Constantemente ouço alguém comentar que tem medo da morte; senhoras principalmente, em conversas de portão, desprovidas de censura confessam à ouvinte o medo escondido no fundo d'alma. Não cheguei a esgueirar-me, forçando o ouvido, para escutar os homens, tidos como fortes, mas certamente, eles deverão também manifestar o medo inconfesso à seus travesseiros. Não existe homem ou mulher que não tenha lá seu medo inconfesso, e a morte tinge a imaginação humana com fantasias de foice pronta à esfacelar a vida.
Thánatos personificou a morte com seu coração de ferro e as entranhas de bronze e está sempre pronto para pegar a alma do moribundo.
Quisera eu poder enganar a Thánatos, como o fez Sísifo, mesmo que depois tivesse que ajustar contas com Hades e com Ares. Um segundo a mais seria o suficiente, esse poder de Sísifo posto em mim, para que pudesse novamente dizer "eu te amo" àqueles que já se despediram da vida.
À Juraci, mãe;
À Darcy, pai;
À Iraci, irmã.
In memorium.