sexta-feira, 9 de agosto de 2013

MÁGOAS

A mágoa talvez seja inimiga da reconciliação. Pessoas que um dia estiveram juntas e, por divergências existenciais, daquelas em que o foco da vida é visto através de ângulos diferentes, podem cultivar resíduos sentimentais que chegam a cegar o olhar, criando uma nuvem que ofusca até mesmo a visão do bem comum.

O fato de estar em desacordo sentimental, entre os pares, não deveria significar que as arestas não resolvidas continuassem a interagir entre ambos ao ponto de gerar conflitos em terceiros.

É o caso de pais que resolveram por decisão própria, ou por acidente de percurso, gerar um filho e, depois, concluíram que seus caminhos nunca foram trilhados pela mesma estrada.

Quando, um e outro, agora no seu percurso próprio, continuar com a nuvem escura frente à fonte das suas interpretações, seja ela de cunho social, da vida pragmática; seja ela de cunho existencial, da existência vivida, nunca descortinará a possibilidades de, ele próprio, ser feliz, pois a magoa impossibilitará toda forma de um viver pleno de satisfações.

Pior do que tudo isso  é levar, de roldão, àquele que, em sua vida espiritual, o escolheu para possibilitar-lhe a vida terrena.

Olhar para dentro de si e colher o fruto da bondade, compreensão e do amor incondicional é tarefa imediata que toda e qualquer pessoa nessa situação deveria se propor.

É importante colocar-se em alteridade; eu sou eu e o outro é como eu. Eu sou sujeito e o outro é, também, sujeito. Não existe objeto nessa relação, embora quase que a totalidade dos seres-humanos continuem agido como se assim fosse.

Ab imo pectore!

À minha filha Mariana: do fundo do meu coração!

terça-feira, 6 de agosto de 2013

CÉU E INFERNO!

Vivemos em trânsito no mundo; isto é inegável! Entretanto quando conseguimos uma pausa para pensar sobre o próprio mundo, dispersamos nosso pensamento e o direcionamos apenas para o pragmatismo, sem dar atenção ao próprio mundo que vivemos. 

É necessário estabelecer, com clareza meridiana, que o mundo só é mundo enquanto o fizermos; aquilo que "está aí", diante de nós, a nossa mercê e para nosso gozo, só é porque existimos. Somos nós que fazemos o mundo, e nos fazemos no mundo. Uma dualidade inseparável! O homem é o sujeito nessa relação!

Ser sujeito, entretanto, não nos dá o poder de "mando", como nas ações hierárquicas estabelecidas pelas instituições e organizadas na sociedade. O sujeito, nesse caso, tem uma relação de inter-dependência com o mundo que, ao mesmo tempo em que abriga o sujeito, dele depende para continuar existindo. Por sua vez, o sujeito, ao fazer o mundo, se faz no próprio mundo, sendo que a existência de sujeito e mundo, só terá sentido nessa dualidade. Eu existo, o mundo existe! O mundo existe enquanto eu existir!

Portanto, o mundo está em nossas mãos; e, ao mesmo tempo, nós estamos nas mãos do mundo!

O homem, que também é dual, contém em si, agregado e indissolúvel, uma parcela do "Ser" e uma parcela do "ter". Essa parcela do "ter", agregada ao "Ser" do homem, é responsável pela afinidade com o pragmatismo do mundo. Sem ela talvez estivéssemos "no mundo da lua". O "ter" prende-nos, por afinidade, à matéria; enquanto o "Ser" possibilita-nos a reflexão sobre o sentido da existência no mundo. "Parar" para pensar sobre o mundo, pois, consiste em refletir sobre nós mesmos; dar uma pausa na caminhada sobre o mundo e caminhar sobre si-mesmo. Esse mergulho no "Ser" amplia horizontes, descobre caminhos, abre espaços, descortina mistérios e resolve problemas. Quiza, possibilita vislumbrar a eternidade.

Uma caminhada existencial que consiga manobrar as adversidades materiais, corrompidas que foram pelo pragmatismo exacerbado, conduz-nos a descortinar os mistérios do "Ser" e a descobrir os índices do bem e do mal, inerentes a cada um de nós e alojados na caixa de mistérios do ser humano.

Mergulhar no fundo de si-mesmo e enfrentar essa realidade é defrontar-se com o inferno e com o Céu que cada um tem dentro de si. Descobrir essa verdade é chegar ao limite do abismo e ter a possibilidade única da escolha! É ter o controle de si-mesmo! Agarrar nas mãos a existência e o destino! Conceber para si o poder único e inalienável da decisão!

Àquele que tiver coragem; controle sobre sua vida; conhecimento do seu caminho existencial, terá a chave do poder! Caberá a ele saber dominar e amordaçar o inferno dentro de si e libertar o Céu que habita seu universo interior.

Esse homem será livre!

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

HORTAS COMUNITÁRIAS

Aproveitando uma publicação no Facebook, sobre hortas comunitárias na Inglaterra, republico abaixo uma matéria da Folha sobre essa atividade, também desenvolvida no Brasil. 

Seu Inácio Neres, 68, sai de casa, atravessa a rua e abre o portão baixo, improvisado com uma tela. No chão argiloso, cortado por dez canteiros cobertos por terra fofa, ele ergue o tecido que os protege e passa a meia hora seguinte regando mudas de alface, couve, coentro, pimenta...

Hortas urbanas

A cena parece descrever o cotidiano de uma cidade do interior, mas acontece toda manhã na Vila Nova Esperança, no limite de São Paulo com Taboão da Serra. E não é de todo estranha à metrópole.

Seu Inácio tem a companhia de gente que faz o mesmo na Pompeia, na Vila Beatriz, na Vila Industrial e até na avenida Paulista com a rua da Consolação.

Muitas regiões da cidade viram, nos últimos meses, moradores saírem de casa e tomarem para si praças e terrenos ociosos (alguns abandonados, outros da prefeitura) erguendo hortas comunitárias, nas quais qualquer um pode pôr a mão na terra.

É só chegar e ajudar a plantar. Ou colher e levar para casa -gratuitamente, sem preços inflacionados (como o caso recente do tomate).

De setembro do ano passado até hoje, seis espaços assim foram criados -quatro neste ano. Mais quatro devem ser inaugurados nos próximos meses: no Butantã, em Brasilândia, na Faculdade de Medicina da USP (em Pinheiros) e no Centro Cultural São Paulo (na Liberdade).

Plaquinhas na Horta das corujas, na Vila Beatriz, zona oeste de São Paulo.
Plaquinhas na horta das Corujas, na Vila Beatriz, zona oeste de São Paulo

HORTAS ABERTAS

Perto do encontro da avenida Paulista com a rua da Consolação, um canteiro de 30 m2quase não chama a atenção de quem circula por ali. Mas quem se detém e observa melhor percebe que o pequeno verde no meio do concreto guarda pés de alface, manjericão e até café.

A chamada praça do Ciclista, ponto de encontro de cicloativistas, passou a receber o cultivo de hortaliças em outubro passado. A rega é feita todas as tardes por seis voluntários, que se revezam na manutenção da horta, sem cercas protetoras, rodeada por vias entre as mais movimentadas da cidade.

Ainda assim, plantas sem viço -e uma sujeira aqui e ali- podem dar a impressão de certo ar de abandono.

Na horta do BNH, na Vila Madalena, as plantas são espalhadas por pontos dispersos na praça. A ausência de cercas permite que cachorros transitem por ali, livremente. O mesmo se observa na horta da Nascente, na Pompeia.

Além de receber ajuda em mutirões semanais, os voluntários fazem parte de um grupo que cuida de outras hortas comunitárias na cidade, os Hortelões Urbanos.

O grupo se formou pouco antes da criação da horta das Corujas, que ocupa 800 m2 da praça Dolores Ibarruri, na Vila Beatriz. Isolado do conglomerado urbano por árvores, o espaço é o mais bem organizado desse movimento.

Seus organizadores estão entre os poucos que estabeleceram um acordo, ainda que informal, com a subprefeitura e mantêm diálogo aberto com o poder público.

As demais hortas visitadas pela reportagem ainda não haviam estabelecido acordos com a prefeitura.

Antes de começar a plantar, os voluntários da horta das Corujas bancaram análises do solo e da água. E um documento define diretrizes para a manutenção.
Os canteiros foram protegidos por uma cerca baixa, para evitar a circulação de animais -mas sem cadeado, para que os interessados circulem livremente.

Karime Xavier/Folhapress
Horta das corujas, na Vila Beatriz, zona oeste de São Paulo.
A voluntária Claudia Visoni cuida da horta das Corujas
Uma placa informa regras como a proibição do cultivo de árvores frutíferas (propícias para a formação de arbustos) e as datas de mutirões.

O que é cultivado ali vai para a mesa de muita gente do bairro. "Nunca tinha comido um feijão que eu tinha plantado. Sentei para debulhar com a minha filha e foi muito gostoso", conta a jornalista Claudia Visoni, 47, uma das envolvidas na iniciativa.

A colheita não tem regras definidas, mas o dia a dia desses espaços leva a sério a ideia de comunitário.

Ainda que utensílios, mudas e adubo cheguem às vezes por meio de doações, são os próprios voluntários que se mobilizam para conseguir os materiais.

Além de produzir alimentos, essas hortas podem ter outros usos. Na da Vila Anglo, na Pompeia, os organizadores promovem oficinas de educação ambiental com crianças do bairro.

A COLHEITA É LIVRE

Em geral, a colheita nas hortas comunitárias de São Paulo é livre. Qualquer pessoa que encontrar algo maduro pode pegar, independentemente de ter colaborado com o cultivo, e sem restrições de quantidade.

Na maior parte das vezes, também não há data específica para a colheita. Nem mesmo os mutirões se concentram nessa etapa -priorizam a manutenção do espaço.

Em outros casos, porém, uma pessoa fica encarregada de recolher a safra e dividi-la.


Na horta da Vila Nova Esperança, a líder comunitária Lia de Souza distribui as hortaliças entre as famílias interessadas. O mesmo acontece no espaço da Vila Industrial, onde os responsáveis centralizam a distribuição.
Editoria de Arte/Folhapress

quarta-feira, 31 de julho de 2013

terça-feira, 30 de julho de 2013

VIBRAÇÕES POSITIVAS E NEGATIVAS

A Lei da Atração pode ser definida da seguinte maneira:
Atraio para a minha vida qualquer coisa à qual dedico atenção,
energia  e concentração,  seja ela positiva ou negativa.

O Termo Vibração é geralmente utilizado para descrever um estado de espírito ou um sentimento que se sente a partir de alguém ou de alguma coisa. Alguém pode dizer, por exemplo, que sentiu uma boa vibração quando ficou perto de uma determinada pessoa. Ou, então, pode dizer que sentiu uma vibração negativa quando passou por uma determinada região da cidade ou área do bairro. Em todos esses casos, o termo vibração é usado para descrever o estado de espírito ou o sentimento que vivenciamos.

Em suma, uma vibração equivale a um estado de espírito ou a um sentimento. 

No mundo vibracional só existem duas espécies de vibrações, a positiva e a negativa. Qualquer estado de espírito ou sentimento faz com que você emita, envie ou proporcione uma vibração, que pode ser positiva ou negativa. Se consultar um dicionário e selecionar todas as palavras que descrevem um sentimento, verá que pode incluí-las numa dessas duas categorias. Cada palavra descreverá um sentimento que gera uma vibração positiva ou um sentimento que gera uma vibração negativa. 

Cada um de nós emite vibrações positivas ou negativas. Na verdade, estamos sempre emitindo vibrações. Pense sobre a expressão "Ele emite boas vibrações" ou "Esse lugar tem vibrações negativas".

A cada momento, você vivência um estado de espírito ou um sentimento. Neste exato momento, o estado de espírito ou o sentimento que você está vivenciando faz com que seja emitida uma vibração positiva ou negativa.

(in O Segredo)

sexta-feira, 26 de julho de 2013

HOMENAGEM À MULHER




As verdadeiras Mulheres merecem ser homenageadas todos os dias, independente de festividades, independente de datas específicas, independente de qualquer coisa.

Ser Mulher é uma dádiva divina e essa graça que à elas Deus concedeu deve ser reverenciada por todos nós, e principalmente pelos homens.

A guarida que nos foi dada no ventre materno possibilitou-nos desfrutar a divindade existencial de Ser.

Minha homenagem em todas as datas, todos os dias, sempre festivos, às Mulheres; em agradecimento a felicidade de existirmos.
 

2 comentários:

Astrid Annabelle disse...
Sim...homenagear as Mães todos os dias e todas as horas...
E é assim mesmo que sinto que deve ser a homenagem...através da gratidão.
Irradiemos amor para todas as Mães da Terra e para a Nossa Mãe do Céu!
Bjs Ira!!!
Astrid Annabelle
BIA disse...
Oi professor!!!

Que linda homenagem à todas as mulheres!!! Também acho que todos os dias devem ser valorizadas, mas é muito bom quando se tem um dia especial para comemorar já que muitas vezes não lembram de nada... tem marido que esquece até o dia de aniversário da mulher...
Uma boa semana!!!

Bjs :)

SÉTIMO DIA DO SÉTIMO MÊS!

PAZ E AMOR!

sexta-feira, 19 de julho de 2013

CONFIA!


Um jovem que trabalhava no Exército era humilhado por ser Cristão. 

Um dia seu superior, querendo humilhá-lo ainda mais na frente do pelotão, chamou o soldado e disse: 

Pegue esta chave, vá até aquele Jipe e estacione ali na frente. 

O jovem disse: Não sei dirigir

Então disse o superior: peça ajuda a seu Deus; mostre que ele existe

O soldado pegou a chave e começou a orar, depois ligou o veículo, manobrou e estacionou perfeitamente. 

Ao sair do Jipe o soldado viu todos de joelhos, chorando e dizendo: Nós queremos teu Deus

O jovem soldado, espantado, perguntou o que estava acontecendo. 

O superior chorando abriu o capô do Jipe e mostrou para o jovem que o carro estava sem motor. 

NB. Confia os teus cuidados ao Senhor, e ele te susterá; jamais permitirá que o justo seja abalado. (Salmos 55:22) 

quarta-feira, 17 de julho de 2013

ÁGAPE

Alguns talvez comentem que é fácil escrever sentado em berço esplêndido, mas desconhecem os caminhos que se trilham. Não é, tenha certeza, o pragmatismo do bem material que move meus sentimentos ou meus dedos em tecla de computador. Não é, creia-me, as concessões de um dia que reflorestaram meus anseios sociais ou a pavimentação da minha vida prática.

Não tenho as benesses concedidas aos antigos colegas, que, em igualdade, desempenharam as mesmas funções, mas que, depois, ao optarem pela merecida aposentaria tiverem o imerecido prêmio de perpetuarem-se como beneficiários de um ganho em que o estado é o mecenas.

A isso meus pulmões enchem-se de ar para expelir a verdade: não tenho esse usufruto maldito!

Estou livre dessas amarras imorais! Sou feliz, pois meu maior ganho é a própria felicidade e, essa, me possibilita muito mais que o ganho pecuniário sem honra; possibilita-me o ganho honrado através dos meios para consegui-lo em maior proporção e com plena ética. E, isso, todos poderiam conseguir, bastaria querer.

Lamento àqueles que se aproveitarem dos cochilos do sistema para deteriorar mais ainda as instituições, necessárias a todos nós; isso só atende às necessidades daqueles que desejam o caos para a nação.

Não mais medirei forças com essas ideias medíocres, pois delas quero estar distante. Livro-me, portanto, da fúria revanchista e da necessidade quase histérica de rebater àquelas das quais não concordo.

É, pois, chegada a hora do ágape, em que se vislumbre a possibilidade da confraternização universal, do bem, da felicidade, do amor incondicional.

À meus detratores e àqueles que se consideram inimigos, minha benção; não mais terão de mim senão amor. À meus amigos o convite: somem-se a outro exército; àquele em que a luta é pela paz e onde o sangue não é derramado.

l'amour vivant!

quarta-feira, 10 de julho de 2013

COMEÇAR DE NOVO!

Seria desconsideração para com todos àqueles que leem o que escrevo; àqueles que me conhecem pessoalmente, que foram meus alunos, amigos, colegas, companheiros de jornadas. Àqueles que por terem afinidades de ideias solicitaram amizade virtual ou são seguidores, tanto dos blogs quanto no Facebook, ou nas demais páginas em que exponho meu ponto de vista, político ou sobre assuntos diversos. Seria desconsideração, enfim, não apresentar o motivo que me faz, agora, mudar o rumo, ou a forma, de minhas argumentações sobre qualquer assunto que se apresente com necessidade de ser discutido, o que sempre fiz, e desde 1989 quando ingressei na política partidária e, ainda, depois, via internet, com o advento dos blogs e sites de relacionamentos, como Orkut, Facebook e outros, abordando também temas da minha profissão, bem como àqueles que me sentia apto a comentar ou tecer críticas.

Após um tempo recluso, em que refleti através de muita meditação e leitura, concluí, pelos novos aprendizados, insights e bênçãos espirituais recebidas que, apesar da falibilidade humana, temos uma missão metafísica a ser cumprida em nosso trânsito existencial.

Não sinto e não vejo possibilidades de resultado positivo nessa luta incessante travada entre ideias conflitantes; ideologias sectárias; opiniões e discursos subjetivos, eivados de retórica e argumentação sem fundamento holístico.

O que vejo, e o que sinto, é um desgaste emocional tão aviltante que faz do ser humano um mero objeto, em vias de se engalfinhar, um e outro, em pelejas desprovidas de sentido; um ser humano em frangalhos, a olhar o outro como dissociado da mesma humanidade em que todos nós estamos inseridos. Dessa guerra quero me evadir; uma deserção que a corte suprema já me absolveu, pois não se trata de trair os postulados e sim o de apresentar novos caminhos, que podem ser trilhados de maneira mais eficiente, tornando esses embates de hoje em um encontro entre àqueles que se comprazem com a beleza existencial.

É, pois, chegada a hora do ágape, em que se vislumbre a possibilidade da confraternização universal, do bem, da felicidade, do amor incondicional.

Aos meus detratores e àqueles que se consideram inimigos, minha benção; não mais terão de mim senão amor. À meus amigos o convite: somem-se a outro exército; àquele em que a luta é pela paz e onde o sangue não é derramado.

A mais dura batalha dessa guerra rotineira é vencer a si mesmo; desvencilhar-se da negatividade, do ego, da usura, do medo, da posse, do ódio. Àqueles que a isso superarem terão, enfim, suas vidas livres das amarras fatídicas que os amordaçam e sufocam; esse caminho livre abrirá as portas da felicidade e do amor, onde encontrarão os meios afortunados da plena existência, em que a razão e a emoção se encontram.

Vive-se um momento de rusgas intensas e sem possibilidade de trégua; a vida política e social degrada o ser humano pelo abuso e astúcia de um lado e pela inércia e ignorância de outro. Somos reféns de nossos próprios atos, insanos ou ingênuos. Um verdadeiro cabo de guerra, em que cada um puxa para seu lado e que o vencedor é lobo da sua própria carne.

Todos têm o direto de ser feliz, sem que para isso obrigue-se a andar no mesmo bonde. Muitos defenderão ardorosamente as ideias que lhes estão agregadas pela imposição ideológica ou pela educação nunca contestada; serão Vassalos, alguns; Escravos, outros. Todos com seus Suseranos. Serão livres, poucos; àqueles que se aventurarem em conhecer um caminho além dos feudos; àqueles que quiseram comandar suas próprias vidas.

Alguns talvez comentem que é fácil escrever sentado em berço esplêndido, mas desconhecem os caminhos que se trilham. Não é, tenha certeza, o pragmatismo do bem material que move meus sentimentos ou meus dedos em tecla de computador. Não é, creia-me, as concessões de um dia que reflorestaram meus anseios sociais ou a pavimentação da minha vida prática.

Não tenho as benesses concedidas aos antigos colegas, que, em igualdade, desempenharam as mesmas funções, mas que, depois, ao optarem pela merecida aposentaria tiverem o imerecido prêmio de perpetuarem-se como beneficiários de um ganho em que o estado é o mecenas.

A isso meus pulmões enchem-se de ar para expelir a verdade: não tenho esse usufruto maldito!

Estou livre dessas amarras imorais! Sou feliz, pois meu maior ganho é a própria felicidade e, essa, me possibilita muito mais que o ganho pecuniário sem honra; possibilita-me o ganho honrado através dos meios para consegui-lo em maior proporção e com plena ética. E, isso, todos poderiam conseguir, bastaria quererem.

Lamento àqueles que se aproveitarem dos cochilos do sistema para deteriorar mais ainda as instituições, necessárias a todos nós.

Não mais medirei forças com essas ideias medíocres, pois delas quero estar distante. Livro-me, portanto, da fúria revanchista e da necessidade quase histérica de rebater àquelas das quais não concordo.

Políticas superficiais, subjetivas, que atendem aos interesses de seus criadores e que são formuladas a partir dos guetos partidários, no lamaçal de suas instâncias, não me farão ouvinte e não desperdiçarei meu tempo em contestações que se perdem no vazio da ignorância política e eleitoral.

Projetos oriundos da histeria coletiva, de grupos estridentes e coloridos, vândalos da constituição, passarão anônimos pelos espaços que conquistei, pois não mais me darei ao trabalho de contesta-los. A negatividade não terá minha atenção.

Não me peçam para contraria-los, pois não me compete ceifar o campo para possibilitar suas aventuras. Argumentar contrariamente à negatividade é aceitar a regra do jogo e torna-lo possível. Resistir ao mal é aumentar o malefício. Deixe-o andar, que certamente se perdera no caminho da solidão. “Aquilo a que você resiste, persiste” (Carl Gustav Jung – 1875/1961).

É para mim um novo momento (!); e, respeitosa e desinteressadamente, aconselho àqueles que sentirem o despertar da sua alma; o insight harmonioso que o faça ver além do próprio olhar; a luz claríssima da Verdade alegrando cada coração; o pensamento constante na certeza do bem e do amor; à esses, pois, aconselho a mudança que os levara aos pressupostos únicos para uma vida plena de felicidade.

Esta é minha mensagem aos meus amigos virtuais e não virtuais; seguidores e leitores. Outros ainda se somarão a estes, tenho certeza, e com todos compartilharei essas novas experiências positivas, fruto do aprendizado constante e permanente; de um conhecimento pleno, sempre em superação, pois, no mundo, tudo são mudanças. Não é possível nos banharmos na mesma água do rio, que corre, incessantemente; as águas nunca serão as mesmas (Heráclito). Nós nunca seremos os mesmos. Resistir e contrapor-se aos horrores dos acontecimentos no mundo contemporâneo é possibilitar-lhes um caminho.  Aceitar ou contrariar uma ideia é estar junto àqueles que as implantaram dando-lhes argumentos para o debate. Resistir é atrair.


Deixe o mal esvair-se no vazio das suas ânsias; abra-se ao bem, deixe fluir seu coração para a felicidade e ao encontro de um mundo sereno de amor. 

domingo, 30 de junho de 2013

EGOÍSMO


Posso dizer que tenho uma longa carreira como psicanalista e estudioso das ciências humanas. Embora tenha começado um pouco tarde para os padrões esquemáticos da educação dos pedagogos da hora certa, minha vida acadêmica soma mais de 40 anos.

Mas não sou somente um teórico; as experiências em minha vida tiveram também presença marcante em toda essa trajetória.

Ao analisar o comportamento e as relações interpessoais de pais e mães separados pude observar o quanto são egoístas em detrimento do bem estar da criança.

Fico estarrecido quando observo que o mais importante para os pais é o que eles sentem, sem ao menos se perguntarem o que seu filho ou filha sente.

A disputa pela guarda horroriza-me; são embates ridículos com os mais variados argumentos como se as emoções e os sentimentos pudessem ser coisas empíricas a serem divididas em partes, cortadas aos pedaços, para que cada um abocanhe seu naco.

Aos que se dizem pais eu os desafio à renúncia; a abrirem mão da posse.

Certamente que com isso será menos dolorosa para os filhos a outra inconseqüência já feita: a separação.

sábado, 22 de junho de 2013

PRISÃO DE PAIS: ARMADILHAS PÉRFIDAS

Por conta de um comentário anônimo volto há um assunto abordado em 6 de setembro de 2007, aqui neste blog (podem conferir naquele post: "PENSÃO ALIMENTÍCIA: um bom negócio")

Tramita no STF uma lei que irá acabar com armadilhas pérfidas de cunho meramente materialista e pecuniário: o fim da prisão por conta de débitos de pensão alimentícia.

Reconheço a pensão alimentícia como um direito do alimentando e dever do pai e da mãe; entretanto, como está entendida a lei pelos julgadores ajusta-se mais para uma norma de senso comum do que à uma legislação de cunho jurídico-científica.

Muitos juízes, advogados e membros do Ministério Público têm atuado de forma meramente documental e pecuniária sem, na maioria das vezes, proceder há uma investigação adequada e justa sobre os genitores, as relações interpessoais e o alimentando. 

O que importa é o dinheiro e nada mais! E assim, procede-se o julgamento puro e simples. Alguem paga ou é preso e o destino do dinheiro, para onde vai, como é gasto, isso pouco importa pois a lei foi cumprida; alguem está pagando e alguem está recebendo.

Não houve preocupações maiores com o alimentando. Não foi perguntado se para o filho importa mais o dinheiro do que o carinho dos pais. Não lhe foi perguntado se amor é mais importante do que um brinquedo novo.

A pensão alimentícia tem se tornado um negócio rentável e lucrativo para muitos vagabundos e parasitas em detrimento da parte necessitada que é a criança; muita das vezes por conta dessa interpretação parcial dos julgadores.

Tanto o pai como a mãe são responsáveis pela guarda e pela mantença de sua prole, entretanto, hoje, sem nenhuma análise adequada, recai sobre o pai o pagamento de uma pensão e sobre a mãe a guarda da criança. Isso parece norma, embora não seja e não deva ser.

Os dois, pai e mãe, são responsáveis pela mantença material e pela cuidado pessoal; os dois são responsáveis pelo carinho e afeto que a criança necessita em primeiro lugar; os dois são responsáveis pelo filho que geraram e isso lhes garante e lhes obriga a darem e terem oportunidades iguais para estarem com seus filhos.

Separar um ou outro de seu filho, por conta de uma armadilha jurídica, confere àquele que aproveita dessa brecha na lei para vingar-se ou afastar seu desafeto do próprio filho. Ruim para o pai, ou para a mãe e pior para o filho.

A lei deve se adequar àquilo que melhor se ajusta para o bem comum e os legisladores devem corrigi-la quando se tornar ineficiente ou quando, por vício, estiver sendo utilizada de forma subjetiva ou parcial.

Espera-se que em breve seja corrigida a forma como é utilizada a lei para fazer cumprir uma obrigação paternal e maternal; pois não é só o pai que tem a obrigação de manter seu filho no que se refere a parte pecuniária. Cabe também à mãe essa responsabilidade.

Direitos e deveres iguais; é o que se espera!

segunda-feira, 17 de junho de 2013

FILOSOFIA

Quem gosta de Filosofia? parece-me que quase ninguém; assim como também nem ouviram dela falar. Nas escolas, no nível básico, ela não deixou saudades. Mas, por que? quem sabe por ter sido tão maltratada, tão mal comunicada; quiça os alunos tiveram informações precárias, sobre uma filosofia fragmentada ditadas de livros básicos. Houve um tempo que nem mesmo professores de filosofia existiam nas escolas brasileiras. Filosofia? qualquer um leciona!


Parthenon, Atenas, Grécia. 
Copyright by Irapuan Teixeira 
Essa precariedade da escola no Brasil fez amortecer, convenientemente, o impulso questionador que a Filosofia insuflaria no alunado.

E a escola atual? E a Filosofia hoje? continuam, convenientemente, amordaçadas. 

É por isso que quando encontro alguém interessado em estudar, não posso me conter em entusiasmá-lo cada vez mais a buscar o conhecimento filosófico, que certamente o despertará para querer saber, sempre, o porquê de todas as coisas.

O ensino da Filosofia deveria preceder qualquer curriculum escolar; se assim fosse, teríamos um povo mais questionador; com melhor conhecimento lógico e com ânsia de querer desocultar a verdade.

Isso, certamente, não seria conveniente àqueles que se instalam no poder e lá desejam permanecer sem serem incomodados.

A Filosofia incomoda, e muito!

3 comentários:
BIA disse...
Oi Professor!!!

Verdade, a FILOSOFIA não tem tido a prioridade que deveria no ensino, há muita coisa que poderia ser melhorado na educação. Falta mesmo ampliação do pensamento critico.
Bjs :)

Mônica Bif disse...
Obrigada pelas palavras Professor e pela menção em seu Blog. A Filosofia me ajudou muito a observar as coisas no mundo com uma visão mais aprofundada e ampla, a ver as diversas faces da realidade e entender melhor comportamentos e segmentos da sociedade. Como sou Enfermeira, creio ser de fundamental importância o conhecimento filosófico, afinal meu trabalho é cuidar das pessoas, e o ser humano é muito mais que um ser biológico, é um ser bio-psico-social, é muito complexo e necessita-se de um conhecimento aprofundado sobre ele para melhor entendê-lo e promover melhor atenção ao mesmo, principalmente quando ele mais precisa. Durante a minha formação acadêmica também tive muita influência da filosofia, sendo que o Curso Superior que eu fiz me ensinou a entender melhor o ser humano, como um todo indivisível e sua relação com o mundo e a sociedade. Parabéns seu Blog tb é muito interessante. Seguindo... Abraços!
Morgan Nascimento disse...
Olá, parabéns pelo blog!
Se você puder visite este blog:
http://morgannascimento.blogspot.com.br/
Obrigado pela atenção

domingo, 16 de junho de 2013

EU TE AMO

Talvez seja essa pequena frase a mais popular pronunciada pelos seres humanos. Também, a mais ingênua; desprovida de objetividade, racionalidade e imparcialidade.

Eu te amo significaria, antes de se pronunciar a frase, certamente dirigida a alguém, saber-se o que é o amor (?).

Quando se confidencia a alguém “eu te amo” devemos estar ciente sobre o que me move a esse suposto amor que penso ter. Antes de tudo, estar ciente de que “eu te amo” é desprovido de egoísmo, de satisfação e de prazer subjetivo, posse, poder e propriedade.

Amar é ter desejo, sim; é proteger, também; mas amar, antes de tudo, é deixar o outro Ser.

Ser significa construir meu próprio EU e isso inclui a liberdade de ME expressar, transitar e conviver com o mundo; mundo esse que não é o mundo de nós dois, mas o meu mundo e o teu mundo; o meu mundo e o mundo dos outros. Assim, eu escolho “Ser no mundo” e não somente “estar no mundo”.

Essa comunicação livre e sem amarras é que possibilitará, a cada Ser, a construção do seu EU, que é subjetivo; faz parte do indivíduo; do uno existencial.

O Outro não é nossa propriedade e por isso necessitará da liberdade para transitar no mundo tanto quanto cada um de nós. Ser livre significa ser “dono do seu próprio nariz”; estar ciente de que atrás de si não existe um sensor para dizer o que está certo e o que está errado, pois o certo e o errado também são coisas subjetivas.

Querer o Outro como a uma propriedade é transformar o Ser humano em coisa, objeto, mercadoria; o Outro não é nossa propriedade e por isso eu não o tenho. Não é minha posse; não é minha coisa; não é meu!

As expressões “meu” amor; “minha” amada; “minha” mulher; “meu” marido; meu isso e meu aquilo são as mais erradas do vocabulário humano, porque aquilo que é meu não É.

Minha propriedade; minha biblioteca; meu carro; meu dinheiro são coisas e coisas são desprovidas de SER, portanto, não são no mundo; apenas estão no mundo.

Para SER é necessário não ser, pois o SER não é objeto; não é coisa; não é matéria. O SER é espírito, alma, composição física também, mas impregnado de injunções metafísicas. O SER é essência e existência.

O amor é incondicional, não exige troca, não pede recíproca; amor é dádiva, doação, gratuidade. Amar é constituir-se como o outro para compreender sua essência e deixar livre sua existência.

Essa alteridade pressupõe que o Amor seja o projeto de realizar a assimilação entre o Eu e o Outro. Mas para que o outro possa considerar-me assim é preciso que ele possa querer, isto é, ser livre; por isso, a posse física, a posse do outro como coisa, é no Amor, insuficiente e decepcionante. É preciso que o outro seja livre para querer amar-me e para ver em mim o infinito.

Dizer “eu te amo” sem entender essa alteridade é confundir amor com paixão. A paixão é transitória e temporal; o amor é perene e atemporal.

“Eu te amo” não se consubstancia caso houver a necessidade da pergunta “tu me amas” (?) porque “eu te amo” não exige condição.
Zil Mar disse...
Seu texto é maravilhoso...concordo lieralmente...

Feliz dia pra vc tb!!!!

meu carinho...


Zil
ღ Sensitivity ღ disse...
Essa linda frase só deveria ser usada quando realmente o sentimento amor existe. Só que o amor não é só demonstrado por essa frase, sim através das atitudes. Claro que concordo com uma coisa: é bom de ouvir. Mas ainda prefiro sentir. Beijinhos.
Néia Lambert disse...
Prof. essa frase "eu te amo", ultimamente tão banalizada, tem mesmo esse sentido todo que, de forma consciente, foi colocado no seu texto.

Um abraço
Ma Ferreira disse...
Caro Prof.

Entrei no seu blog por acaso. Li seu texto atentamente.
Fiquei encantada.
Quem sou eu para analisar um texto?
Mas te digo com toda a sinceridade, posso dizer como o texto chegou a mim.
Chegou de maneira clara e me levou a reflexao.
De que muito do que se diz por ai, 'e tudo, menos amor.
Amor 'e desapego. 'e incondicional.
Amor nao 'e condicao.
Amor e estado de graca.
Mas enfim.. vc ja disse tao lindamente e claramente o que 'e o amor.
Desculpe-me pela falta de acento grafico e cidilha no meu comentario Estou no note da minha filha e confesso nao sei como coloca-lo.

Faco arte ceramica em Sao Paulo. Meu blog 'e relacionado a arte.

Te convido para conhece-lo, se o tema lhe agradar.
Sera uma honra recebe-lo.

Um abraco, com carinho,

Ma Ferreira
♪ Sil disse...
Eu te amo, virou bom dia!

Como essa frase se banalizou!

Belo texto Ira!

Beijão
Astrid Annabelle disse...
Adorei ler este seu texto!
Um beijo
Astrid Annabelle