quinta-feira, 4 de agosto de 2011

DISPOSIÇÃO PARA PENSAR


Muitas vezes me surpreendo “conversando comigo mesmo”, ou como diria Sócrates, com o meu “daimon” interior, em busca de respostas para as perguntas do cotidiano.

Essas reflexões me fazem concluir que o homem moderno não “pensa”, não tem disposição para filosofar, não está atento à sua própria existência!

Seus pensamentos são apenas resultado da apreensão visual sobre o cotidiano, que se transforma em um nada por falta do senso crítico e da disposição para a racionalidade.

Parece que pensar é uma tarefa enfadonha, cansativa e inútil.

Talvez seja por isso que a ação do homem seja tão insana, insensata, profana e inconseqüente.

Se coisa alguma temos para pensar o tempo voa!

Se o que temos há pensar apenas ocupa espaço na mente para que a racionalidade não se sobreponha às inutilidades, que o tempo voe!

Se o nosso “que fazer” no mundo é àquele que nos transforma em bestas; que o tempo passe mais rápido para um novo amanhecer, quiçá, melhor.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

DÁDIVAS (uma oração)


Foi-me dada a Liberdade; o Ar que respiro; a Água que bebo; o Sol que me aquece e as Noites para o pleno repouso.

Além de tudo, sou feliz e felizes são àqueles que me cercam.

Nada me é pedido em troca dessas maravilhas da existência, que tenho recebido graciosamente.

O que devo fazer, Senhor, para humildemente agradecer-Te?

domingo, 31 de julho de 2011

EXISTENCIALISMO

É fácil ser um ateu, muito fácil!

Difícil é defender a tese oposta, sendo ou não sendo religioso.

Mas, deixando as religiões de lado, será que a existência se resume ao conhecimento superficial deste mundo, a geração de filhos e a tentativa de vê-los felizes e realizados?
                 
Será que esse trânsito existencial, andar em algum recanto da terra, conhecê-lo, desbravá-lo, procriar, ser feliz ou infeliz, crer ou não crer; será que a humanidade se resume somente a isso?
                 
Não é necessário estar associado a congregações religiosas para se ter clara a tese de que o ateísmo é uma maneira superficial e descompromissada de analisar a existência humana.
                 
Muito fácil dizer que existir se resume a perambular pelo mundo que conhecemos ou andar em partes do planeta terra ou, até, em vôos rápidos pela lua ou pelo espaço; saber da existência física de estrelas e planetas e, inclusive, cogitar outras possibilidades. Depois disso, dizer que o viver se resume a nascer e morrer. Isso é muito fácil!
                               
Pois, para mim, o existencialismo poderia ter sido aquele de Sartre, teoricamente em excelentes mãos, com um discurso quase perfeito ungido pelo beneplácito de opositores medrosos e titubeantes. Um existencialismo que quase convence. Mais ainda, deixa-nos impregnados de um discurso intelectual de alta cepa.
                                
Mas o existencialismo sartreano não preenche a interrogação humana, ao contrário, angustia, cria ansiedades, deixando-nos com uma forte sensação psicológica de insegurança. O próprio Sartre reforça: “estamos sós e sem desculpas!” O vazio se instala e perdemos o espírito e a alma, o que resta é o fim do túnel. A linha de chegada para o nada é a morte. Nada mais além do fim.
                               
É esse fim, proposto pelo existencialismo de Sartre, que me inspira a vasculhar mais e melhor, antes do fim do túnel, à procura de uma linha de chegada que possa ser entendida como um “começar de novo”.
                               
A morte como renascimento! A vida como transcurso.
                                
Este novo discurso é o de um existencialismo metafísico, talvez difícil, pois necessitará da maiêutica das idéias.
                                
Esse parto conseguido abrirá ao homem a certeza de que aquilo que é, o é, porque está em si mesmo.
                                
A essência superando a existência como possibilidade permanente e infinita.                              

sábado, 30 de julho de 2011

MISÉRIAS


                  Tão libertino quanto à promiscuidade sexual é uma autoridade permitir que a miséria atinja cidadãos do seu estado a tal ponto de levá-los a prostração por falta de alimento.

                Muito mais miserável do que àquele que morre de fome é o que se locupleta à custa dessa miserabilidade, que se resume entre o “ter e o não ter”.

                   Permissividade mais lascívia não é àquela dos bacanais vividos na Roma antiga, mas a dos bacanais da sociedade moderna que “aparta” seres humanos como animais; de um lado os touros reprodutores e de outro os miseráveis destinados ao abate.
               
                Mas, a pior miséria é àquela em que vive o alienado; não morreu de fome, mas sua alma sucumbiu de anorexia por falta de conhecimento.

terça-feira, 26 de julho de 2011

HOMEM E DEUS

No lugar de chorar e rezar o homem deve agir e resolver os assuntos que cabem aos mortais. É comum no mundo moderno a confusão entre aquilo que é problema mundano e o que se trata de mistério divino. Implorar a interferência de Deus naquilo que compete ao homem é confundir as coisas do mundo material com o metafísico. 

Cabe ao homem resolver seus problemas sem pedir que o Divino interceda em seu favor. No lugar de sonhar, realizar, pois tudo depende de cada um de nós. Transferir as decisões para outro nível é acovardar-se perante a possibilidade de um fracasso; nem todas as coisas acontecem conforme o nosso desejo, portanto, não deveremos ficar preocupados com aquilo que não é possível fazer agora. Sempre haverá tempo para uma tomada de decisão. Fazer hoje ou amanhã, mas fazer, sem esperar milagres oriundos das rezas e das promessas.

Deus está acima de tudo isso!