. Cavalinho; Sgt. Adailton; Sgt. Calvi; Sgt. Odone; Sgt. Valério; Sgt. Salgado; Ten. Marder; Cb. Valmor; Sd. Aquiles (Aquiles Eder); Sd. Gayer (Omar Gayer); Ten. Vicente (João Vicente Vitola); Ten. Guedes; Cap. Del’Olmo (Florisbal Del'Olmo); Ten. Macy; Cb. Cambraia; Cb. Tavares; Ten.Cabecita; Cb. Rudenir (Rudenir Meireles Cunha - Rudy Meireles); Ten. Amorim; Ten. Byron (Paulo Byron de Oliveira Soares Filho); Cb. Teixeira; Cb. Bombardeli; Cb. Martins; Cb. Bittencourt; Sd. Osório; Sd. Nélio; Cb. Santa Maria; Sgt. Gandon; Sgt. Cícero; Gen. Borges Fortes (Breno Borges Fortes); Gen. Mourão; Gen. Mena Barreto; Sd. Assis; Sd. Tolentino; Ten. Cesar; Ten. Sávio e tantos outros que as imagens são presentes, mas os nomes se perderam pelo acúmulo de informações em nossa memória?



Claro que à distância eu soube das promoções; das reformas; de algumas mudanças de carreira, assim como, inevitavelmente, de alguns que já se despediram da vida; mas o trânsito no mundo exige-nos o caminhar constante.


Cada um daqueles que um dia se encontraram tem o seu mundo e o faz a cada instante, pois a existência é feita também da materialidade, com suas competições e a permanente busca por ascensão social; por esta razão meus feitos não ficaram estagnados, mas distanciaram-me de muitos daqueles com quem um dia convivi.


Os nomes fazem parte da lembrança que celebramos durante um instante do tempo existencial e nos apontam o significado de Ser com o Outro. Essa identidade materializa a memória e a faz viva em nova perspectiva revivendo o passado cristalizado no tempo.


Seriam necessárias várias páginas para ser fiel a todos os que participaram e ainda participam da vida de alguém; no meu caso eu deveria acrescentar colegas de profissões, como os professores; colegas de atividades, como os de parlamento; colegas das universidades e faculdades e os amigos; estes poucos, muito poucos. Mas pensei que os meus 18 anos seria um marco referencial e por isso enumerei os companheiros da caserna, de um instante de tempo que somou mais de cinco anos. Propositalmente os nomes não estão em ordem de hierarquia e muito menos divididos por unidade militar, pois todos eles de um tempo e outro, com divisas, sem divisas ou com estrelas gemadas ou não foram seres humanos de um interrégno do meu tempo existencial.


Onde estarão aqueles que ainda permanecem no trânsito da vida a perguntar, talvez de forma inconsciente: o que faço no mundo? por que estou aqui? e outros que a tudo isso ignoram?


A pergunta é a catarse humana e materializa a ansiedade, a ignorância, a solidão e o medo. O homem não está só no mundo e para que isso fique vivo em sua mente ele se agarra ao outro. Queremos sempre o companheiro que expressa à vida e como um espelho nos possibilita a materialização do Ser. Somos indivíduos, um com o outro, mas a solidão nos assusta; é a presença que alivia o medo do vazio e do nada.


Onde andarão?

sexta-feira, 20 de maio de 2011

AÇÃO

Pois, meus leitores amigos, duas são as fontes que inspiram meus textos: a do espírito inquieto que geriu a ação do homem público e a do espírito ameno que unge a ação do homem metafísico (em falta de uma outra palavra, quero com isso dizer, o homem que não está fixado apenas no plano físico). É por essas razões que escrevo, além desse blog, um outro, sobre política.

E é naquele blog que comentei sobre o caos em que se encontra o serviço público, no que concerne a previdência social, pois um cidadão para obter uma simples declaração do tempo em que contribuiu para o órgão estatal, no momento em que se prepara para solicitar sua aposentadoria, se depara com um aparato de imposições absurdas que tolhem o seu direito de cidadão.

A sociedade que formamos nesse mundo que é dádiva divina está tornando a convivência entre os seres humanos desprovida de bom senso e de sabedoria.

Elegemos como nossos representantes pessoas sem competência e nos deparamos depois com um estado que não prioriza seu povo. Resta para alguns o grito mudo do cidadão que não tem vóz nem vez; para outros a quietude do conformismo; à outros ainda resta o silêncio da alienação; à maioria, a mudez da ignorância.

Poucos são àqueles que ainda lutam, mesmo uma luta quase inglória.

Serão, esses respingos salvados dessa luta quase inglória, a possibilidade de um dia transformarmos a sociedade em que vivemos numa terra de seres humanos dignos de aqui estarem?

O mundo, essa dádiva divina, espera de cada um de nós uma resposta urgente e definitiva expressada através de um simples ato: ação.

sábado, 12 de março de 2011

LONGE E TÃO PERTO

Saindo da Florida, mais precisamente de Orlando, com escala em Miami, estaremos em São Paulo rapidamente, embora a distância seja grande. De São Paulo a Porto Alegre, se os aeroportos por lá estiverem normalizados, é um pulo. Descontando os termos vagos, é muito fácil o trânsito aéreo dos Estados Unidos ao Brasil. Na verdade, Miami à São Paulo é uma ponte aérea já instalada.

Pois eu pretendo estar em Porto Alegre terça feira, em viagem rápida, apelidada de "visita de médico". Gostaria de visitar muita gente, encontrar aqueles que um dia foram colegas, outros amigos e uma gama incontada de conhecidos. Mas, o tempo é o senhor da razão.

Disporei de três ou quatro dias para visitar a UCS em Caxias, a ULBRA em Canoas e, quem sabe, Rosário do Sul, cidade onde fundei (no tempo do Exército Brasileiro) a Praia das Areias Brancas, nome dado em comum acôrdo com o então Prefeito Alsom Pereira dos Santos e o seu vice Pedro Paulo; além, claro, do aceite importante de parte da população que apoiou o projeto.

As viagens podem ser longas, mas, dizia um "Pequeno Príncipe": "longe é um lugar que não existe".

Sublinhado os têrmos vagos e descontada a emoção, dizem que "o bom filho a casa torna ; no meu caso, de vez em quando à visita.

Então, até terça Porto Alegre.

PREOCUPAÇÕES

Quem conhece pessoas no Japão estão preocupados com os acontecimentos. Eu tenho uma única pessoa por lá minha conhecida, mais de alma do que social, uma menina brasileira, jornalista, conterrânea do Sul e fã dos Beatles.

A Bia leu um de meus livros na adolescência (O Sonho Acabou?) mas só a conheci recentemente, através da internet, espero que esteja bem e aguardo retorno de e-mail que enviei a ela solicitando notícias.

O Blog da Bia tem o título de PENSO LOGO EXISTO, uma cartesiana de carteirinha? Quem sabe, o importante é que existimos para pensar e, assim, Bia, estou pensando em ti e existindo por aqui, seguindo meu trânsito no mundo.

C'est la Vie!

 

sexta-feira, 11 de março de 2011

TERREMOTOS E TUSINAMES

A  tragédia que aconteceu no Japão deveria servir para alertar àqueles que acreditam que sugar a natureza até a exaustão não terá contrapartida.

As placas tectônicas se movimentam, sim; mas a intensidade e o interrégno de tempo dos acontecimentos são resultantes da ação do homem sobre a natureza. 

Exaurir o Petróleo, como já foi feito, é sabidamente retirar o "colchão amortecedor" do impacto entre as rochas e possibilitar mais tragédias com terremotos e tusinames que devastarão ilhas, cidades litorâneas e muitas vidas humanas.