segunda-feira, 30 de maio de 2011

O SEGUNDO SEXO

 


O 2º Sexo, livro em dois volumes de Simone de Beauvoir, completou 62 anos; desde 1949, quando foi lançado, nenhuma outra obra foi tão contundente e definitiva para as mulheres; quiça para os homens.

Simone de Beauvoir nunca foi a mulher de Sartre, como escrevem os jornalistas; e para entender o ser ou não ser do homem ou da mulher, somente com uma longa digressão filosófica, que não me proponho por agora. Entretanto, ler Simone é dever de todas as mulheres e, certamente, serão elas mulheres antes e depois da leitura de Simone. Por mais feminista e consciente que sejam, a leitura das obras de Simone despertará às mulheres para uma nova forma de ver a relação entre os sexos.

Quando lecionei na Universidade de Caxias do Sul organizei uma disciplina optativa sobre Simone de Beauvoir para alunos da graduação. Como era livre, minha audiência sempre foi muito boa, nunca menos do que 80 alunos. A UCS sempre foi uma universidade bem mais focada no que é ensino superior e isso possibilitava que juntamente com o curriculum das disciplinas obrigatórias tivessemos as eletivas, criadas pelos professores dentro das suas linhas de pesquisa. Simone de Beauvoir foi uma das minhas linhas de pesquisa livre, sem compromisso de apresentar teses doutorais, apenas pesquisei e estudei a tal ponto de me impor uma visita à Sorbonne e, claro, sentar-me no mesmo café em que ela e Sartre freqüentaram no Quartier Latin. Filosofia em mesa de bar...

Daquelas aulas na UCS lembro de uma aluna, assídua, esforçadíssima, inteligente e dedicada à leitura de Simone de Beauvoir: Quando viajei à Paris eu a deixei com minha disciplina durante dois semestres. Recém formada, e autorizada pelo Colegiado, deu conta do recado durante minha ausência.

Certamente ela não tera sido a mulher de "fulano ou sicrano", e isso já me conforta, pois o mundo do "macho" é tão caótico para as relações interpessoais que necessário se faz uma boa dose de Simone de Beauvoir.

domingo, 29 de maio de 2011

TRÂNSITO EXISTENCIAL

Tenho afirmado, em minhas conversas, que caminhamos em passos largos para alcançar o desconhecido. Alguns dizem "a vida passa rápido"! eu retruco, não! a vida é eterna, quem passa rápido são os passos apressados dessa nossa caminhada, desse nosso trânsito existencial.

Estamos em trânsito no mundo através da graça concedida pelo Criador e muitas vezes me parece que o homem não entendeu o significado da palavra trânsito. 

A existência de cada um de nós é uma pequena passagem pelo mundo; aproveitar essa passagem distribuindo a experiência do conhecimento, o amor incondicional e muito entusiasmo, alegria e felicidade deveria ser nossa intenção maior como seres racionais. Entretanto, vejo que os homens perderam a razão e avançam em direção ao caos, levando seus espíritos à angústia e despedindo-se do mundo sem ter cumprido sua missão.

Dos homens que conheci nesse meu trânsito existencial, muitos foram, e outros ainda são, essenciais ao mundo e, creio, é por isso que o Criador nunca nos deixa só.

Tardiamente eu soube que partiu para a vida eterna um desses homens: Edvino Aloisio Rabuske, meu professor de Epistemologia das Ciências Humanas e de Antropologia Filosófica. Com ele estudei no curso de Graduação e no curso de Mestrado. Serei sempre grato pela contribuição que esse mestre me concedeu.

Transcrevo abaixo algumas informações que recebi através dos Padres Capuchinhos sobre o falecimento do Padre, Professor, Doutor e, acima de tudo, homem essencial que foi neste mundo.

Registro
Pe. EDVINO ALOISIO RABUSKE, filho de João e Elisabetha Rabuske nasceu em Cerro Largo-RS a 1-11-1932, faleceu em São Pedro do Butiá-RS, no dia 3 de outubro, de complicações renais, poucos dias depois de sofrer uma cirurgia em Santa Rosa. Foi sepultado na jazigo da Família em São Pedro do Butiá-RS. Ordenado sacerdote jesuíta em 13 de dezembro de 1970, ingressando mais tarde no Clero da Arquidiocese de Porto Alegre. Como sacerdote exerceu atividades pastorais em diversas paróquias, destacando-se as paróquias Sagrada Família e Nossa Senhora do Líbano, de Porto Alegre. Era licenciado em Letras Clássicas pela UNISINOS (1956), em Filosofia pela UNISINOS (1958), em filosofia pela UFRGS (1961), em Teologia pelo Colégio Máximo Cristo Rei, de São Leopoldo (1966), Doutorado em Filosofia pela Ludwig Maximilians Universität-München, Alemanha, com a tese Geschichte und Wahrheit (História e Verdade). Considerado como um dos maiores filósofos do Estado, foi de importância decisiva na implantação do Curso de Pós-Graduação em Filosofia na PUCRS.

Informações pessoais
Atividades docentes: 1963-1980: Professor de Filosofia Antiga e Antropologia Filosófica – UNISINOS; 1979-1987: Professor de Antropologia Filosófica da Linguagem – FAFIMC; 1966-.2001: Professor de Ontologia, Antropologia Filosófica e Filosofia da Linguagem e Teologia na PUCRS; 1980-1985: Membro da Comissão de Pós-Graduação em Filosofia - IFCH, PUCRS; 1986-1988: Coordenador do Curso de Pós-Graduação em Filosofia - IFCH, PUCRS. Orientador de 12 Dissertações de Mestrado, defendidas no Curso de Pós-Graduação em Filosofia da PUCRS. Produção científica (livros) – 1977: Wahrheit und Geschichite. München, Editora da Universidade. 1981: Antropologia Filosófica. Porto Alegre: EST. Da 2ª ed., em 1986, à 9ª, Petrópolis: Ed. Vozes. –1987: Epistemologia das Ciências Humanas. Caxias do Sul: EDUCS, 144p. – 1994: Filosofia da linguagem e religião. Porto Alegre: EDIPUCRS. – 1995: Imanência e Transcendência. Pelotas: UFPel. – 1995: Filosofia e Teologia: Irmãs Rivais. Porto Alegre: EVANGRAF. –. – Deixa para publicar: Filosofia e Teologia – Duas irmãs rivais. 


Pe. Edvino Aloisio Rabuske

ONDE ANDARÃO? II

(Um tempo de vida vivido na Caserna; entre o 1º/18º RI, QG da 6ª DI, 11ª Cia Com e o 9º RCB; de 1968 a 1973)

Onde andarão...

Cb. Dias; Cb. Rondon; Cb. Carlos; Cb. Adão Renato (Adão Renato do Pons Couto); Cb. Jacobsen; Cb. Maciel (Antonio Carlos Souto Maciel); Cb. Dario; Cb. Gandon; Cb. Carvalho; Sgt. Odracir; Sgt. Lima; Sgt. Flávio; Ten. Adel; Ten. Porciúncula; Ten. Correia Lima; Ten. Messias; Ten. Sparta; Cap. Cordeiro; Cap. Caggiano; Ten. Estrázulas; Ten. Clézio; Major Índio; Cel. Magalhães; Cel.
Sharnadoff (Harry Sharnadoff); Ten Cel. Ney (Ney Lauro Nunes de Carvalho); Cel. Jacobina (Alberto Bayardo Pereira Jacobina); Cap. Brocardo (Odone Silvio Viero Brocardo); Major Léo; Major Salgado; Cap. Assis; Ten. Carvalho; Ten. Marloi; Ten. Bittencourt; Ten. Amodeo; Ten. Fernando; Ten. Cavalinho; Sgt. Adailton; Sgt. Calvi; Sgt. Odone; Sgt. Valério; Sgt. Salgado; Ten. Marder; Cb. Valmor; Sd. Aquiles (Aquiles Eder); Sd. Gayer (Omar Gayer); Ten. Vicente (João Vicente Vitola); Ten. Guedes; Cap. Del’Olmo (Florisbal Del'Olmo); Ten. Macy; Cb. Cambraia; Cb. Tavares; Ten.Cabecita; Cb. Rudenir (Rudenir Meireles Cunha - Rudy Meireles); Ten. Amorim; Ten. Byron (Paulo Byron de Oliveira Soares Filho); Cb. Teixeira; Cb. Bombardeli; Cb. Martins; Cb. Bittencourt; Sd. Osório; Sd. Nélio; Cb. Santa Maria; Sgt. Gandon; Sgt. Cícero; Gen. Borges Fortes (Breno Borges Fortes); Gen. Mourão; Gen. Mena Barreto; Sd. Assis; Sd. Tolentino; Ten. Cesar; Ten. Sávio e tantos outros que as imagens são presentes, mas os nomes se perderam pelo acúmulo de informações em nossa memória?



Claro que à distância eu soube das promoções; das reformas; de algumas mudanças de carreira, assim como, inevitavelmente, de alguns que já se despediram da vida; mas o trânsito no mundo exige-nos o caminhar constante.


Cada um daqueles que um dia se encontraram tem o seu mundo e o faz a cada instante, pois a existência é feita também da materialidade, com suas competições e a permanente busca por ascensão social; por esta razão meus feitos não ficaram estagnados, mas distanciaram-me de muitos daqueles com quem um dia convivi.


Os nomes fazem parte da lembrança que celebramos durante um instante do tempo existencial e nos apontam o significado de Ser com o Outro. Essa identidade materializa a memória e a faz viva em nova perspectiva revivendo o passado cristalizado no tempo.


Seriam necessárias várias páginas para ser fiel a todos os que participaram e ainda participam da vida de alguém; no meu caso eu deveria acrescentar colegas de profissões, como os professores; colegas de atividades, como os de parlamento; colegas das universidades e faculdades e os amigos; estes poucos, muito poucos. Mas pensei que os meus 18 anos seria um marco referencial e por isso enumerei os companheiros da caserna, de um instante de tempo que somou mais de cinco anos. Propositalmente os nomes não estão em ordem de hierarquia e muito menos divididos por unidade militar, pois todos eles de um tempo e outro, com divisas, sem divisas ou com estrelas gemadas ou não foram seres humanos de um interrégno do meu tempo existencial.


Onde estarão aqueles que ainda permanecem no trânsito da vida a perguntar, talvez de forma inconsciente: o que faço no mundo? por que estou aqui? e outros que a tudo isso ignoram?


A pergunta é a catarse humana e materializa a ansiedade, a ignorância, a solidão e o medo. O homem não está só no mundo e para que isso fique vivo em sua mente ele se agarra ao outro. Queremos sempre o companheiro que expressa à vida e como um espelho nos possibilita a materialização do Ser. Somos indivíduos, um com o outro, mas a solidão nos assusta; é a presença que alivia o medo do vazio e do nada.


Onde andarão?

sexta-feira, 20 de maio de 2011

AÇÃO

Pois, meus leitores amigos, duas são as fontes que inspiram meus textos: a do espírito inquieto que geriu a ação do homem público e a do espírito ameno que unge a ação do homem metafísico (em falta de uma outra palavra, quero com isso dizer, o homem que não está fixado apenas no plano físico). É por essas razões que escrevo, além desse blog, um outro, sobre política.

E é naquele blog que comentei sobre o caos em que se encontra o serviço público, no que concerne a previdência social, pois um cidadão para obter uma simples declaração do tempo em que contribuiu para o órgão estatal, no momento em que se prepara para solicitar sua aposentadoria, se depara com um aparato de imposições absurdas que tolhem o seu direito de cidadão.

A sociedade que formamos nesse mundo que é dádiva divina está tornando a convivência entre os seres humanos desprovida de bom senso e de sabedoria.

Elegemos como nossos representantes pessoas sem competência e nos deparamos depois com um estado que não prioriza seu povo. Resta para alguns o grito mudo do cidadão que não tem vóz nem vez; para outros a quietude do conformismo; à outros ainda resta o silêncio da alienação; à maioria, a mudez da ignorância.

Poucos são àqueles que ainda lutam, mesmo uma luta quase inglória.

Serão, esses respingos salvados dessa luta quase inglória, a possibilidade de um dia transformarmos a sociedade em que vivemos numa terra de seres humanos dignos de aqui estarem?

O mundo, essa dádiva divina, espera de cada um de nós uma resposta urgente e definitiva expressada através de um simples ato: ação.