quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

AMOR: Uma Via de Duas Mãos.

Você jura que é amor e passará a vida inteira sentindo paixões; somente ao final do trânsito existencial saberá discernir, e separar, o joio do trigo.

A descoberta acarretará o arrependimento desnecessário, e a exclamação sem sentido, de que poderia ter vivido diferente ou que faria tudo de outra forma.

Viver é como velejar no mar; haverá dias de calmaria e dias de tempestade mas nada será igual de um dia para o outro e tampouco haverá acontecimentos definitivos pois tudo passa!

As paixões serão, e são, transitórias; o tempo, silente, o senhor da razão. Viver é deixar acontecer fazendo o mundo e se fazendo no mundo; saber da liberdade de ser no mundo para não existir como produto ou objeto que apenas está no mundo por acaso ou complacência.

Essa transitoriedade humana, contemplada pelo tempo, faz com que tenhamos a responsabilidade para o nosso tempo, permitindo-nos existir eticamente na liberdade inalienável de Ser. Sem ética não é possível uma vida plena pois tolheremos e seremos tolhidos da liberdade existencial. Sem Amor a liberdade existencial se torna vazia e desprovida da sentimento, acarretando-lhe um descompromisso com a vida.

Amor é pois não só um sentimento que se pode vestir e se despir; amor é a responsabilidade de ser com o outro, num casamento indissolúvel de ética, moral, compromisso, doação, liberdade e alteridade; vinculando-se com toda a existência humana.

Amar é pois... Ser com o outro e não apenas estar; é colocar-se no outro e sentir o outro como Ser. É a mais linda e divina das relações humanas pois não existirá objeto, apenas sujeitos. Via de duas mãos onde o trânsito do sujeito caminha paralelamente com o outro sujeito, lado a lado; sem competições, numa parceria livre dotada de sentimento e compromisso com a felicidade.

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

O INFINITO DO ARTISTA

Seria tautológico dizer que a obra de arte é aberta, pois ela o é. O artista quando inicia o processo de criação está envolto em sua objetividade e em sua subjetividade; seu cotidiano não difere do cotidiano que cerca todos os humanos que habitam uma sociedade, e nesse processo de criação está envolto e com ele se confunde. Entretanto, como artista, no processo de criação sua subjetividade aflora independente da sua vontade objetiva. Nessa simbiose a veia artística se desenvolve externando objetividade e subjetividade e se consubstanciando no coração da obra: A sua essência e que, na duração do fazer e se fazer, culminará na sua existência.

O processo de criação exige do artista, de forma inconsciente, àquilo que lhe é próprio: a sensibilidade. É pela sensibilidade que se processa todo o arcabouço de uma obra e é pela sensibilidade que o artista a tem pronta antes mesmo de externar um só pingo de tinta em uma tela, um só pingo de caneta no papel, um só dedilhado no teclado do piano. A obra, assim, existe sem existir; vive sem ainda ter nascido. Aqui, exatamente aqui, ela tem um "dono" que lhe possibilitará o sopro da existência; ela, a obra, vive no artista, lhe é intrínseca, faz parte da sua alma. Ela é o sangue de vida do útero materno; o sêmen não processado pelo acasalamento, mas que vive em potência; pela potência de Ser.

Arduamente o artista transforma a potência em Ser, ao estabelecer o liame entre a sensibilidade e o processo de criação. Assim o artista e a obra, se fazem; uma obra tem na sua essência a sensibilidade do artista e, ao mesmo tempo, é o artista. Contém na sua composição pragmática toda essência potencializada na criação que se fez e foi feita. Enquanto o artista faz a obra a obra se faz com o artista. Esse caminho de mãos dadas, onde se misturam emoções, pensamentos, realidade e irrealidade; sensibilidade, manifestações inconscientes faz da obra em formação sempre inacabada; sendo criada ao mesmo tempo em que se cria. O artista cria a obra e a obra se cria com o artista. Uma obra de arte em criação nunca é, nem mesmo um esboço; a primeira pincelada, a primeira tentativa de aformoseamento aflora-se pela sensibilidade artística uma parceria entre aquilo que é pensado ou projetado e aquilo que vai se processando na criação.

Assim, pois, a obra de arte nunca é; ela está sempre em formação, pois a sua estrutura pragmática, a sua existência, será sempre aberta e a cada olhar se manifestará em processo, estando sempre em constante superação daquilo que é para aquilo que tem potência de Ser.

Exatamente nessa constante superação alia-se ao artista e à obra o seu objetivo: deixar-se ver; mostrar-se; encantar e desencantar. Questionar e despertar sonhos ou verdades. A obra é, pois livre e aqui perde a paternidade e se coloca aberta a interpretações. Ela é, por si só, uma infinidade de possibilidades interpretativas e satisfaz a cada uma dessas interpretações por estar aberta justamente a todas essas interpretações. A obra não é mais do artista, não tem mais "dono"; rompeu-se o ínfimo fio de ligação entre o criador e sua criação. Nem mesmo a própria obra é mais dona de si, pois sua extensão é infinita.

Assim, pois se vê na obra de arte o sonho, a realidade, a quimera, a verdade, a ilusão, a vida e a alma; a música e a poesia. Nessa dança em que o autor e a obra embalam àqueles que se misturam com seus olhares e com suas almas processa-se o ápice da escalada ao infinito do artista.


A FORÇA EXPRESSIVA DE UMA OBRA DE ARTE

Ghost Obra em Óleo, tela 86x63, emoldurada em quadro de madeira especial, criação do Artista Vanderlei Assis, é uma dessas exceções em que a objetividade se apresenta tão forte que a interpretação das almas mais suscetíveis à verdade expressada chegam a chocar-se. Nela o artista sobrevoou o mundo do alto da sua alma criativa e apontou, pincelada a pincelada, o caminho existencial de toda criatura. Com tons fortes expressando a natureza e brandamente, aqui e acolá, possibilitando um pequeno vazio para a fuga da realidade, onde àqueles que são tocados podem respirar e recompor-se de uma verdade inalienável, dura e única, impossível de fuga ou de postergação.

A verdade expressada por Vanderlei Assis tornou sua Obra, apresentada no Vernissage do Salão Verde da Câmara dos Deputados, em debates acalorados sobre a existência humana e os caminhos desconhecidos depois da transição entre o Ser e o Não ser. Um misto de tentativas e elucubrações filosófico-teológicas se desenvolveu durante os dias da exposição e, quiçá, durante as noites em que àqueles que lá estiveram deixaram seus pensamentos conduzir-nos aos devaneios de uma realidade impossível de se desfazer ou de se mudar.

O quadro é atípico, pois foi rejeitado pela filha do artista que viu, naquela obra, a retratação de uma caminhada existencial associada a seus pais. Claro uma interpretação também atípica, pois envolveu a passionalidade, compreensível pela ligação emocional.
Foi por essa atipicidade que o quadro envolveu tantas outras pessoas, entre debates acalorados e as tentativas de estabelecerem-se primazias filosóficas ou teológicas nos argumentos de mesa de bar.

Por atenção, amizade e o fugaz coleguismo de atividade, que nos levou a estreitar mais ainda nossos laços ideológicos, fui brindado com a preferência para aquisição de Ghost sem que houvesse lances de leilão, comuns em situações de disputas por obras de arte. O quadro acompanha-me desde aquela época e tem uma história não só esboçada na surpresa pelo choque da sua expressão causado na filha do artista como pela sua “sobrevivência” ao incêndio que destruiu minha biblioteca, consumindo uma infinidade de livros raros e o acervo de obras de arte amealhado em mais de 40 anos, entre outras raridades. Sobreviveu Ghost que, por ironia, expressa uma objetividade existencial irrefutável: O viver e o morrer!


O ARTISTA

Vanderlei Assis é um desses artistas difíceis de encontrar nos catálogos comuns dos Marchands, pois ele é especial sem querer sê-lo. Sua generosidade humana, desvestida do ego, do pragmatismo fútil e comercial, do esnobismo e do convencimento ilusório; sua tranquilidade, irradiando paz mesmo em meio a uma guerra; a leveza de sua alma que colhe do nada a semente para frutificar a obra, criando belas ilusões ou afrontando-nos com verdades absolutas, que por vezes fugimos de ver, ou de aceitar, são mostras da sua potencialidade como Artista.

Esse Vanderlei-Artista conheci muito tempo depois de com ele transitar por caminhos eivados de espinhos na estrada política. Nosso trânsito pelas áridas estradas que possibilitam encontros e desencontros, nos debates ideológicos, não me deixaram ver no colega político um Artista com a sensibilidade que ora reconheço. Médico, Físico, Professor e Matemático o Artista Vanderlei se completa na Arte e a Arte o completa. Suas várias obras retratam desde o rosto desconhecido expressando a existência humana, passando pelas fotografias da sua terra, o Rio de Janeiro, onde o mar é a mansidão e a infinitude, até um surréalisme francês cunhado por André Breton com base na ideia de "estado de fantasia supranaturalista" de Guillaume Apollinaire, e que traz um sentido de fuga da realidade comum, transpondo-se para uma supra realidade. Essa tentativa de resolver uma contradição antiga entre sonho e realidade criando uma realidade absoluta faz daqueles e dos atuais artistas exploradores, nas artes, do imaginário e dos impulsos ocultos na mente.

Vanderlei seguramente tem do seu público, de seus admiradores e dos seus companheiros de tantas lutas, algumas perdidas, outras vencidas, sem que vencer tenha sido a glória, mas sim a compensação pelo esforço de se querer o melhor para àqueles que habitam este mundo que nos foi dado por emanação, tem, sim, seguramente uma gratidão pela sua generosidade humana expressada por la sympathie de l'artiste.


Ghost Obra em Óleo, tela 86x63, emoldurada em quadro de madeira especial, criação do Artista Vanderlei Assis.



domingo, 30 de outubro de 2016

É PRECISO LEMBRAR


No fundo de cada um de nós existe um Céu e um inferno, uma luta interna que faz do ser humano um guerreiro tenaz em busca da melhor vitória.

A luta é aguerrida e alguns vencem para o mal e, outros, vencem para o bem.
Mas é preciso também reconhecer:

Existe mais Paz do que Guerra;

Mais gente boa do que gente ruim;

Mais amor do que ódio.

Só falta amordaçarmos o inferno que existe dentro de cada um de nós para deixar florescer o Céu!

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

POR QUE CORTAMOS NOSSOS CABELOS?




POR QUE CORTAMOS NOSSOS CABELOS?
A juventude que revolucionou os anos 60 tinha uma característica incomum para a época: Os homens começaram a usar cabelos compridos; e, por uma ironia, muitas meninas cortavam seus cabelos ao estilo “homenzinho”, bem curtinhos. Mas não foi somente esta mudança estética que revolucionou e escandalizou muita gente na época da chamada “juventude transviada”, “jovem guarda” e tantas outras denominações.

A música, o rock principalmente, com sua batida forte e que John Lennon denominou muito bem dizendo que, diferente dos demais ritmos, o rock “atingia diretamente às vísceras”, foi o “grito” da independência de uma juventude que nada mais queria do que ser feliz. 

Ser Feliz, nada mais!

Nos anos 60 os jovens não queriam bater em ninguém; não queriam revolução, ao contrário, quando existia luta de ideias era pela paz, unicamente pela paz. A guerra no Vietnã, sustentada pelos norte-americanos, tinha a oposição ferrenha dos jovens de todo o mundo e John Lennon, na época já separado dos Beatles, foi um dos artistas mais destacadas na luta contra a guerra; dizem alguns que sua morte teve cunho político e que sua oposição à guerra do Vietnã foi o motivo principal para que o “stablisment” tenha arquitetado o seu assassinado através das mãos de um inocente útil psicopata.

Muitas outras características foram específicas da juventude dos anos sessenta e muitos escritores atribuem, também, o consumo de drogas, que na verdade se resumia em fumar maconha e não era uma tônica geral. Enquanto Suzi Quatro detonava os irreverentes rock com sua banda e seu frenético contra baixo, na plateia um ou outro espectador “pitava” seu tabaco proibido, enquanto a própria Suzi Quatro, italiana que nasceu Susan Kay Quatrocchio, após o show, saboreava bombons de chocolate, seu vício favorito.

Com o passar do tempo, os cabelos das mulheres novamente iam crescendo e o dos homens começavam a encurtar. Interessante um vídeo, que anexei à este artigo, com uma série de apresentações de Suzi Quatro desde o início da sua carreira até hoje em que, já com 66 anos de idade, a cantora e contrabaixista irreverente dos anos 60 continua com seu característico estilo; assim como vários outros artistas, entre os quais, também, Paul MacCartney que, juntamente com John Lennon, foram os mais famosos compositores e duetos daquela época.

Sobre a juventude dos anos sessenta escreve-se com romantismo, pois foi uma época romântica. Os cabelos cresceram, mas também encurtaram, pois durante a era do rock a vida tinha seu trânsito normal e os adolescentes de 16 anos chegariam aos 18 anos e tinham seus deveres a serem cumpridos como, no Brasil, e também nos Estados Unidos, prestarem o serviço militar servindo à sua Pátria.

Foi assim que testemunhei àquele tempo, participando intensamente e sendo ator e espectador. De roqueiro e cabeludo irreverente aos 16 anos aos deveres com a Pátria aos 18 anos, que se estenderem por mais 05 anos de serviço militar, cumprido com a seriedade de uma juventude que também tinha seus protestos, mas nunca esqueceu da sua responsabilidade.

No Brasil, engajados desde a pré-adolescência, no ano de 1962, pelas mãos talvez de seus pais, como foi o meu caso, muitas das crianças tinham ciência da vida de nossa república e dos acontecimentos que se desencadeavam com a possibilidade de um viés não muito favorável a estabilidade social; assim foi que em 1964, ao som do rock, alguns jovens estavam em guaritas militares ou em tanques de guerra, não em luta contra um inimigo externo que aqui estivesse nos atemorizando mas mostrando à quem de fora nos espreitava que somos suficientemente inteligentes, fortes e decididos em resolver nossos problemas com a sobriedade necessária.

Hoje, quando muitos pedem para que o Exército Brasileiro retome o poder dos civis somos nós, que estivemos naquele tempo combatendo uma possibilidade negativa ao nosso País, que alertamos da necessidade de se conservar a democracia existente e dar ao povo a responsabilidade de saber escolher seus governantes, sem que tenhamos a incumbência de reviver um tempo que desgastou nossas relações de homens de paz e de uma civilização ordeira.

Àqueles que quiserem, divirtam-se com o Vídeo de Suzi Quatro, com 1h13m17s, terão um belo trabalho musical que percorre o ano de 1970 até hoje; lembrando que Suzi Quatro iniciou sua vida de musicista aos 14 anos, em 1964.

sábado, 20 de agosto de 2016

DO FUNDO DO MEU CORAÇÃO

A mágoa talvez seja inimiga da reconciliação. Pessoas que um dia estiveram juntas e, por divergências existenciais, daquelas em que o foco da vida é visto através de ângulos diferentes, podem cultivar resíduos sentimentais que chegam a cegar o olhar, criando uma nuvem que ofusca até mesmo a visão do bem comum.

O fato de os pares estarem em desacordo sentimental não deveria significar que as arestas não resolvidas continue a interagir entre ambos ao ponto de gerar conflitos em terceiros.

É o caso de pais que resolveram por decisão própria, ou por acidente de percurso, gerar um filho e, depois, concluíram que seus caminhos nunca foram pela mesma estrada.

Quando, um e outro, agora no seu percurso próprio, continuar com a nuvem escura frente à fonte das suas interpretações, seja ela de cunho social, da vida pragmática, seja ela de cunho existencial, de uma existência vivída, nunca descortinará a possibilidade de, ele próprio, ser feliz; a magoa impossibilitará toda forma de um viver pleno de satisfações.

Pior do que tudo isso  é levar, de roldão, àquele que, em sua vida espiritual, o escolheu para possibilitar-lhe a vida terrena.

Emanuel Levinás
o Filósofo da Alteridade
Olhar para dentro de si e colher o fruto da bondade, compreensão e do amor incondicional é tarefa que toda pessoa nessa situação deveria se propor.

É importante colocar-se em alteridade; eu sou eu e o outro é como eu. Eu sou sujeito e o outro é, também, sujeito. Não existe objeto nessa relação, embora quase a totalidade dos seres-humanos continue agindo como se houvesse.

Ab imo pectore!

domingo, 7 de agosto de 2016

BASTA O TEMPO?


Se soubermos que o tempo apenas contempla um imenso nada e que nele se expressa os passos apressados de cada ser, veremos que a agonia hermética e subjetiva dos humanos são decorrentes dessa caminhada longa e curta; duradoura e efêmera que ao contrário de uma contradição é, verdadeiramente, um suspiro existencial.

domingo, 22 de maio de 2016

O PENSAMENTO A SERVIÇO DO CORAÇÃO

Todo o ser humano, em qualquer parte do mundo, em um momento de sua vida deixa-se levar pelos pensamentos; estejamos onde estivermos. Divinópolis, Recife, Porto Velho ou Santana do Livramento no Brasil; Elizabeth, Palo Alto ou Montain View nos Estados Unidos; Damaia ou Figueira da Fóz em Portugal; ou em algum canto qualquer que somente o Satéllite Provider poderá localizar, não temos saída, o pensamento estará sempre nos impondo conceitos; lembranças, boas ou más; arrependimentos; saudades; sonhos, feitos, desfeitos ou por se fazer. Uma ditadura imposta a qualquer hora à todo àquele que não souber controlá-lo.
É pois, nosso pensamento, o sensor implacável de todos os momentos da nossa vida. Não podemos nos livrar do pensamento; pensamos a todo instante e isso é inerente ao ser humano. Entretanto, podemos controlar o pensamento; podemos direcioná-lo; podemos fazê-lo "trabalhar" em nosso proveito; talvez seja por isso que Osho escreveu certa vez que "a cabeça é um bom instrumento, mas tem de ser usada como um servo - ela não deve ser o mestre".
Parece, nessa visão de Osho, que o pensamento é meramente pragmático, fazendo uma distinção entre o pensar e o amar. Nesse caso, segundo àquele pensador, o ato de amar não é uma ação do pensamento e sim ação do coração, dando à este uma autonomia tal que independe do cérebro para acontecer. "Uma pessoa muito obcecada com o pensamento em pouco tempo se esquece completamente de que também tem um coração", diz Osho, e completa: "há milhões de pessoas neste estado, sem saber o que significa o coração".
Essa postura do mais polêmico pensador do mundo contemporâneo transforma o coração não só na máquina que faz pulsar a vida, bombeando a energia vital pelo corpo humano, mas o coloca como o centro da sensibilidade; é o coração responsável pelo amor, seja àquele direcionado às questões pessoais ou àquele no nível metafísico, e faz uma crítica ao pragmatismo daqueles que se deixam levar unicamente pelo pensamento: "uma vez que a cabeça se torne o mestre e o coração seja deixado para trás, você viverá, você morrerá, mas você não saberá o que é Deus, porque não saberá o que é amor".
Para Osho o silêncio é fundamental, pois nos coloca como sujeito em relação ao pensamento e, dessa forma, poderemos controla-lo. A meditação é o caminho. Para meditar esqueça o pensamento, deixe-o fluir sem dar-lhe importância e concentre-se unicamente no silêncio, no vazio, no nada. Imagine-se numa "tábula rasa" e a partir daí seja meramente um espectador.
Parece difícil, mas é bem provável que todo àquele que começar a fazer essa distinção, entre o cérebro e o coração, transformará o pensamento no mais perfeito instrumento para servir-lhe.
Podemos começar com um conselho do próprio Osho: "Então, silencie e observe".

sexta-feira, 20 de maio de 2016

ATÉ QUANDO?

Deparei-me hoje com uma cena já normal nas grandes capitais: A sarjeta e o caos onde habitam humanos sem rumo, sem norte, à margem do que se convencionou chamar de sociedade; vítimas de si mesmo; entregues à ruína da exaustão existencial; presos à ilusão de drogas e à necessidade da compaixão do outro. À beira do abismo!

Fiquei a pensar...

O que leva o indivíduo a desgostar de si; a entregar-se ao nada; a debruçar-se sobre a lama e a imundície desse lodo desumano que lhes esfacela o corpo, inutiliza sua alma e o desliga do seu próprio Ser, desalojando-o do seu espírito?

Por que essa alienação da vida; o corte do ínfimo fio que o ligaria a uma história comum de todos os humanos; à opção insana pelo mais profundo e escuro oceano do vazio existencial?

Se nem mesmo esses humanos que vagam pela escuridão da vida se revelam a si, certamente que mudos estarão a qualquer desses questionamentos.

Mas a existência não é muda; a filosofia não é muda; a razão não é muda; a reflexão não é muda; o mundo não é mudo e a sociedade não deveria ser muda, embora se cale!

Não há desculpa para o culpado e o júri um dia aplicará uma sentença, pois a Lei deve ser cumprida, aqui e acolá.

E qual a Lei que irá punir àquele, àquela, e todos os culpados pelos zumbis que se acotovelam, se esbarram entre si e entre outros, na escuridão de uma existência insana que lhes foi imposta por um determinismo que não escolheu?

Quando nos deparamos com a miséria insana de corpos que se vendem, que se alugam e que se dão, uns aos outros, na podridão da alienação por fraqueza, ou por insanidade, escondendo-se numa tragada de crack ou qualquer outra ilusão que lhes satisfaça o nada existencial, perguntamos se não haverá dentre todos nós responsáveis pelo caos que se instalou numa sociedade que se quer humana?

A cada passo dado, um aqui e outro acolá, as vidas se instalam em ventres diversos e o mundo é alimentado segundo a segundo com seres humanos que ao acaso habitam e desabitam um plano existencial. Os olhos da sociedade ficam cegos a esse vai-e-vem e na imensidão do tempo, que nos contempla, transitamos pela existência como se dela e nela somente o acaso fosse a razão. Não nos perguntamos por que um ventre viciado, alienado e jogado na sarjeta das drogas e do mundo é habitado por outro Ser que o mesmo caminho seguirá. Somos solidários com a miséria humana e ainda temos desculpas religiosas para o submundo social que à margem, e marginalizado, sustenta o “status quo” dessa “divina comédia”.

É de se perguntar: Por que e para que filhos do submundo?

Para que espíritos aqui venham cumprir sua missão; mesmo que seja a de viver como zumbis?

Não mais me serve essa teologia da necessidade espiritual; o que está a me parecer como desculpa para excluir-se da responsabilidade de um mundo insano.

É por isso que fica dificílimo ser um existencialista e ao mesmo tempo um Cristão. É preciso ter muita fé para ser existencialista e olhar profundamente para esse mundo que aí está, e que nele estamos, e apenas contempla-lo, deixando seguir seu curso como se nada fosse de nossa responsabilidade, a não ser, eximir-se da culpa.

Vamos ao processo de alteridade: Eu não queria ser como esse outro, mas colocando-me no lugar desse outro, vejo-me inerte para gritar por socorro, embora esteja com a mão estendida para que me tirem dessa lama.

Até quando?

terça-feira, 17 de maio de 2016

O INFINITO DO ARTISTA

Seria tautológico dizer que a obra de arte é aberta pois ela o é. O artista quando inicia o processo de criação está envolto em sua objetividade e em sua subjetividade; seu cotidiano não difere do cotidiano que cerca todos os humanos que habitam uma sociedade, e nesse processo de criação está envolto e com ele se confunde. Entretanto, como artista, no processo de criação sua subjetividade aflora independente da sua vontade objetiva. Nessa simbiose a veia artística se desenvolve externando objetividade e subjetividade e se consubstanciando no coração da obra: a sua essência e que, na duração do fazer e se fazer, culminará na sua existência.

O processo de criação exige do artista, de forma inconsciente, àquilo que lhe é próprio: a sensibilidade. É pela sensibilidade que se processa todo o arcabouço de uma obra e é pela sensibilidade que o artista a tem pronta antes mesmo de externar um só pingo de tinta em uma tela, um só pingo de caneta no papel, um só dedilhado no teclado do piano. A obra, assim, existe sem existir; vive sem ainda ter nascido. Aqui, exatamente aqui, ela tem um "dono" que lhe possibilitará o sopro da existência; ela, a obra, vive no artista, lhe é intrínseca, faz parte da sua alma. Ela é o sangue de vida do útero materno; o sêmen não processado pelo acasalamento, mas que vive em potência; pela potência de Ser.

Arduamente o artista transforma a potência em Ser, ao estabelecer o liame entre a sensibilidade e o processo de criação. Assim o artista e a obra, se fazem; uma obra tem na sua essência a sensibilidade do artista e, ao mesmo tempo, é o artista. Contém na sua composição pragmática toda essência potencializada na criação que se fez e foi feita. Enquanto o artista faz a obra a obra se faz com o artista. Esse caminho de mãos dadas, onde misturam-se emoções, pensamentos, realidade e irrealidade; sensibilidade, manifestações inconscientes faz da obra em formação sempre inacabada; sendo criada ao mesmo tempo que se cria. O artista cria a obra e a obra se cria com o artista. Uma obra de arte em criação nunca é, nem mesmo um esboço; a primeira pincelada, a primeira tentativa de aformoseamento aflora-se pela sensibilidade artística uma parceria entre aquilo que é pensado ou projetado e aquilo que vai se processando na criação.

Assim pois, a obra de arte nunca é; ela está sempre em formação pois a sua estrutura pragmática, a sua existência, será sempre aberta e a cada olhar se manifestará em processo, estando sempre em constante superação daquilo que é para aquilo que tem potência de Ser.

Exatamente nessa constante superação alia-se ao artista e à obra o seu objetivo: deixar-se ver; mostrar-se; encantar e desencantar. Questionar e despertar sonhos ou verdades. A obra é pois livre e aqui perde a paternidade e se coloca aberta a interpretações. Ela é, por si só, uma infinidade de possibilidades interpretativas e satisfaz a cada uma dessas interpretações por estar aberta justamente à todas essas interpretações. A obra não é mais do artista, não tem mais "dono"; rompeu-se o ínfimo fio de ligação entre o criador e sua criação. Nem mesmo a própria obra é mais dona de si pois sua extensão é infinita.

Assim pois, vê-se na obra de arte o sonho, a realidade, a quimera, a verdade, a ilusão, a vida e a alma; a música e a poesia. Nessa dança em que o autor e a obra embalam àqueles que se misturam com seus olhares e com suas almas processa-se o ápice da escalada ao infinito do artista.

A FORÇA EXPRESSIVA DE UMA OBRA DE ARTE

Ghost, Obra em Óleo, tela 86x63, emoldurada em quadro de madeira especial, criação do Artista Vanderlei Assis, é uma dessas exceções em que a objetividade se apresenta tão forte que a interpretação das almas mais suscetíveis a verdade expressada chegam a chocar-se. Nela o artista sobrevoou o mundo do alto da sua alma criativa e apontou, pincelada a pincelada, o caminho existencial de toda criatura. Com tons fortes expressando a natureza e brandamente, aqui e acolá, possibilitando um pequeno vazio para a fuga da realidade, onde àqueles que são tocados podem respirar e recompor-se de uma verdade inalienável, dura e única, impossível de fuga ou de postergação.

A verdade expressada por Vanderlei Assis tornou sua Obra, apresentada no Vernissage do Salão Verde da Câmara dos Deputados, em debates acalorados sobre a existência humana e os caminhos desconhecidos depois da transição entre o Ser e o Não-ser. Um misto de tentativas e elucubrações filosófico-teológicas se desenvolveram durante os dias da exposição e, quizá, durante as noites em que àqueles que lá estiveram deixaram seus pensamentos conduzirem-nos aos devaneios de uma realidade impossível de se desfazer ou de se mudar.

O quadro é atípico pois foi rejeitado pela filha do artista que viu, naquela obra, a retratação de uma caminhada existencial associada a seus pais. Claro uma interpretação também atípica pois envolveu a passionalidade, compreensível pela ligação emocional.

Foi por essa atipicidade que o quadro envolveu tantas outras pessoas, entre debates acalorados e as tentativas de estabelecerem-se primazias filosóficas ou teológicas nos argumentos de mesa de bar.

Por atenção, amizade e o fugaz coleguismo de atividade, que nos levou a estreitar mais ainda nossos laços ideológicos, fui brindado com a preferência para aquisição de Ghost sem que houvessem lances de leilão, comuns em situações de disputas por obras de arte. O quadro acompanha-me desde àquela época e tem uma história não só esboçada na surpresa pelo choque da sua expressão causado na filha do artista como pela sua “sobrevivência” ao incêndio que destruiu minha biblioteca, consumindo uma infinidade de livros raros e o acervo de obras de arte amealhados em mais de 40 anos, entre outras raridades. Sobreviveu Ghost que, por ironia, expressa uma objetividade existencial irrefutável: O viver e o morrer!

O ARTÍSTA

Vanderlei Assis é um desses artistas difíceis de se encontrar nos catálogos comuns dos Marchand, pois ele é especial sem querer sê-lo. Sua generosidade humana, desvestida do ego, do pragmatismo fútil e comercial, do esnobismo e do convencimento ilusório; sua tranquilidade, irradiando paz mesmo em meio a uma guerra; a leveza de sua alma que colhe do nada a semente para frutificar a obra, criando belas ilusões ou afrontando-nos com verdades absolutas, que por vezes fugimos de ver, ou de aceitar, são mostras da sua potencialidade como Artista.

Esse Vanderlei-Artista conheci muito tempo depois de com ele transitar por caminhos eivados de espinhos na estrada política. Nosso trânsito pelas áridas estradas que possibilitam encontros e desencontros, nos debates ideológicos, não me deixaram ver no colega político um Artista com a sensibilidade que ora reconheço. Médico, Físico, Professor e Matemático o Artista Vanderlei se completa na Arte e a Arte o completa. Suas várias obras retratam desde o rosto desconhecido expressando a existência humana, passando pelas fotografias da sua terra, o Rio de Janeiro, onde o mar é a mansidão e a infinitude, até um surréalisme francês cunhado por André Breton com base na ideia de "estado de fantasia supranaturalista" de Guillaume Apollinaire, e que traz um sentido de fuga da realidade comum, transpondo-se para uma supra-realidade. Essa tentativa de resolver uma contradição antiga entre sonho e realidade criando uma realidade absoluta fazem daqueles e dos atuais artistas exploradores, nas artes, do imaginário e dos impulsos ocultos na mente.

Vanderlei seguramente tem do seu público, de seus admiradores e dos seus companheiros de tantas lutas, algumas perdidas, outras vencidas, sem que vencer tenha sido a glória, mas sim a compensação pelo esforço de se querer o melhor para àqueles que habitam este mundo que nos foi dado por emanação, tem, sim, seguramente uma gratidão pela sua generosidade humana expressada por la sympathie de l'artiste.

OBRA: Ghost
TELA: 86 X 63
AUTOR: Vanderlei Assis
ACERVO PARTICULAR do Prof. Irapuan Teixeira

Obra declarada à Receita Federal como patrimônio.

quarta-feira, 13 de abril de 2016

O MERCADINHO DA VIZINHA: Divagações sobre a realidade.

Muito serviço, horários a cumprir e ponto para assinar; qualquer atraso é descontado do meu salário.

Ufa!

Filhos para sustentar, colégio para pagar pois o ensino público está um caos... o médico não perdoou a gripe da minha filha menor e aplicou remédios caríssimos, a farmácia do estado não disponibiliza esses medicamentos. O filho maior necessita de um tênis pois o atual está velho e rasgou o solado. Meu salário só aumenta com o mínimo. Opa! O mínimo! Eu ganho um salário que é mínimo, será que alguém vive com salário menor?

Puxa vida o meio dia é horário de almoço, planejamento de assuntos familiares, conversas com a mulher e as crianças e ainda tenho que quebrar minha cabeça com a Declaração do Imposto de Renda; haja tempo!

Sem carro, pois isto é luxo em demasia para quem, mesmo trabalhando de “sol a sol”, não tem orçamento suficiente; mal disponibilizo parcela do salário para pagamento do aluguel, que é “sagrado” e inalienável. Impossível ter um carro!

Me esforço para não errar as informações ao fisco, afinal as multas são pesadas e qualquer omissão, mesmo por erro, é imperdoável; imediatamente, qualquer fiscal, aplica multas pesadíssimas e fica-se com a pecha de sonegador, má fé e outros itens do dicionário que serviria àqueles que realmente lesam ou cobram impostos pesadíssimos mascarados pela fantasia de “Imposto sobre a Renda”. 

Mas meu salário não é renda!!!! 

Já nem posso considera-lo salário, quanto mais renda. Enfim; manda quem pode, obedece quem precisa” pois a vizinha do mercadinho foi multada em 120 mil reais e teve que ouvir até desaforos do fiscal da fazenda que a intitulou de sonegadora; disse inclusive que a mulher teria alterado documentos para se safar do imposto. 

A realidade? 

A realidade é que o contador cometeu um erro que beneficiou o próprio governo. Fez uma firma para o mercadinho com um documento de compra de posse do imóvel assinado pelo vendedor que já havia feito um documento anterior vendendo o imóvel para a senhora do mercadinho, pessoa física. Rasgaram o documento de venda para a senhora e fizeram outro vendendo o imóvel para a firma. Nada mais correto pois a firma é da dona do mercadinho e foi ela que comprou o terreno; por que não pode fazer a firma e colocar o terreno em nome dessa firma? Pode! Só que se o fiscal achar que é maracutaia...ferro no contribuinte. 

Foi o que aconteceu com a senhora do mercadinho!

Como são documentos de posse, uma vez que os terrenos não estão regularizados pelo governo municipal, ficam na gaveta. Rasgou-se um e fez-se outro para regularizar a firma como empresa. Não deu outra! Uma "baita" confusão! Só faltou a parafernália dos carros de polícia, o resto o fiscal se encarregou de fazer. 

Enquanto isso, mais acima, a bandidagem traficando drogas, vendendo e comprando terrenos, carros e tudo àquilo que o fiscal não vai coibir. 

Será que ele tem medo de subir mais alguns metros morro acima?

Mas está difícil a concentração com o vizinho de uma casa a 100 metros da casa que alugo, ouvindo(?) um som absurdamente alto! 

Será que colocou potentes alto-falantes nas janelas? É o que parece. Músicas (?) ou melhor, pornografias, aos urros entremeadas por um som estridente e desafinado (chamam isso de funk?) que, perpassa os tímpanos; assim não é possível se pensar!!!

O remédio é solicitar auxílio às autoridades, afinal pago imposto...

Alô é da Polícia Militar?...

“Senhor, a cidade está infestada de gente ouvindo músicas; nada podemos fazer! E também não temos viaturas disponíveis. Lamento”.

Mas não são músicas! É pornografia pura, incitação ao crime, afronta às autoridades e ameaças a polícia! Em altíssimo som, estridente, aos berros, uivos e até sons de metralhadora!

“Sinto muito senhor...nada podemos fazer. Se houvesse possibilidade eu até iria com uma viatura ao local, mas chegando lá desligariam os aparelhos e quando eu saísse retornaria tudo novamente; inclusive podendo haver represálias contra o senhor”.

Mas... e a lei?

“Boa pergunta meu senhor; a Polícia está de mãos atadas para tudo e não só para as transgressões referentes ao som alto; prendemos um bandido hoje e amanhã estamos recebendo tiros, até de metralhadora, do mesmo bandido; ontem mais outro colega foi baleado”...

Muito obrigado pela sua atenção policial.

Tento me concentrar e milagrosamente o som dá uma trégua; que alívio!

Vou à janela pois parece que ouvi tiros! Bem... tiros já é coisa rotineira de se ouvir; mesmo nós moradores de um bairro que já foi “chic” e tem uma Universidade Federal e um Batalhão da Polícia Militar como referência.

Como não é possível ver as balas perdidas ou endereçadas o melhor é ter prudência, mas não pude furtar-me de ver o carro luxuoso, zerinho, zerinho, ter sua porta aberta pelo traficante que ouvia o som estridente agora a pouco.

Que carrão!
Puxa esses camaradas têm um vidão! Carrão, roupa de grife, correntões de ouro no pescoço (ahh isto eu até dispensaria!). E sem necessidade de cumprir horários (!); ou melhor, eles nem trabalham... E que som potente o camarada comprou!...

Xiiiiiiiiiii vai explodir os ouvidos, o som do carro também é absurdamente alto! Treme tudo...

Aaaaah o som dos tiros? Era a "música"!

Chega de divagação, tenho que concluir as contas do Imposto de Renda e já está na hora do turno da tarde...


Mulher!!!

terça-feira, 5 de abril de 2016

QUEM PERDEU?

Já escrevi que o mundo é dos vivaldinos; daqueles que ignoram a ética, que ignoram o outro, que desconhecem o que é alteridade.
A sociedade está podre pela sua composição essencial: O homem.
Não temos desculpas; chega de contemporizações; chega de delegarmos responsabilidades a outrem; chega de esperar que os céus nos salvem; chega de incomodar a Deus!
Resolvam seus problemas humanos, se puderem, pois a podridão não enseja restauro.
Estamos condenados à miséria humana pelas nossas próprias mãos. Deus está fora disso!
Não levantem as mãos para o Céu; não façam orações miseráveis implorando a salvação; nós já crucificamos O Filho!
Estamos sós e sem desculpas! Sartre tinha razão: Estamos condenados a ser livres. Façam o que quiserem, pois já o fazem; pois já fazemos; pois sempre faremos. Mas, pelo menos, mudem as ações e tenham um pingo de ética daqui para a frente.
Mas, se me perguntarem se eu acredito nesta mudança, direi convictamente que Não!
Essa é outra condenação, por nós mesmos, a nós, imposta: Coisa alguma irá mudar na existência humana e na sua organização social. Hobbes popularizou a sentença de Plauto que também tinha razão: "Lupus est homo homini non homo". Portanto, o homem será sempre o lobo do homem!
Pensei em uma oração para me redimir: Perdõe-me Deus pelos erros que cometi; pelas más ações, pelo tempo perdido... mas desisti quando uma vóz interior, como a um Daimom Socrático, ecoou profundamente em minh'alma inquirindo-me: "Quem perdeu?"


segunda-feira, 7 de março de 2016

RESGATE HISTÓRICO - A 2ª GUERRA

Entre tantos homens que lutaram e morreram na 2ª Guerra Mundial, alguns deles, posteriormente, se destacaram como personalidades famosas:
Desses destaquei 10 reconhecidos atores e que apresento com as informações pesquisadas por André Luiz, ex-militar do Exército, que estudou letras em São Paulo, graduando em Psicologia e fascinado pelos fatos que envolvem a Segunda Guerra Mundial. Idealizador e criador do site Ecos da Segunda Guerra:
 Lee Marvin 
1. Audie Murphy – Ator – alistou-se na infantaria estadunidense aos 18 anos e participou ativamente de 9 campanhas na África, Sicília, Itália, França e Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial.
2. Lee Marvin – ator – Alistou-se na Marinha dos Estados Unidos em 1943 e lutou no Pacífico sul, sendo ferido na Batalha de Saipan. Foi condecorado com a Purple Heart, por ser ferido em combate.
3. Charles Bronson – Ator – Foi artilheiro de Cauda e instrutor de tiro na USAAF durante a Segunda Guerra. Ele completou 25 missões e foi premiado com a Purple Heart.
4. Ernest Borgnine – ator – Foi artilheiro da Marinha entre 1935 a 1945, servindo ao Exercito Estadunidense no Pacífico Sul durante a segunda Guerra Mundial.
5. Clark Gable – ator – Foi artilheiro avião B-17. Graduado como segundo-tenente pela Escola de Oficiais em Miami. Adolf Hitler era fã de Clark Gable e, ao saber que fora enviado para a Europa, ofereceu uma grande recompensa a quem conseguisse capturar o ator e levá-lo vivo ao Führer.
6. Henry Fonda – ator – Serviu a Marinha dos estados unidos como contramestre de terceira classe no Pacífico Sul. Depois foi promovido a Tenente Júnior. Antes do embarque ele já havia atuado em mais de 20 filmes.
7. Charlton Heston – Ator – Em 1944, largou os estudos e se alistou na USAAF, serviu como operador de rádio de bombardeiros B-25 nas Ilhas Aleutas. Atingindo a patente de sargento e nesta mesma ilha e período, se casou com uma colega de faculdade.
Jack Palance
8. Jack Palance – ator – Serviu aos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial como piloto de bombardeiros.
9. Paul Newman – Ator – Serviu na Marinha dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial no teatro do Pacífico. Desejava ser piloto, mas por ser daltônico, recebeu uma formação complementar como um operador de rádio e artilheiro. Voou como um artilheiro de torre num bombardeiro. Como um operador de rádio-artilheiro, ele serviu a bordo do USS Bunker Hill durante a batalha de Okinawa, 1945.
10. Mickey Rooney – ator – serviu ao Exército dos Estados Unidos, na Europa. Rooney foi treinado para ser um franco atirador, mas foi designado para dar reforço moral ao longo das linhas de frente.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

O OUTRO!

Num momento político como o atual, em que nosso País atravessa mais outro período tumultuado e a Nação sofre os danos da irresponsabilidade, tanto as emoções como a racionalidade nos obriga a protestar contra todas as mazelas que acontecem e provocam dissabores aos cidadãos de bem.
Mas, mesmo indignado com a irresponsabilidade de políticos e lutando para que sejam punidos pelos crimes que cometem, não posso esquecer que estamos de passagem, num trânsito existencial, e que o Criador deu-nos a liberdade para refletir e decidir o nosso "que fazer".
Essa liberdade faz-me parar agora e orar: "Obrigado Meu Deus, por existir, por estar aqui, por ter forças, por ter meus filhos hígidos e na busca de seus ideiais; obrigado pela presença constante do espírito que me guia e que na terra me concebeu. Obrigado por não ter ficado sozinho; não ter lutado sozinho; não ter sofrido sozinho; não ter tido alegrias como um eremita, pois a presença do outro nos completa como ser humano.
"Obrigado por me fazer Crer; no mundo, na possibilidade dos homens serem bons; na pujança do meu País (sem esquecer os demais); na existência humana e na minha condição de espírito emanado pelo Criador. Obrigado por me fazer acreditar que Jesus Cristo foi mais do que um homem que aqui esteve, aqui lutou, aqui sofreu e aqui se alegrou; e que sua morte não foi em vão; obrigado por ser Ele meu amigo, meu irmão e conselheiro em todos os meus momentos de reflexão".
Credo in Iesum Christum!

sábado, 23 de janeiro de 2016

Ó MEU DEUS, PARECE QUE FOI ONTEM!

Muitos anos se passaram..... a maioria dos meus ex-alunos eram sómente óvulos, quizá nem isto. Despontava a primavera da primavera dos meus 13 anos e eu ganhei um presente de mim mesmo.
Uma conquista!
Sim, uma conquista: Visitar uma empresa que eu admirava muito.
Desde quando iniciei na profissão de radialista, como aprendiz de "Técnico de Som" (aos 11 anos, perseguindo os passos de meu pai que foi Jornalista e Radialista) eu almejava trabalhar numa das maiores Emissoras de Rádio do País e a maior do Rio Grande do Sul. Para mim aquela Rádio era mágica; algo indescritível para poder traduzir em palavras e visita-la, conhecer seus stúdios, as pessoas que lá trabalhavam, consistia em um presentão de desaniversário.
Eu fui assim: Amava e me apaixonava por coisas que outros não dariam a menor importância. Me apaixonei por quase todas as profissões que exerci. Ainda sou apaixonado pelo Rádio! Ainda sou apaixonado pelo Exército Brasileiro!
Mas este texto ficará muito longo se eu me deixar levar pelas memórias nesse transito pelo passado, por isso vamos resumi-lo.
A Rádio que eu me apaixonei (das tantas que me despertaram este sentimento egoista) era a antiga Rádio Farroupilha, com aquela maravilhosa antena onidirecional instalada depois da ponte elevadiça, na Ilha da Pintada (hoje pertence à Rádio Gaúcha, da RBS) na atual Grande Porto Alegre no Rio Grande do Sul, minha terra natal.
A Rádio Farroupilha, nos velhos e bons tempos, tinha um "Cast" teatral de primeira grandeza e estava com seus Stúdios instalados na Galeria do Rosário, 22º andar. Naquele dia, dos meus 13 anos, eu lá estava em visita, pela mão de meu pai, e naquele horário, quando lá chegamos, estava "No Ar" uma Rádio-novela. 
As Rádios novelas tinham grande audiência, era o que mais despertava a atenção do público. Mais do que as atuais novelas de televisão! Havia um misto de atenção, emoção, criação e o despertar do imaginário das pessoas. Atentas ao lado do aparelho de rádio, com os ouvidos colados, num misto de emoção e criação. Maravilhoso! A Rádio-novela era escrita por determinado autor que dava inicio ao processo de criação, mas a obra teatral tinha outras variáveis e, uma delas, era o ouvinte. Ele, ouvinte, é que na sua subjetividade, dava o desfecho final para a obra, contribuindo com o processo que iniciou com a obra aberta. Uma obra de arte é sempre aberta; aberta às interpretações. E a Rádio-Novela foi, sem dúvida, uma Obra de Arte das mais importantes para o processo criativo.
A Rádio Farroupilha tinha como Rádio Operador e Sonaplasta daquelas Rádio-novelas Victor Stob, de quem eu era fã e admirador. Aquele profissional, que deveria ter alguns cabelos brancos na sua careca, tinha uma capacidade incrível como operador de som, manusenado as antigas mesas e seus "Garrards" acoplados.
Victor Stob nem sabe que eu existi, fomos apresentados quando ele estava na mesa de som, mal me olhou e continuou seu trabalho, que exigia atenção (naquele tempo a profissão era levada a sério). Eu era um garoto e fiquei admirando o trabalho e, com uma boa inveja, comecei a aprender olhando, talvez até imitando.
Do outro lado estava o que se chamava de "Stúdios", com aquela luz vermelha na porta e o alerta: "No Ar"; ou seja, não entre, não abra a porta, não faça barulho. Naquele "stúdio" o "Cast" Teatral desenvolvia uma rádio-novela, escrita por Janete Clair. A "característica" principal daquela rádio-novela era uma das melhores músicas de Tchaikovsky (vocês poderão ouvi-la no vídeo abaixo) "Concerto nº 1 para Piano em Sib menor Op.23". Pois esta música me levou ao passado recente, me fez dormir ouvindo clássicos e me fez escrever este texto para vocês meus tantos amigos pessoais e virtuais que, mesmo pecando pela omissão, cito alguns com quem convivi: Adriana; Viviane; Ronaldo; Wandinho; Luiz Carlos, mineiros que tenho muito apreço e que ao citá-los estendo à todos àqueles ex-alunos e ex-colegas da Faculdade de Direito das Minas Gerais, "que tanta saudade me traz":

"Ó linda Minas Gerais
Paraíso do diamante
Eu não esqueço jamais
Lembro você tão distante
Adeus ó Belo Horizonte
Eu disse na despedida
Meus Deus parece que foi ontem
Que eu de lá fiz a partida" (Teixeirinha)