sexta-feira, 4 de outubro de 2013

O NOVO MACCA DE 71 ANOS!



O ex-beatle Paul McCartney
Foto: Divulgação

LONDRES — Em uma típica tarde londrina, cinzenta e chuvosa, Paul McCartney, provavelmente o maior artista vivo do planeta e o homem cotado para ser a atração de encerramento da Copa do Mundo de 2014, deu início à maratona de entrevistas para promover seu novo trabalho, simplesmente chamado “New” (“Novo”), o primeiro disco de inéditas em seis anos. Aparentando menos do que os seus 71 anos e ainda ostentando um olhar jovial, Sir Paul — que passou o dia anterior gravando um clipe nos lendários estúdios em Abbey Road, onde os Beatles gravaram praticamente todas as suas canções — chega à sala onde jornalistas de vários países o aguardam, faz uma piadinha e começa a dar detalhes sobre o novo trabalho, que será lançado mundialmente no dia 14, e até sobre alguns aspectos da sua vida pessoal.
Gravado com a colaboração de quatro produtores — Giles Martin (filho de George Martin, produtor dos Beatles), Ethan Johns (filho de Glyn Johns, engenheiro de som que trabalhou com Paul nos Beatles e Wings), Mark Ronson (que gravou com Amy Winehouse) e Paul Epworth (responsável pelo estrondoso sucesso do álbum “21”, de Adele) —, “New” mostra um McCartney bem diferente do que lançou “Kisses on the bottom” — uma coleção de clássicos americanos, em 2012. No novo trabalho, Macca está muito mais “moderno”, embora tenha preferido usar apenas instrumentos vintage na gravação das canções, num clima que lembra bastante o seu projeto “The fireman”, que rendeu o ótimo “Electric arguments” (2008).
— Eu queria ver como era trabalhar com cada um desses produtores. Quando vi o que eles fazem, eu achei interessante, por razões diferentes. Paul Epworth, o primeiro com quem trabalhei, gosta muito de experimentar. Ele tem uma ideia e diz para você: “Por que não tentamos algo assim (imita o som de uma bateria)?”. Então, fui para o piano, toquei algo parecido com o que ele sugeriu, e isso acabou se transformando na faixa de abertura do álbum (“Save us”). Esse é o método dele — contou Paul. — Já quando trabalhei com Mark Ronson, foi diferente. Ele pegou minhas canções e tentou fazer com que soassem da melhor maneira possível, o que é um método totalmente diferente de trabalho em relação ao Epworth, sem tanta improvisação. Ethan Johns é muito orgânico. Eu disse: “Tenho essa canção chamada ‘Hosanna’, cantei para ele, e fomos juntos para o estúdio. Quando terminou, perguntei se estava tudo ok, se os vocais estavam bons. E ele disse: “Perfeito!”. Era basicamente um take ao vivo. Giles já é interessante por outros motivos. Ele gosta de pegar uma canção, trabalhar nela, algo no estilo do que o pai dele fazia. É como um novo George Martin!
“Como qualquer um”
Na canção que dá nome ao disco, Paul diz que “podemos ser o que quisermos, podemos fazer o que escolhermos”. Mas Paul McCartney pode fazer o que quiser?
— Sim. Normalmente, as pessoas dizem que você não pode fazer isso ou aquilo por ser famoso, mas eu consigo — diz. — Vou ao cinema, como qualquer um. Adoro ver um filme novo. Eu sei que algumas pessoas que são tão famosas quanto eu não podem fazer isso, mas eu adoro ir ao cinema ou fazer compras, ir até a academia. As pessoas não me importunam. E, por outro lado, artisticamente eu tenho muita liberdade. O que é uma sorte. Então, a resposta é sim.
Mas, se Paul tenta levar uma vida normal, alguns aspectos da fama ainda o incomodam. E, como detentor de uma história musical riquíssima, ele ainda se preocupa em dar a sua versão dos fatos. Na balada “Early days”, por exemplo, ele deixa claro que fica incomodado quando as pessoas tomam por verdade histórias que não aconteceram.
— A canção é na maior parte feita de lembranças sobre John (Lennon) e eu. Sou eu me lembrando do nosso início, andando pelas ruas de Liverpool com violões nos ombros. E a canção diz “You can’t take it away from me” (você não pode tirar isso de mim). São minhas lembranças. Alguns jovens jornalistas às vezes dizem: “Isso foi assim”, e eu respondo: “Não, você não estava lá”. Há momentos em que isso se torna um problema, porque as pessoas distorcem a realidade — afirma. — Para mim, por exemplo, na época dos Beatles ou Wings, eu trabalhava com um grupo de pessoas, e nós éramos iguais. Não importava quem tinha feito algo ou de quem foi tal ideia. Às vezes, a gente nem lembra quem fez o quê. Isso não importa. Mas, quando chega ao estágio de fazer uma análise, e escritores precisam fazer isso, senão provavelmente não teriam sobre o que escrever, isso se complica. Por exemplo, em um dos livros que eu li dizia: “Paul fez essa canção em resposta a John na canção tal”. E eu pensei: “Eu não fiz! Apenas escrevi. Não tem nada a ver com John ou outra pessoa”. É disso que falo, às vezes a realidade é distorcida.
Tristeza como combustível
Outra revelação é a de que o sempre sorridente e otimista Paul McCartney também sabe usar a tristeza como combustível para sua inspiração:
— É bom ficar triste. Seria estúpido viver somente rindo. Quando você compõe, tristeza é sempre um bom elemento, mas também é bom poder rir e fazer piada sobre esses momentos. Às vezes, é preciso transformar dor em risada. Uma das coisas boas sobre os Beatles, Wings e sobre a minha banda atual é que nós rimos muito. Nós estamos rindo o tempo todo, mesmo quando passamos por algum momento difícil. Nem sempre as coisas são fáceis. É a condição humana.
“New” chega como um apanhado de tudo o que Paul já fez em sua carreira, já que é difícil ser totalmente novo para quem já gravou tantas coisas em tantos estilos. Em determinado momento, o músico — que, pela primeira vez, ontem, respondeu a perguntas de fãs via Twitter — parece ainda muito preocupado com o futuro e com o que ainda tem para produzir, e não apenas com o passado glorioso:
— Uso o passado e as emoções que senti frequentemente na minha música, mas não acho que seja o único. Acho que muita gente faz isso, e é bom. É claro que há canções das quais acabo me esquecendo, e aí fica perigoso a gente acabar se repetindo. Nessas horas, o jeito é confiar nos amigos e perguntar se algo lhes soa familiar. De vez em quando, um se vira para você e diz: “Adorei isso, mas você já usou na canção tal...”. Não tem como ser diferente.
Mas o passado não é o único alvo de Paul, assim como a aposentadoria não faz parte de seus planos. Com uma agenda que ainda inclui mais entrevistas, festas de audição das 12 faixas do disco e uma apresentação em um novo programa da BBC, o que esperar de Paul McCartney no futuro?
— Mais música! Eu tinha mais canções do que precisava para este álbum, e quando tiver tempo para revisitar algumas dessas músicas que eu não gravei, vamos ter uma outra safra de novas canções — prevê Paul, que deixa claro que está longe de dizer adeus aos palcos ou às gravações.

Créditos:
Entrevista feita para o Globo por Fernando de Oliveira.
(fonte:http://oglobo.globo.com/cultura/aos-71-anos-paul-mccartney-ressurge-modernizado-no-disco-new-10245296)

As músicas de "New":
1. Save Us
2. Alligator
3. On My Way To Work
4. Queenie Eye
5. Early Days
6. New
7. Appreciate
8. Everybody Out There
9. Hosanna
10. I Can Bet
11. Looking At Her
12. Road
13. Turned Out
14. Get Me Out Of Here

(Crédito http://diariodosbeatles.blogspot.com.br/2013/10/aos-71-anos-paul-mccartney-ressurge.html)




Paul Mc Cartney reconhece que não pode cantar para sempre

Cantor sabe que cansaço físico pode fazê-lo parar de se apresentar, ainda que se veja fazendo isso para sempre
Paul McCartney reconheceu que não pode cantar para sempre.

A lenda dos Beatles, de 71 anos, anteriormente já havia falado sobre seu desejo de continuar a trabalhar, mas sabe que pode chegar um momento em que será impossível realizar exaustivas turnês. Por conta disso, o músico planeja reavaliar sua vida após sua próxima série de shows.

Ele afirmou: "Vamos fazer um pequeno malabarismo com este álbum e a turnê. E quando eu sair disso vou dar uma olhada no cenário e se houver um abismo, talvez eu dê uma cambalhota.  Mas vou decidir quando chegar o momento".

"Se você perguntar qual a previsão de longo prazo, eu me vejo fazendo o que faço para sempre, mas, como um jogador de futebol, há um momento físico no qual você talvez não seja mais capaz de fazer".

Entretanto, Paul espera que esse momento nunca chegue, porque não gosta da ideia de não fazer nada com seus dias. 

Ele disse à revista NME: "Estou esperando ficar exausto, mas ainda não estou. Não estou criticando isso. Nem mesmo vou pensar nisso".

"Vejo pessoas que são mais jovens do que eu sentadas na frente da televisão todos os dias. Não estou certo de que essa seja a vida que eu quero para mim. Posso pensar em algo melhor do que isso".

Em entrevista recente, Paul afirmou que acredita que compôr músicas é como uma terapia.

O artista - que foi condecorado por seus serviços prestados à música - admitiu que alguns de seus sucessos, como 'Yesterday' e 'Calico Skies', foram escritos quando ele estava passando por um momento emotivo em sua vida porque as letras o permitiram libertar o 'demônio' de dentro dele.

Ele disse: "Acho que é tão bom quando você está em um período mais escuro, o bom é que [as músicas] são seu psicanalista, é sua terapia, e você sabe que temos muitas histórias - todo mundo que escreve, tem".

"Superar quando você está realmente triste por alguma coisa e colocar isso na sua música - você se liberta desse armário, e já pensa: 'me sinto melhor'. Você realmente exorciza o demônio. É um dos prazeres de escrever músicas".

(in http://entretenimento.surgiu.com.br/noticia/112797/paul-mc-cartney-reconhece-que-nao-pode-cantar-para-sempre.html)

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

DITADURA DO CONCEITO

Falar em ditadura e em conceito reserva a quem escreve o ônus da objetividade e da imparcialidade; coisa bastante difícil no caso deste artigo, onde me proponho a escrever justamente sobre uma questão subjetiva, a beleza; e seus conceitos, que também são subjetivos.

Caminhando distraidamente pelos centros da moda de São Paulo deparei-me, na tarde de ontem, com a manchete estampada em uma capa de revista: “Linda e magra”! A modelo realmente é bonita, tem coisas que é impossível negar; que seu conteúdo corporal não tinha recheios adequados a necessidade de compor uma estrutura sustentada por ossos, num equilíbrio que só a existência explica, também não tinha qualquer sombra de dúvidas. Mas, minha atenção foi ao mesmo tempo despertada pelo olhar e pela maldita palavra que os filósofos colocam no início da fila das suas indagações: “Por quê?”.

Por que linda e magra?

De que neurônio saiu à ideia de que para ser linda tem que ser magra?

Respirei fundo e deixei a indignação de lado; acalmei meus pensamentos e, imediatamente, peguei a caneta para escrever o título que esta ostentando este artigo: “Ditadura do Conceito”. Sim, porque é uma ditadura impor conceitos de beleza quando a própria beleza é um conceito e como conceito é subjetivo. Por que uma pessoa tem que ser magra para ser bela?

São esses conceitos que criam e multiplicam estereótipos bizarros, impostos à população como regra, através dos meios de comunicação e da mídia bem torneada. É também aformoseada por um bando efusivo de marqueteiros plantonistas que moldam o nada para que se torne alguma coisa.

É vero! Um nada se torna alguma coisa pelas mãos hábeis de quem conhece as fraquezas humanas.

Essa fraqueza é que torna uma maioria refém de uma minoria; acreditar num conceito imposto e deixar isso alastrar-se em sua vida é viver sob a égide de uma ditadura conceitual que servirá apenas para escravizar àqueles que nem timidamente se dão ao trabalho de exigir da razão uma resposta às ditaduras que lhes sufocam.

Linda e magra!

Por que não linda e gorda?

O conceito de magra e gorda é objetivo, qualquer um sabe quanto pesa, basta acessar uma balança. Entretanto 50 quilos na balança não significa beleza, é apenas o peso da massa corporal. Seu corpo pode ser belíssimo, mesmo com 70 ou 80 quilos; por que deveria pesar menos para ser belo?

Na verdade não é o peso que torna um corpo belo ou não; é o conceito de belo, imposto por uma ditadura conceitual que lhes empurram goela abaixo a ficção criada a partir de interesses comerciais associados a padrões criados por meia dúzia de espertalhões da moda.

O belo é subjetivo, assim como o feio. Dizer que a beleza esta associada aos conceitos e padrões criados através de uma ditadura da moda é querer tornar o ser humano escravo do conceito.

Todo ser humano é belo, assim como belos são os animais e toda a natureza. A beleza, mesmo que seja um conceito subjetivo, é expressa através da sua manifestação objetiva. Belo é aquilo que meus olhos se alegram em ver. E eu me alegro em ver um ser humano se manifestando existencialmente; eu me alegro em ver um animal como resultado da criação existencial; eu me alegro em poder olhar toda a natureza que me recebe em seus braços.

A beleza é mais espiritual do que corporal; o corpo apenas manifesta o interior e sua grandeza esta em possibilitar essa manifestação.

Se fosse para discutir subjetividades e padrões de beleza corporal, embora isso seja insignificante quando se tem a frente de si um ser humano, eu diria que existe beleza também nas pessoas que são taxadas de gordas pela ditadura do conceito.

Nulla ratione melius vivet!

terça-feira, 1 de outubro de 2013

ÉTICA

Muitas pessoas utilizam a palavra Ética querendo na verdade referir-se a questão Moral; moral é uma coisa, ética é outra. A ética, em contraposição as questões morais, não muda com o tempo. Se uma coisa é moralmente condenável num período da história, em outro pode não o ser. Isso não acontece com a Ética. Ser ético nos tempos de hoje vai exigir as mesmas condições que o foram no tempo de Sócrates.

Alguns autores convêm citar, para ancorarmos nosso raciocínio: Baruch de Spinoza, o teólogo judeu; Aristóteles, o estagirita grego; Sócrates, o filósofo do discurso interrogativo e que nada escreveu, deixando essa tarefa para seus discípulos, entre os quais Platão, que também abordou com maestria o tema, e tantos outros.

Nossa proposta é abordar algumas questões de ordem ética e não esgotar o tema. Este estudo não é completo, apenas abordagens sucintas, mas nem por isso perde sua importância.

Para ser ético, de modo geral, “inicie mantendo-se como um modelo de civilidade e eficiência; suas mãos não devem se sujar com erros e atos desagradáveis. Procure ser impecável em seu comportamento tendo sempre presente que o outro é você” (1).

Esta citação demonstra de modo radical (radical de raiz) que cada ser humano [i] deve se colocar no lugar do outro, para entender melhor a postura ética. Quando destaca: “o outro é você”, demonstra a necessidade da alteridade entre as pessoas, pois todos são iguais enquanto seres-humanos. A ética, portanto, dirige a ação do indivíduo para o bem; o contrário seria a maldade, e a maldade é resultado da ignorância, diz Sócrates e Platão. Porém, não basta apenas o conhecimento sobre o dever para que sejamos inclinados a cumpri-lo, é necessário, sim, que haja um esforço através de nossa vontade para poder subordinar a conduta ao dever.

É crível que o homem tem um senso moral inato e esse senso moral inato poderia levá-lo a praticar boas ações; mas, por outro lado, não se pode negar que estas boas ações só se estabelecem através do conhecimento de normas do dever que, assim, facilitaria o seu cumprimento.

“A Ciência Moral mostra, com clareza, os princípios que devem orientar nossa conduta e justifica, racionalmente, o dever que devemos cumprir, evitando que nossa ação seja dominada pelas reações instintivas, pelos impulsos da afetividade e pelos sofismas da paixão” (2).

Sócrates, o grande Filósofo Grego que pelo cumprimento das normas Éticas e devoção à sua Cidade, Atenas, preferiu a morte ao invés da possibilidade de fuga para o exílio, deu-nos mostras irrefutáveis da importância de mantermos uma conduta moral irrepreensível, pois isso nos torna, além de homens do bem, um ser que postula pela reta razão. A ciência Ética, que por alguns autores é denominada de a ciência Moral, no contexto segue, entretanto, o mesmo vértice, uma vez que tem suas responsabilidades no encaminhamento moral, sendo um complemento indispensável às demais ciências e, “quem sabe se todas as ciências, sem a ciência do bem, seriam mais nocivas do que úteis” (3).
Sócrates nos ensina que não pode existir no comportamento do homem ação que não seja precedida por uma norma ética e para tal devem existir os valores morais que estabelecem nossa conduta inserida na sociedade. O progresso da inteligência e da cultura seria supérfluo e até prejudicial, se não concorresse para melhorar o homem e encaminhá-lo à prática do bem.

Portanto, Ética, ou moral, como diz o Prof. Theobaldo Miranda, é o estudo da ação humana enquanto livre e pessoal. Sua finalidade é traçar normas à vontade da sua inclinação para o bem.

É bom observar que a conduta ética também exige a liberdade do homem e, entender que não poderia existir liberdade sem pressupor a responsabilidade. Quando falamos em Ética, então, estamos afirmando a liberdade e a responsabilidade humana.

Finalmente, tenhamos presente que três condições se apresentam como necessárias para o exercício da conduta ética: A razão, o livre arbítrio e a inclinação para o bem. A partir de então poderemos especificar funções para o cumprimento de normas éticas, a saber, de modo geral: A Ética no trabalho; a Ética nas questões Ecológicas; a Ética no Direito; Ética e Tecnologia; Ética e Família e assim por diante.

Vejamos um exemplo de texto antigo, belíssimo, em que Sófocles, em Antígona, exalta o homem e o trabalho mesclado com a dimensão ética a que, como norma, o homem cumpre:

“Existem inúmeras coisas maravilhosas na physis, porém nenhuma é tão maravilhosa quanto o homem”. Singrando os mares bravios, impelido pelos ventos meridianos, ele navega. Arrasta as vagas ingentes que rugem a seu redor. Gê, a suprema divindade que a todas supera desde a eternidade, o homem talha com suas charruas graças à força das mulas, revolvendo e fertilizando o chão, ano após ano.

“A tribo dos pássaros ligeiros, o homem a captura. Ele a domina. As hordas de animais selvagens e de visitantes das águas do mar, o homem prende nas malhas de suas redes. Amanhã, igualmente, tanto o animal do campo... o dócil cavalo... como o touro selvagem das campinas” (4).

Obvio que Sófocles está a se referir ao trabalho, em sua época; o trabalho do homem; o trabalho que dignifica e enobrece; o trabalho que deve ser exercido com retidão.

Quando o homem penetra a natureza e faz dela sua serva colocando-a a seu serviço, desvendando seus segredos e a subjugando, o faz para manter-se vivo e hígido, com vigor para suplantar as adversidades inerentes à vida; entretanto essa dominação da natureza pelo homem só terá valor se a inteligência humana tiver iluminação suficiente para observar que o veio da vida só poderá permanecer existindo conformidade entre o uso ético da natureza e a sua preservação, perpetuando assim a própria existência humana.

Se o homem agir iluminado pela sua inteligência certamente saberá que a profissão exige-lhe saber o significado da sua vocação e a consciência que somos diferentes; que na unidade existe a diversidade, portanto, cada ser labora conforme a sua aptidão. Sejamos fieis a nossa vocação e saibamos que cada homem tem a sua finalidade no mundo e a sua parcela de responsabilidade na sociedade; todos fazem parte de um mosaico que necessita da totalidade da participação, uníssona, para existir.

Assim, sabendo que somos apenas parcelas de um todo, o outro sempre nos será necessário e, esse outro, será tanto o ser humano quanto a natureza. Não poder dispensar essa parte do todo significa que a ação do homem sobre a natureza e a necessidade do outro se estabelecem com regras éticas rígidas e necessárias.

Dar-se conta de que a vocação de cada homem é de suma importância e necessária a todos os demais, faz-nos acreditar no valor do trabalho individual e da importância em gostar de tudo aquilo que se faz; da mesma forma ver e saber que aquilo que o outro faz também é de suma importância para nós; somente assim poderemos coexistir.


A importância de todas as profissões e sua relação com cada um de nós demonstra a necessidade do trabalho de todos, irmanados e direcionados ao bem. Cada homem é de suma importância ao mundo e cada homem é de suma importância para cada um de nós com o seu trabalho e o seu conhecimento. Entender isso significa compreender a necessidade de dar valor ao trabalho de todos e, assim, a dimensão ética estará presente nessa consideração.

[i] (1) Prof. Irapuan Teixeira, in Curso de PG em Direito na FADOM-MG.
(2) Prof. Theobaldo Miranda, in Curso de Filosofia no IEEG.
(3) Sócrates (469-399 a.C.) citado por Platão (427-347 a.C.).
(4) Sófocles (496-406 a.C.) em Antígona.

domingo, 29 de setembro de 2013

HOMENS DE HONRA; ONDE ANDARÃO?

Há vários anos venho republicando este texto em meus blogs; a intenção é o reencontro, saber por onde andam velhos companheiros de caserna, na esperança de retornar no tempo através da memória.

Em pé: Cb. Irapuan; Cb. Dario; Cb. Bittencourt; Cb. Azevedo; Cb. S. Gandon; 
Sgt. N. Gandon (hoje Capitão); Cb. Selmo (hoje Sgt) e, agachados: Cb. Brandolf; 
Cb. Dionísio (hoje Sgt) e Cb. Mative.

Uma viagem realizada neste mês, à Porto Alegre, possibilitou-nos um grande reencontro com velhos companheiros do 18º R.I., na praia de Albatroz, que teve como anfitrião o velho e querido Cb. Dario. Lá estavam Cb. Bittencourt, Cb. Mative, Cb. Azevedo, Cb. Brandolf. Cb. Dario, Cb. Sidnei Gandon, Cb. Selmo (hoje Sgt reformado), Cb. Irapuan, Cb Dionísio (hoje Sgt reformado) e Sgt Nelson Gandon (hoje Capitão reformado). 


Já programamos outras festividades e esperamos o comparecimento de mais companheiros que um dia vestiram a farda verde oliva.


A lembrança é o repositório da história, a história existencial e a história de cada ser que transita neste mundo.

Os reencontros vêm acontecendo e eu agradeço muito àqueles que nos informam sobre um ou outro dos velhos companheiros da vida militar pois assim nossa história cria vida.


Foi dessa forma, através de informações, que encontrei o filho do Cb. Adão Renato e pude saber que o velho companheiro do 9º R.C.B., de São Gabriel, para onde fui transferido, dando continuidade a minha vida militar, se encontra hoje em João Pessoa, já reformado, como sargento. Também, através da internet, comunicar-me com o irmão do Cb Dias e 
poder escrever-lhe, são acontecimentos de rara felicidade que nos remete ao passado trazendo alegria.



Juntamente com boas notícias, algumas tristezas; infelizmente o soldado Martins, nosso companheiro de Pelotar do 18º R.I., que chegou ao posto de Capitão, partiu de forma inesperada e abrupta. Mas, assim é nossa existência; caminhamos...

Cbs. Dario, Irapuan e Selmo.
Reencontrar os Cbs. Dario, Gandon e Selmo, hoje reformado como sargento, infantes dos bons tempos, foi de uma alegria ímpar. Saber que o Cb. Dionísio, também reformado como sargento, é um ermitão da praia e motociclista do asfalto; que o Cb. Mative é cantor nativista; que o Cb. Bittencourt é um empresário de sucesso em Torres; que o Cb Brandolf continua sendo um grande Mestre do Karatê; que o Cb. Azevedo trilhou o caminho da comunicação, alegrou-nos muitíssimo.

Foi um tempo de vida, vivido na Caserna, entre o 1º/18º RI, QG da 6ª DI, 11ª Cia Com e o 9º RCB; de 1968 a 1973, e que permanecerá alimentando nossa memória.

Mas, insisto, onde andarão os velhos companheiros de Caserna?


Cb. Dias; Cb. Rondon; Cb. Carlos; Cb. Adão Renato (Adão Renato Pons do Couto); Cb. Jacobsen; Cb. Maciel (Antonio Carlos Souto Maciel); Cb. Dario (Dario da Silva Silveira); Cb. Gandon (Sidnei Gandon); Cb. Carvalho; Cb. Gomes; Cb. Brandolf; Cb. Azevedo; Sd. Getúlio; Sgt. Odracir; Sgt. Lima; Sgt. Flávio; Sgt. Lydio; Sgt Salinhac; Ten. Adel; Ten. Porciúncula; Ten. Correia Lima; Ten. Messias; Ten. Sparta; Cap. Cordeiro (Fernando Vilhena Cordeiro); Cap. Caggiano (João Francisco Caggiano Neto); Ten. Estrázulas; Ten. Clézio; Major Índio; Cel. Magalhães; Cel. Sharnadoff (Harry Alberto Sharnadoff); Ten Cel. Ney (Ney Lauro Nunes de Carvalho); Cel. Jacobina (Alberto Bayard Pereira Jacobina); Cap. Brocardo (Odone Silvio Viero Brocardo); Major Léo; Major Salgado; Cap. Assis; Ten. Carvalho; Ten. Marloi; Ten. Bittencourt; Ten. Amodeo (Salvador Amodeo); Ten. Fernando; Ten. Cavalinho; Sgt. Adailton; Sgt. Calvi; Sgt. Odone; Sgt. Valério; Sgt. Salgado; Ten. Marder; Cb. Valmor; Sd. Aquiles (Aquiles Eder); Sd. Gayer (Omar Gayer); Ten. Vicente (João Vicente Vitola); Ten. Guedes; Cap. Del’Olmo (Florisbal Del'Olmo); Ten. Macy; Cb. Cambraia; Cb. Portela; Cb. Tavares; Ten.Cabecita; Cb. Rudenir (Rudenir Meireles Cunha - Rudy Meireles); Cb. Mative (Otacílio Mative); Ten. Amorim (Rui Amorim de Lima); Ten. Byron (Paulo Byron de Oliveira Soares Filho); Cb. Teixeira; Cb. Bombardeli; Cb. Martins; Cb. Bittencourt; Sd. Osório; Sd. Nélio; Cb. Santa Maria; Sgt. Gandon (Nelson Gandon); Sgt. Cícero; Gen. Borges Fortes (Breno Borges Fortes); Gen. Mourão; Gen. Mena Barreto; Sd. Tolentino; Sd. Edgar; Sd. Pereira; Sd. Laudelino; Cb. Claudiomar; Cb. Beltrão; Cb. Valiatti; Ten. Cesar; Ten. Sávio; Ten. Élcio e os alunos da 11ª Cia. Com. CFC 1969, Cb. Bonemar, Elso, Silveira; Sds. Leonardo, Tolfo, Siega, Costa, Bittencourt, Prates, Assis e tantos outros que as imagens são presentes, mas os nomes se perderam pelo acúmulo de informações em nossa memória.


Claro que, à distância, eu soube das promoções; das reformas; de algumas mudanças de carreira, assim como, inevitavelmente, de alguns que já se despediram da vida; mas o trânsito no mundo exige-nos o caminhar constante.

Cada um daqueles que um dia se encontraram tem o seu mundo e o faz a cada instante, pois a existência é feita também da materialidade, com suas competições e a permanente busca por ascensão social; por esta razão meus feitos não ficaram estagnados, mas, infelizmente, distanciaram-me de muitos daqueles com quem um dia convivi.

Os nomes fazem parte da lembrança que celebramos durante um instante do tempo existencial e nos apontam o significado de Ser com o Outro. Essa identidade materializa a memória e a faz viva em nova perspectiva revivendo o passado cristalizado no tempo.

Seriam necessárias várias páginas para ser fiel a todos os que participaram e ainda participam da vida de alguém; no meu caso eu deveria acrescentar colegas de profissões, como os professores; colegas de atividades, como os de parlamento; colegas das universidades e faculdades e os amigos; estes poucos, muito poucos. Mas pensei que os meus 18 anos seria um marco referencial e por isso enumerei os companheiros da caserna, de um instante de tempo que somou mais de cinco anos. Propositalmente os nomes não estão em ordem de hierarquia e muito menos divididos por unidade militar, pois todos eles de um tempo e outro, com divisas, sem divisas ou com estrelas gemadas ou não, foram seres humanos de um interregno do meu tempo existencial.

Onde andarão?


sexta-feira, 27 de setembro de 2013

MÁGOA

A mágoa talvez seja inimiga da reconciliação. Pessoas que um dia estiveram juntas e, por divergências existenciais, daquelas em que o foco da vida é visto através de ângulos diferentes, podem cultivar resíduos sentimentais que chegam a cegar o olhar, criando uma nuvem que ofusca até mesmo a visão do bem comum.

O fato de estar em desacordo sentimental, entre os pares, não deveria significar que as arestas não resolvidas continuassem a interagir entre ambos ao ponto de gerar conflitos em terceiros.

É o caso de pais que resolveram por decisão própria, ou por acidente de percurso, gerar um filho e, depois, concluíram que seus caminhos nunca foram trilhados pela mesma estrada.

Quando, um e outro, agora no seu percurso próprio, continuar com a nuvem escura frente à fonte das suas interpretações, seja ela de cunho social, da vida pragmática; seja ela de cunho existencial, da existência vivida, nunca descortinará a possibilidades de, ele próprio, ser feliz, pois a magoa impossibilitará toda forma de um viver pleno de satisfações.

Pior do que tudo isso  é levar, de roldão, àquele que, em sua vida espiritual, o escolheu para possibilitar-lhe a vida terrena.

Olhar para dentro de si e colher o fruto da bondade, compreensão e do amor incondicional é tarefa imediata que toda e qualquer pessoa nessa situação deveria se propor.

É importante colocar-se em alteridade; eu sou eu e o outro é como eu. Eu sou sujeito e o outro é, também, sujeito. Não existe objeto nessa relação, embora quase que a totalidade dos seres-humanos continuem agido como se assim fosse.

Ab imo pectore!

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

SEMANA FARROUPILHA


A Semana Farroupilha foi aberta oficialmente no sábado, dia 7, no Parque Farroupilha em Porto Alegre e se estende até o dia 20, "Dia do Gaúcho".

Representantes do Movimento Tradicionalista Gaúcho fundiram a Chama Crioula, símbolo da festa mais gaúcha do Rio Grande do Sul, à Pira da Pátria. 

A cavalo, o grupo seguiu até o Acampamento Farroupilha, no Parque Mauricio Sirotsky Sobrinho, dando início aos festejos a partir das 18h. (Fonte: G1).


quarta-feira, 11 de setembro de 2013

VERGONHA!




Sinto vergonha de mim, por ter sido educador de parte deste povo, por ter batalhado sempre pela justiça, por compactuar com a honestidade, por primar pela verdade, e por ver este povo já chamado varonil, enveredar pelo caminho da desonra.

Sinto vergonha de mim, por ter feito parte de uma era que lutou pela democracia, pela liberdade de ser e ter que entregar aos meus filhos, simples e abominavelmente a derrota das virtudes pelos vícios, a ausência da sensatez no julgamento da verdade, a negligência com a família, célula-mater da sociedade, a demasiada preocupação com o ‘eu’ feliz a qualquer custo, buscando a tal ‘felicidade’ em caminhos eivados de desrespeito para com o seu próximo.

Tenho vergonha de mim pela passividade em ouvir, sem despejar meu verbo a tantas desculpas ditadas pelo orgulho e vaidade, a tanta falta de humildade para reconhecer um erro cometido, a tantos ‘floreios’ para justificar atos criminosos, a tanta relutância em esquecer a antiga posição de sempre ‘contestar’, voltar atrás e mudar o futuro.

Tenho vergonha de mim, pois faço parte de um povo que não reconheço, enveredando por caminhos que não quero percorrer…



Tenho vergonha da minha impotência, da minha falta de garra, das minhas desilusões e do meu cansaço. Não tenho para onde ir, pois amo este meu chão, vibro ao ouvir o meu Hino e jamais usei a minha Bandeira para enxugar o meu suor, ou enrolar o meu corpo na pecaminosa manifestação de nacionalidade.

Ao lado da vergonha de mim, tenho tanta pena de ti, povo deste mundo!

‘De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude. A rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto’.

Rui Barbosa.




segunda-feira, 9 de setembro de 2013

ONDE ANDARÃO?

Há vários anos venho republicando este texto em meus blogs; a intenção é o reencontro, saber por andam andam velhos companheiros de caserna, na esperança de retornar no tempo através da memória.


Dario, Irapuan, Selmo
Os comentários abaixo mostram que a lembrança é o repositório da história, a história existencial e a história de cada ser que transita neste mundo.

A felicidade é que o reencontro vem acontecendo e eu agradeço muito àqueles que nos informam sobre um ou outro dos velhos companheiros da vida militar. 

Foi assim que encontrei o filho do Cb. Adão Renato e pude saber que o velho companheiro da vida militar se encontra em João Pessoa, já reformado, como sargento, Assim também foi que recebi notícias boas e, outras, não tão boas assim. 

Saber que o soldado Martins, do Pelotar do 18º R.I. chegou ao posto de capitão foi alegria; saber da sua partida inesperada e abrupta uma grande tristeza. Mas, assim é nosso tempo histórico; caminhamos...

Receber notícias do Cb. Dias e poder escrever-lhe; reencontrar os Cbs. Dario, Gandon e Selmo, hoje reformado como sargento, infantes dos bons tempos, foi de uma alegria ímpar. Saber que o Cb. Dionísio, também reformado como sargento, é um ermitão da praia e motociclista do asfalto da-nos alegria.

Foi um tempo de vida, vivido na Caserna, entre o 1º/18º RI, QG da 6ª DI, 11ª Cia Com e o 9º RCB; de 1968 a 1973, e que permanecerá alimentando nossa memória.

Mas, insisto, onde andarão os velhos companheiros de Caserna?

Uma viagem programada para este mês vai nos possibilitar mais alguns reencontros e estamos alegres por essa possibilidade.

C'est la vie!

Onde andarão...

Cb. Dias; Cb. Rondon; Cb. Carlos; Cb. Adão Renato (Adão Renato Pons do Couto); Cb. Jacobsen; Cb. Maciel (Antonio Carlos Souto Maciel); Cb. Dario; Cb. Gandon; Cb. Carvalho; Sgt. Odracir; Sgt. Lima; Sgt. Flávio; Ten. Adel; Ten. Porciúncula; Ten. Correia Lima; Ten. Messias; Ten. Sparta; Cap. Cordeiro; Cap. Caggiano; Ten. Estrázulas; Ten. Clézio; Major Índio; Cel. Magalhães; Cel. Sharnadoff (Harry Sharnadoff); Ten Cel. Ney (Ney Lauro Nunes de Carvalho); Cel. Jacobina (Alberto Bayard Pereira Jacobina); Cap. Brocardo (Odone Silvio Viero Brocardo); Major Léo; Major Salgado; Cap. Assis; Ten. Carvalho; Ten. Marloi; Ten. Bittencourt; Ten. Amodeo; Ten. Fernando; Ten. Cavalinho; Sgt. Adailton; Sgt. Calvi; Sgt. Odone; Sgt. Valério; Sgt. Salgado; Ten. Marder; Cb. Valmor; Sd. Aquiles (Aquiles Eder); Sd. Gayer (Omar Gayer); Ten. Vicente (João Vicente Vitola); Ten. Guedes; Cap. Del’Olmo (Florisbal Del'Olmo); Ten. Macy; Cb. Cambraia; Cb. Portela; Cb. Tavares; Ten.Cabecita; Cb. Rudenir (Rudenir Meireles Cunha - Rudy Meireles); Ten. Amorim; Ten. Byron (Paulo Byron de Oliveira Soares Filho); Cb. Teixeira; Cb. Bombardeli; Cb. Martins; Cb. Bittencourt; Sd. Osório; Sd. Nélio; Cb. Santa Maria; Sgt. Gandon; Sgt. Cícero; Gen. Borges Fortes (Breno Borges Fortes); Gen. Mourão; Gen. Mena Barreto; Sd. Tolentino; Ten. Cesar; Ten. Sávio; Ten. Élcio e os alunos da 11ª Cia. Com. CFC 1969 Cb. Bonemar, Elso, Silveira; Sds. Leonardo, Tolfo, Siega, Costa, Bittencourt, Prates, Assis e tantos outros que as imagens são presentes, mas os nomes se perderam pelo acúmulo de informações em nossa memória?

Claro que à distância eu soube das promoções; das reformas; de algumas mudanças de carreira, assim como, inevitavelmente, de alguns que já se despediram da vida; mas o trânsito no mundo exige-nos o caminhar constante.

Cada um daqueles que um dia se encontraram tem o seu mundo e o faz a cada instante, pois a existência é feita também da materialidade, com suas competições e a permanente busca por ascensão social; por esta razão meus feitos não ficaram estagnados, mas distanciaram-me de muitos daqueles com quem um dia convivi.

Os nomes fazem parte da lembrança que celebramos durante um instante do tempo existencial e nos apontam o significado de Ser com o Outro. Essa identidade materializa a memória e a faz viva em nova perspectiva revivendo o passado cristalizado no tempo.


Seriam necessárias várias páginas para ser fiel a todos os que participaram e ainda participam da vida de alguém; no meu caso eu deveria acrescentar colegas de profissões, como os professores; colegas de atividades, como os de parlamento; colegas das universidades e faculdades e os amigos; estes poucos, muito poucos. Mas pensei que os meus 18 anos seria um marco referencial e por isso enumerei os companheiros da caserna, de um instante de tempo que somou mais de cinco anos. Propositalmente os nomes não estão em ordem de hierarquia e muito menos divididos por unidade militar, pois todos eles de um tempo e outro, com divisas, sem divisas ou com estrelas gemadas ou não foram seres humanos de um interregno do meu tempo existencial.

Priscila Mondschein disse...
Às vezes eu também me pergunto por onde andam algumas pessoas que já passaram pela minha vida, e fico esperando que outras voltem, que nossos caminhos se cruzem novamente. São tantas vidas, tantos caminhos, que não há como planejar, o jeito é esperar... se tiverem que voltar, elas voltam!

Beijo!
JOVV disse...
Caro Prof. não fomos colegas no 18, pois a minha turma é de 71. Daí que conheci muitos dos elencados aqui, mas não todos. Creio que nos conhecemos somente na ULBRA,onde lecionei Direito Notarial para as primeiras turmas, no tempo do Prof. Schoroeder. Acho que o senhor também lecionou lá na época. Voltando ao 18 estive em Sapucaia nas comemorações dos 100 anos do Batalhão Arranca Toco. E, outro dia jantei com o seu comandante atual e com Cel. que comandou o batalhão, estando presentes outros que também passaram por lá. Um grande abraço de infante JOSÈ OSNIR - jovaz@portoweb.com.br ou A VERSÃO DO ESCORPIÃO
Prof. Irapuan Teixeira disse...
Prezado José Osnir, bom tê-lo aqui no Blog. Fico alegre ao saber dos tempos de outrora, nos doces 18 anos de vida; no velho Arranca Toco. Assim como, também, guardo lembranças da ULBRA, menos doces, pois os tempos mudam. Lembro do Prof. Schoroeder e de muitos outros colegas daquela universidade. Espero um dia conversarmos pessoalmente para revivermos tempos de outrora. Abraços.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

VOU INVADIR TUA CASA!

Duas análises importantes, de reflexão necessária e urgente, se faz neste momento histórico. 

Primeiro analisarmos a forma como os Estados Unidos invadem países que dizem, os norte-americanos, estão descumprindo acordos internacionais, seja em função da produção de armas químicas, desenvolvimento da bomba atômica ou com relação aos propalados direitos humanos.


Não é novidade que os Estados Unidos sempre está na dianteira para comandar essas invasões e que, sempre ele, não permite qualquer vistoria em seu território sobre seu arsenal de guerra ou sobre violação de direitos. Por que será?

É também de domínio público que àquele país, tido como o mais democrático e, certamente, o mais preparado para uma guerra, não esconde de ninguém que independente de qualquer acordo, eles, os Estados Unidos, bisbilhotam a vida dos seus cidadãos e a vida de qualquer cidadão em qualquer parte do mundo; assim como invadem o território nacional de qualquer país, amigo ou inimigo, através dos meios tecnológicos mais avançados da história bélica. 

Os Estados Unidos podem ter arsenal químico, bomba atômica, arsenal de guerra biológica; descumprir acordos internacionais; violentar a vida do cidadão norte-americano e desconhecer qualquer tentativa de reivindicar direitos humanos sem que, ninguém, ninguém em qualquer parte do mundo, possa falar qualquer coisa. E, arrisque-se a falar!

Portanto, toda a boataria e a falação feita através da internet ou através de falastrões de países de terceiro mundo é mera perda de tempo!

Perdemos tempo divagando contra uma nação que tem poder para destruir qualquer outra, somente não o faz por conveniência própria; e quando lhe é conveniente, faz! E faz com apoio de seus asseclas, que a ele se curvam a todo instante, sejam da América, sejam da Europa; e mesmo àqueles da Ásia, que se dizem rivais, são-lhes servis quando conveniente ou quando vêem que poderão ser superados e que a escaramuça lhes trará mais prejuízos do que ganhos.

É o caso da Rússia! Hora se exalta com medidas tomadas pelos norte-americanos; hora se acovarda perante uma ação mais enérgica dos governantes do "tio sam".

Hu Jintao Xi - Presidente da China
Não foi divulgada qualquer notícia que nos apresente uma voz dissonante de parte da China; Hu Jintao Xi, o presidente daquele país, mantem a calma frente aos Estados Unidos e, parece, não quer belicosidades, mesmo observando o comportamento imperialista dos norte-americanos e as invasões recentes feitas em países com poder bélico irrisório e por conta de informações desastrosamente mentirosas e premeditadas, justamente para que se desse a invasão.

Entretanto, a quietude chinesa tem um motivo: melhor se preparar para a guerra do que anunciar seu poderio ao inimigo! Ou seja, são como mineiros; na quietude trabalham.

Para alargar o conhecimento e dispor de informação precisa, saibamos que, a China, recentemente, no ano de 2012, já colocou em águas salgadas seu primeiro porta aviões, o que pode ser conferido no site News China neste link >: (http://www.bbc.co.uk/news/world-asia-china-19710040.) 

Novo porta aviões Chinês
Esse fato, ou feito, somam-se à uma ordem dada aos militares chineses por ninguém mais do que Hu Jintao Xi, o seu presidente, que exortou sua marinha: "acelerar a sua transformação e modernização de uma forma vigorosa e fazer preparativos extensos para o combate militar com a finalidade de fazer contribuições maiores para garantir a segurança nacional". Traduzindo em miúdos: Preparem-se para a guerra!


A possibilidade de uma guerra, que se estenda à todo o mundo, certamente sera desencadeada a partir do Oriente Médio (o que não é novidade) para o Pacífico, e ao longo de diferentes regiões e zonas.

Pois,  à quem interessar possa, e a quem de direito, seguindo um raciocínio histórico e a partir das observações irrefutáveis que se tem feito, não é de estranhar acontecimentos como a guerra do Iraque e a invasão ao Afeganistão. 

A morte de Osama Bin Ladem, numa clara invasão da soberania nacional de outro país; a morte de Sadam Hussein, numa Guerra covarde e premeditada e a de Muhamar Kadafi, em outra das tantas armações norte-americanas demonstram o quanto àquele país tem poder além das suas fronteiras e a qualquer momento faz o que achar que tem que ser feito para preservar sua segurança e manter sigilo sobre sua ações nada democráticas, que extrapolam inclusive as fronteiras sob sua jurisdição, invadindo e massacrando qualquer país, governante ou líder que queira tolher seus movimentos. Não é de se admirar que todas as três mortes relatadas são de ex-integrantes, ou ex-agentes, da Cia norte-americana.

Nada fica preso na garganta de um presidente norte-americano; seja ele o inexpressivo George W. Bush, o vistoso Bill Clinton ou o negro, também vistoso, Barack Obama.

Esse sucesso bélico contra o mundo inteiro, feito de forma sorrateira e utilizando-se de meios covardes e sem qualquer ética, aponta-nos o caminho por onde transita a traição e a mentira com vistas à soberania mundial e o domínio de todas as nações por um único povo. O plano esta se concretizando e a perpetuação de uma mágoa forjada e sem dados científicos com embasamento lógico demonstra o quanto o ardil foi bem planejado desde o seu primeiro momento. E os Estados Unidos tem sido o guardião e, o inocente útil, para esse controle sobre o mundo.

A segunda análise que se faz urgente, é como essas invasões são forjadas, através do poderia bélico, e se legitimam com a força do marketing e o auxílio da mídia, muitas dominadas e, outras, repetidoras ingênuas das mentiras programadas.

Comecemos por uma frase que se alastrou pelo mundo de forma anônima, mas que sempre foi uma verdade irrefutável: "Uma mentira repetida mil vezes torna-se uma verdade" (Autor: Goebells, sem comentários).

Operação Osama Bin Laden - Hylary Clinton e a expressão de culpa
A mentira sobre armas nucleares no Iraque foi tão verdadeira que o mundo todo comemorou a morte de Saddam Hussein. A mentira sobre a derrubada das torres gêmeas foi tão bem engendrada que Osama Bin Laden só teve o pesar estampado no rosto de  Hilary Clinton, então Secretária de Estado norte-americana.

A culpa estampada no rosto da mulher mais poderosa do mundo depois do presidente Barack Obama nos faz voltar no tempo e pensar a respeito da mentira engendrada pelo ex-presidente George W. Bush e seus ministros sobre o ataque às torres gêmeas.

Os Estados Unidos já vociferou a plenos pulmões à quem quiser ouvir: "Botas no terreno!". Que os surdos fiquem de sobre-aviso uma vez que tampouco com eles os norte-americanos estão se importando. As botas estarão no terreno da casa alheia, novamente, em pouco tempo, e, se não ficarmos atentos, em breve dentro da nossa própria casa. Se é que teremos a possibilidade de evitar que isso aconteça.

À quem interessar possa, e saiba ler nas entrelinhas, a notícia sobre 'botas no terreno" e seu desmentido, soa como alguma coisa à mais, senão leiamos, com mais atenção, essa notícia publicada em Washington, pela Reuters, e que está nos sites de todo o mundo: (http://noticias.br.msn.com/kerry-sinaliza-possibilidade-de-enviar-tropas-%C3%A0-s%C3%ADria-mas-depois-recua

Botas no terreno! 

Vou invadir tua casa!

E já começaram!

A motivação para acabar com o Iraque teve como desculpa as "armas de destruição maciça", forma genérica para denominar "desculpa para invadir país alheio", e acabar com o ex-aliado Saddam Hussein. 
Sérgio Vieira de Mello
Faço aqui um preambulo para homenagear um brasileiro, pois àquela guerra custou-lhe a vida: Sérgio Vieira de Mello, um grande brasileiro, homem de experiência em sua profissão, dedicado, profissional de altíssima capacidade e responsável pelos acordos de paz entre nações sempre que fora solicitado pela ONU a faze-los. Meu colega de escolha profissional, uma vez que estudou filosofia, se graduando, cursando com êxito o Mestrado e o Doutorado, obtendo essa última titulação na Universidade de Paris I - no Panthéon-Sorbonne, onde caminhei, talvez, pelos mesmos espaços em que ele exaustivamente transitou fazendo seus planejamentos acadêmicos. Sérgio faleceu em Bagdá, por conta da explosão de um caminhão bomba, até hoje uma situação não esclarecida e que os norte-americanos insistem na responsabilidade da rede Al Qaeda, o que por si só já gera dúvidas. Existem vários depoimentos que afirmam que o atentado foi dirigido com a finalidade de eliminar o brasileiro. Certamente ele seria o sucessor na Secretaria Geral da ONU, dando muito dor de cabeça aos interessados na belicosidade e em desfavor da paz. 

Falecido em 19 de agosto de 2003, no Iraque, as manifestações de pesar continuaram por muitos dias nas casas legislativas do país. Quando assomei à Tribuna do Congresso Nacional, em 22 de agosto, ao final do meu discurso no expediente daquela manhã, também lamentei a morte do Embaixador brasileiro: 

"Sr. Presidente, ao lamentar a morte do Embaixador Sérgio Vieira de Mello no Iraque, lembro aos Parlamentares e à sociedade que isso ocorre há muito tempo, desde a época em que um brasileiro, pracinha de Suez, foi morto defendendo a paz. Não podemos compactuar com isso. Quero me unir aos Parlamentares que lamentam a morte do Embaixador brasileiro."(http://www.camara.leg.br/internet/SitaqWeb/TextoHTML.asp?etapa=5&nuSessao=151.1.52.O&nuQuarto=7&nuOrador=1&nuInsercao=0&dtHorarioQuarto=09:12&sgFaseSessao=PE&Data=22/08/2003&txApelido=PROFESSOR%20IRAPUAN%20TEIXEIRA,%20PRONA-SP

Assim como invadiram o Iraque, à sorrelfa, os norte-americanos, leia-se: seus governantes, criam disfarces de cordeiro para esconderem as intenções de lobo que movem suas ações.

Sem adentar-me aos mais baixos meios já utilizados para anular um "inimigo", como o fizeram, também, na Líbia, ao massacrarem o povo duas vezes com a desculpa de eliminar um "inimigo do mundo", o General  Muammar Abu Minyar al-Gaddafi, apresento um dado relevante que talvez tenha sido um dos motivos pelos quais os norte-americanos o capturassem e o levassem à morte através dos meios mais vis, dissimulando e ocultando a verdadeira identidade dos assassinos: eles mesmo. 

Durante o governo de al-Gaddafi, ou Kadafi, a Líbia teve um forte crescimento econômico, mesmo tendo sido abalada por sanções econômicas impostas pelo ocidente; as enormes rendas do petróleo deu àquele governante a possibilidade de sustentar vários programas sociais, levando a Líbia ao maior índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do continente africano; aumentou a participação das mulheres na vida pública e deu mais direitos aos negros. Durante o governo de Kadafi a Líbia teve a menor dívida pública do mundo.

Tinha que ser eliminado!

Voltemos nossa atenção, agora, para diante de nossos narizes e façamos um esforço com nossos neurônios analisando certos acontecimentos sem impormos a condição emocional e sim, apenas, nossa reacionalidade.

O poderia bélico dos Estado Unidos é indiscutível, e inatacável. Nada os demove de uma ideia, quando se trata de atacar outro país e os aniquilar. Como desculpa cria situações que possam justificar a atitude belicosa. Seja àquela em que imputa aos países julgados como inimigo a chancela de serem terroristas, possuírem armas químicas e de extermínio em massa; seja àquela em que interveem para promover a paz e defender os direitos humanos que, por suposição deles próprios, e através de infiltrações que eles mesmos criam, justifiquem a sanção ou intervenção.

Foi assim com o Iraque; com a Líbia; com a tentativa de invadir o Iran que, cautelosamente, foi adiada e assim está sendo com a Síria.

Começou com a denominação dos acontecimentos internos daquele país. Primeiro uma revolta, depois uma revolução. Recentemente apelidaram de conflito interno. Mas o que importa é que tudo isso começou com uma série de grandes protestos populares e progrediu para uma revolta armada, influenciados por outros protestos disseminados, simultaneamente, pelo mundo árabe.

A mídia encarregou-se de alardear que as manifestações populares eram por mudanças políticas, desencadeadas de uma forma "sem precedentes"; ao mesmo tempo uma outra ala apressou-se em informar que lutam para destituir o presidente em prol de uma liderança democrática. O governo detecta o foco e informa que combate a terroristas armados infiltrados e que visam desestabilizar o país.

Fico com a versão do governo Sírio, embora não compactue com qualquer ato impositivo contra o povo de uma nação. Em se comprovando tal atitude é justa a luta de um povo. 

Mas, tenhamos cautela, aos incautos uma guilhotina bem afiada servirá para lhes tolher a vida. Não só governantes do próprio país querem nossas cabeças. Elas estão a prêmio desde que satisfaça aos interesses do expansionismo econômico, social, ideológico, territorial, de matéria prima não renováveis, como o petróleo e florestas nativas, e demais matérias primas de subsolo, que o Brasil tem para "dar" e vender, mas que já estão nos roubando.

Assim, concluindo este raciocínio em duas pequenas análises, o foco do expansionismo extra-territorial daqueles que se têm como donos do mundo chegou ao Brasil.

Nossas florestas são cobiçadas desde há muito tempo; ainda conservamos a possibilidade da existência de petróleo dentro das 200 milhas de nosso mar territorial; o sub solo brasileiro é o mais rico do mundo, embora esteja sendo roubado desavergonhadamente com a tolerância do próprio governo de nosso país que, sem qualquer sombra de dúvida, tem seu quinhão pessoal em tudo isso. Nossos políticos são os mais vendáveis do planeta e nosso povo insiste em tê-los como seus representantes. Ainda somos analfabetos politicamente, pois insistimos em trocar mandatos por benesses; acreditamos piamente que levar "vantagem em tudo" é jeitinho brasileiro e que essa ação é lícita; chamamos nossos representantes de ladrões mas aceitamos cargos deles mesmos e ainda compactuamos com os roubos desde que tenhamos um quinhão; vamos às ruas protestar sem saber o que reivindicamos; atuamos como inocentes úteis e teimamos em acreditar nas redes sociais que nos instigam sem justificativas plausíveis. Atentamos contra a pátria e o nacionalismo instigados pelos inimigos do país e acreditamos estar defendendo nossos interesses. Aceitamos vândalos como intermediários de nossos interesses, como se a destruição do patrimônio público fosse sinônimo de reivindicações. Em breve estaremos aceitamos lideranças externas, que se proporão a derrubar o governo em prol da liberdade do povo; a reação do poder instituído não será outra: o confronto. Isso significará um acinte à nossa liberdade de expressão e o caos estará instalado.

É bom pensar; pensar muito antes de agir ou de delegar seu poder àqueles que se apresentam como líderes em defesa dos seus direitos.

Em breve poderão invadir tua casa!