domingo, 19 de junho de 2011

DOMINGO

O Domingo sempre se apresenta sonolento, preguiçoso, com cara de família agregada, receptivo a espera de que todos se dirijam à igreja. A seguir, desejoso da felicidade também material, abre seu sorriso imenso como garçom de churrascaria gaúcha indicando o melhor lugar para sentar. Depois, como se satisfeito do lautoso e requintado maná dos deuses cochila requebrando as pálpebras e deixando gotejar sobre o mundo um orvalho perdido. Não encerra o dia sem antes promover o Ágape, como se príncipes e princesas da corte de Windsor estivessem se preparando para o chá das cinco. Feliz estende sua condescendência e a expande à todos com o agape theon, tão belo quanto o título da deusa Ísis; ou ainda, permite alargar-se como enoroen do agapeon criando uma epigrafe para os heróis humanos. Satisfeito convida a deusa Níx, uma das primeiras a chegar nessa esfera existencial, quinta herdeira de Caos, que foi antecedida por Gaia, Tártaro, Eros e Érebus, para que adentre-se completando o círculo infinito do seu vai-e-vem semanal. 

Bon dimanche!


sábado, 18 de junho de 2011

SONHO

Quando voltamos a lugares que um dia fomos felizes as lembranças nos abrem a possibilidade de viajar ao passado; revisitar o caminho já percorrido como se possível fosse o eterno retorno. 

Muitas das vezes fechamos os olhos e sonhamos.... como a querer ressuscitar àquele tempo; um sonho que passa a fazer parte da realidade do meu inconsciente e cria uma probabilidade onírica para realizar meus desejos.

Se os sonhos podem me trazer visões reveladores quem sabe poderá também trazer-me o tempo que passou?

sexta-feira, 17 de junho de 2011

STREAP-TEASE

Andando descompromissadamente pela internet deparei-me com o Youtube; já acessei vídeos ótimos naquele site, como o feito pela Sociedade Brasileira de Pesquisa e Difusão do Reiki, pelo Johnny di Carli, um dos melhores Mestres de Reiki do Brasil, e Reiki me interessa muito, uma vez que também sou mestre reikiano.

Pois bem, naquela caminhada pelo Youtube deparei-me com um vídeo referido à Faculdade de Arquitetura de La Coruña, e como estudei em Salamanca, chamou minha atenção o fato que descrevo:

Os diretores da faculdade espanhola contratarem duas moças para receberem os alunos no primeiro dia de aula, e de curso, com um streap-tease total; as moças dançavam enquanto tiravam toda a roupa, diante dos alunos atônitos. Estudantes novinhos em folha, com a testosterona explodindo incontrolavelmente até chegar na adenohipófise, e que certamente não ingerem finasterida, estavam em sala de aula com os hormônios em velocidade superior à do TGV(*). 

Os professores e diretores da faculdade explicaram depois que a intenção seria a de fazer com que os alunos se desapegassem de idéias pré-concebidas. Sensatamente, ao final, um aluno disse que a performace das "atrizes" não passou do mau uso do dinheiro público.

Eu adoro as mulheres, sem qualquer sombra de dúvida, e é por isso que me preocupo. Essa exposição na forma de libertinagem não está contribuindo nem paro o macho e tampouco para a fêmea. Esqueceram que somos animais racionais? haaaa, claro, àqueles professores de La Coruña esqueceram, continuam na fase animal.

E não é só o mau uso do dinheiro público; é o uso do ser humano. O sexo femino sendo usado de forma vulgar, extasiando freneticamente os testículos de jovens que la estavam com um outro objetivo, afinal era o primeiro dia de aula em uma faculdade.

(*) Trem bala francês.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

THÁNATOS

Constantemente ouço alguém comentar que tem medo da morte; senhoras principalmente, em conversas de portão, desprovidas de censura confessam à ouvinte o medo escondido no fundo d'alma. Não cheguei a esgueirar-me, forçando o ouvido, para escutar os homens, tidos como fortes, mas certamente, eles deverão também manifestar o medo inconfesso à seus travesseiros. Não existe homem ou mulher que não tenha lá seu medo inconfesso, e a morte tinge a imaginação humana com fantasias de foice pronta à esfacelar a vida.

Thánatos personificou a morte com seu coração de ferro e as entranhas de bronze e está sempre pronto para pegar a alma do moribundo. 

Quisera eu poder enganar a Thánatos, como o fez Sísifo, mesmo que depois tivesse que ajustar contas com Hades e com Ares. Um segundo a mais seria o suficiente, esse poder de Sísifo posto em mim, para que pudesse novamente dizer "eu te amo" àqueles que já se despediram da vida.


À Juraci, mãe;
À Darcy, pai;
À Iraci, irmã.
In memorium.

terça-feira, 7 de junho de 2011

ALTERIDADE

É comum em nosso cotidiano não observarmos o princípio da alteridade. Não nos vem à consciência, no momento em que cruzamos com outras pessoas; que avistamos; que esbarramos, muitas vezes sem pedir desculpas, talvez pelo apressado dessa vida, e até quando conversamos com alguém conhecido; não está presente na consciência que o outro é minha cópia, fruto dessa perfeição incomensurável que é o mistério da vida.

Da forma mais singela e simples poderemos apresentar o outro como minha cópia humana; qualquer pessoa que cruze nosso caminho tem um pai e uma mãe; é um filho ou filha; tem irmãos, irmãs ou ambos. Sente as mesmas necessidades que eu sinto. Necessita do mesmo ar para respirar. Ama; é amado; tem momentos de raiva, de tristeza;  enfim, o ser humano não é diferente em nada de suas características objetivas.

A subjetividade, entretanto, é um emaranhado de idiossincrasias e mistérios, até para si próprio. E isso cada um de nós, que nos vemos nessa objetividade explícita, devemos respeitar pois até nesses mistérios somos iguais sem sermos os mesmos.

O mistério da existência humana e sua incrível perfeição deveria ser fonte de inspiração para o homem "abrir-se" ao outro. Nenhuma pessoa humana deixa de ser humano caso não tenha um dedo; nenhuma pessoa humana deixa de ser humano por sofrer de esquizofrenia; nenhuma pessoa humana deixa de ser humano se for portador de macrocefalia ou síndrome de Joubert, mesmo que, na maioria dos casos, ocorra o deficit intelectual.

Creio ser o momento de colocarmos na fila de prioridades de nossa consciência uma dose maior de amor incondicional ao outro, seja próximo, seja distante, seja desconhecido, pois a raça humana é uma só e todos nós estamos no mundo sem desculpas ou, como diria Sartre, sozinho e sem desculpas (é necessário ler Sartre para entender "sozinho e sem desculpas").

Por maior que seja o patamar evolutivo que o humano irá alcançar, certamente, o mistério da vida nunca será desvendado e essa perfeição impossível de ser imitada, fabricada, copiada ou seja lá o que ainda iremos inventar. Nunca, mesmo a proveta, conseguirá um homem ou uma mulher sem a existência de um homem e uma mulher.

Esse o mistério; c'est la vie!

Portanto, olhe o outro como a si próprio!

sábado, 4 de junho de 2011

SOZINHO

Creio que todas as pessoas têm lá suas manias, seu jeito de ser, preferências, modos de agir e pensar, enfim, não seria eu diferente. Pois, uma coisa não me deixa confortável: almoçar sozinho em restaurante. Se em casa já é uma chatice imagine sozinho, em um restaurante! Para mim uma catástrofe. 

Pois hoje almocei sozinho, novamente, em restaurante.

Não é lamento, é divagação, digressão existencial.

Minha profissão, e minhas atividades, muitas vezes me obrigaram a isso. Quando lecionei na Universidade de Caxias do Sul, por exemplo, não tinha saída: eu nunca morei em Caxias do Sul, somente lecionei na UCS, e para isso necessitava dormir em hotel, almoçar, jantar, tomar café, pelos menos três vezes por semana, sozinho. Na atividade política, como Deputado Federal, embora morasse em Brasília, àquela atividade ou me obrigava a almoços chatos com personalidades de um mundo que foi meu de forma paralela, ou me abria portas para, de mansinho, me esgueirar aos restaurantes menos badalado e almoçar, sozinho.

Mas será mesmo que estive sozinho nesses momentos? Não ando crendo mais nisso. Por companhia sempre tive meus pensamentos, meu daimon, ou se quiserem, um anjo da guarda.

Pois hoje, novamente, me senti sem conforto ao almoçar sozinho em um restaurante. Turbilhões de pensamentos que parece se acumulam mais nos existencialistas do que em qualquer outra pessoa saltitavam à minha volta como se quisessem fazer parte daquele ágape. Não sei se o vinho fez com que o sangue acelerasse as ideias e iniciasse um debate com somente um ser em minha plateia: meu daimon; ou se na verdade Sócrates tinha razão: é impossível estar sozinho.

Para completar surge uma visita inesperada naquele restaurante: Paul McCartney, de guitarra em punho recita uma daquelas velhas poesias do tempo dos Beatles e melodiosamente me transfere do tempo presente para o tempo de um dia, para o meu tempo.

Definitivamente nunca estamos sozinhos!

MUITO TEMPO

Costumo ouvir de certas pessoas a expressão: "você tem ainda muito tempo pela frente"! pricipalmente quando se referem a jovens que buscam um "lugar ao sol"; e isso é vero, uno-me ao refrão, porém de uma forma bem mais ampla: temos ainda muito tempo pela frente! 

Se descontarmos o têrmo vago utilizado, muito, saberemos que esse tempo não pode ser contado a-priori e que a expressão só faz sentido quando se tem presente que "esse tempo" terá muito mais valor se for pensado de forma subjetiva: o meu tempo! Assim, ao contrário da expressão usual: "voce tem muito tempo pela frente", prefiro dizer que ainda temos muito tempo pela frente. Tempo demais para alguns, escasso para outros, na medida para quem souber viver!.