terça-feira, 22 de maio de 2018

A METAFÍSICA DO AMOR


O que é isso que eu sinto pelo outro; é amor ou paixão?

Alguns dicionários apontam: “Amor é uma atração baseada no desejo sexual.” Nada mais absurdo do que uma afirmação dessas. O Amor não tem como base o desejo, que é uma forma de obter prazer pelo uso do outro e pelo retorno que tal uso lhes dá. Não significa que quem ama não tenha desejo sexual ou que não tenha relação sexual; havendo tal entendimento, estará totalmente errado. Quem ama tem, sim, pelo outro, “desejo” sexual, só que este “desejo” não é usurpador e sim um desejo de doação, de dar ao outro àquilo que lhe faz feliz, que lhe dá prazer, que cria emoção; é um desejo de dar primeiramente, de se doar sem esperar nada em troca, sem querer que o outro tenha a obrigação de satisfazê-lo; embora possa haver a reciprocidade e o prazer dual.

Mas isso é apenas um aspecto humano, da existência do homem. O Amor tem uma outra dimensão que soma a todas as dimensões existenciais; o Amor é metafísico; a dimensão espiritual, presente na dualidade humana, está presente com intensidade muito maior do que a dimensão carnal. Amar, portanto, não é uma atração baseada no desejo, seja sexual ou qualquer outro; ao contrário, não existe desejo no sentido de subtrair do outro e sim o desejo de que seja somado ao outro o que de melhor se possa somar.

Também apontam, outros dicionários, que o amor seria aquele onde duas pessoas se amam. Nada mais risível pela própria definição. Muito mais risível é aquele que aponta que “existem vários tipos de amor”; entretanto de todos os tipos que relatam nenhum é Amor.

“Amor é olhar nos olhos do outro com ternura e desejo”, diz um autor; essa definição por si só se exclui, pois desejo anula a ternura e vice-versa.

São mais de seis milhões de definições propostas pelos dicionaristas do Senso Comum sobre a palavra Amor e em todas que pesquisei deparei-me com a confusão entre amor e paixão.

Falamos muito em amor, em amar, em estar apaixonado um pelo outro, mas nada sabemos a respeito do amor e de paixão; além de confundirmos ambos os sentimentos, não sabemos descrever um e outro e, quando o fazemos, usamos de forma errada a razão para defini-los. Além do mais, o amor é raríssimo e se esvai como água por entre os dedos quando o sentimento não tem base sólida alicerçada na doação, no desinteresse material, no bem alheio.

50 anos de paixão!

Esqueça, você não ficará apaixonado pela mesma pessoa durante 50 anos! Não perca seu tempo com tais ilusões que têm a mesma intensidade das paixões. Hoje você se ilude amanhã se desilude, a paixão é igual; intensa hoje, morna amanhã, inexistente depois. Estou falando (escrevendo) entre as mesmas duas pessoas. Hoje apaixonado(a) perdidamente por uma pessoa; amanhã perdidamente por outra, até seu amadurecimento racional. A razão irá impedir tais atitudes emocionais corriqueiras e passageiras.

Case-se por paixão e separe-se, logo a seguir, por incompatibilidade de gênios!

A paixão é intensa, mas efêmera. Ninguém ficará apaixonado a vida inteira pela mesma pessoa, repito, mas poderá amar a mesma pessoa durante toda sua vida.

Amor e Paixão são dois acontecimentos emocionais totalmente diferentes e, inclusive, incompatíveis; basta usarmos a razão para compará-los. Amor é doação; paixão é usurpação.

Quem ama doa-se ao outro; o apaixonado suga o outro.

Haverá impropérios e discussões histéricas sobre esta tese e, quando houver, tais debatedores estarão deixando de lado a razão escudando-se na emoção.

A emoção é cor de rosa, linda e brilhante, mas efêmera; a razão é cinzenta, como um céu de inverno, com chuvas e trovoadas, mas firme e perene.

E é essa dureza da razão que determina o “que fazer” para àquele que diz amar; esse “que fazer” é uma atitude imutável a ser assumida sem esforço algum; ou você ama e doa-se inteiramente ao outro; ou você não ama. Quem ama quer ver o outro feliz e não me venham com reciprocidades obrigatórias que isso é coisa da paixão.

O problema maior do amor é amar a quem não pode dar reciprocidade; em havendo tal evento a infelicidade estará completa. Não havendo tal evento, os dois completando-se com o mesmo sentimento, o amor poderá ser perene, desses que são quase inexistentes na sociedade pragmática em que vivemos.

Quem exclamar: Meu pai e minha mãe amaram-se a vida inteira! Não conheceu seus pais; a não ser que sejam um dos tais raríssimos casos.

Quem exclamar eu amarei tal pessoa a minha vida inteira; desconhece, por óbvio, o futuro.

O Amor acontece e pode ser via de duas mãos, ou não! No mundo atual quase sempre não o é, e são raríssimas as exceções; assim como são raríssimos os casos de amor para toda a vida entre dois seres desconhecidos que se encontram e que se encantam um pelo outro. Claro, o encanto se dá pelos atributos estéticos e que podem se afirmar pelo conhecimento do Ser. Se houverem afinidades que contribuam para tal conhecimento, o que demanda tempo, o evento do Amor poderá se afirmar.

Minha Mãe e meu Pai foram felizes a vida inteira! Mera observação de filho(a) que vê o Pai e a Mãe com os olhos cor de rosa.

Eu amo meu marido ou minha mulher! Meu marido, ou minha mulher, me ama! São afirmações-exclamações sem fundamento, superficiais e fruto do senso comum, pois amar exige muitíssimo mais do que as simples afirmações emocionais; exige conhecimento, comprometimento, doação incondicional, respeito, cuidado, atenção, companheirismo.

Deixemos essas armadilhas da emoção para o Senso Comum e busquemos a Razão para que nos afirme aquilo que “É” e que, por óbvio, não pode “Não Ser”.

O Amor foge das observações estéticas, elas não têm qualquer valor; diferente da Paixão, o Amor tem fulcro no Ser, em uma relação de sujeito-sujeito e não sujeito-objeto (comum nos dias atuais, sem que os pares percebam tal discrepância). O Amor não pede; ele dá, doa. O Amor não escraviza e não é escravo; quem Ama, simplesmente Ama. Nada pede; nada espera; nada cobra. É um convívio fraterno, caso exista a reciprocidade. É por isso que Amar é um evento raríssimo no mundo moderno, pelas armadilhas materiais e pelo egoísmo humano.

sábado, 31 de março de 2018

ORDEM DO DIA

Bravos soldados!

Relembramos no dia de hoje a memória do General de Exército Hamilton Mourão Filho, militar que lutou na 2ª Guerra Mundial, integrando em fevereiro do ano de 1945 a Força Expedicionária Brasileira – FEB, e que foi o responsável pelo início da Contra Revolução de 1964, marchando desde Juiz de Fora, com seus soldados, para por um fim ao Golpe iniciado por Leonel Brizola que visava a ditadura do proletariado.

A esquerda de hoje fala em golpe mas o verdadeiro golpe estava em andamento pelo comunista Brizola (que se disfarçou, posteriormente, e por muito tempo, de socialista) e seu títere João Goulart, nome que hoje aparece nas eleições através do seu homônimo, e filho, para confundir o eleitorado e forçar uma imagem de herói de alguém que pregava a insubordinação e a baderna. A ideia de Brizola e Goulart era fechar o congresso, instalar uma ditadura comunista satélite de Moscou e começar a matança. Brizola já estava treinando os “grupos dos onze”, no Uruguai, onde ele foi latifundiário. As Forças Armadas, atendendo ao clamor popular, manifestado em passeatas de centenas de brasileiros, exigiram a intervenção das Forças Armadas, que foi realizado com muita competência e com o mínimo de emprego da força.

O Brasil de hoje não necessita passar os mesmos maus agouros de outrora, é sabido quem são os baderneiros de agora; é sabido quais são suas intenções e perspectivas; é sabido suas ideologias nefastas e criminosas; é sabido quem são os comunistas baderneiros e quem são os incautos; mas, diferente de outrora, têm eles, hoje, um exército de foices e enxadas, disfarçados de trabalhadores e camponeses; têm hoje bandidos e criminosos que, ostensivamente, desafiam as autoridades constituídas; têm eles hoje armamentos pesados, contrabandeados e escondidos em seus covis disfarçados de assentamentos; têm eles hoje a proteção da própria sociedade através de instituições de direito mas que de fato são armadilhas contra o cidadão brasileiro. ONGS, Direitos Humanos e uma série de instituições fantasiadas de defesa do cidadão defendem unicamente bandidos e criminosos, como o assassino italiano Cesare Batisti, acolhido por Lula enquanto presidente de nossa República, eleito por milhões de incautos que ainda estão com suas mentes poluídas pela mentira e o paternalismo barato.

A realidade de nosso Brasil de hoje necessita mais uma vez do povo brasileiro, dos verdadeiros patriotas, dos guardiões da Nação, pois a realidade mais uma vez alerta-nos que os descaminhos já foram traçados e será necessário a força e a visão nacionalista de nosso povo patriota para reencaminhar os destinos da Nação Brasileira.

Antes que seja tarde; antes que, mais uma vez, necessitemos das armas para por um fim as badernas do terrorismo esquerdista, os patriotas brasileiros devem se unir contra tais descaminhos que já assolam a Nação e a hora está mais próxima do que possamos imaginar; talvez nossa última trincheira sejam as próximas eleições ou, quem sabe, antes mesmo, dependendo de nossos tribunais, se terão ou não a coragem de por um fim aos crimes que ainda estão sendo cometidos contra a Nação. Criminosos no poder e criminosos condenados soltos e, outros, sem previsão de condenações e nem mesmo processos, urge uma providência definitiva do judiciário.

Soldados!

A Pátria precisa de todos nós e todo brasileiro patriota desde agora é um soldado que deve lutar primeiro com as armas da paciência; da confiança nas instituições; da certeza que a verdade sempre prevalecerá; da ordem e contra a turbulência e a turba; da hierarquia, sabedores de que nossas Forças Armadas não dormem e, inclusive, com a arma da tal de democracia, que nos impuseram como se fosse a guardiã da liberdade. Saberemos pautar nossas ações por tais caminhos, antes de tomarmos a espada para coibir os abusos e a invasão de nosso território sagrado, conquistado e defendido por nossos irmãos que já se foram; pois, a subversão é o primeiro passo para uma invasão. Os subversivos, que não têm amor à Pátria, estão com seus dias de tentativas esgotados pois a Nação Brasileira já está a postos.

Brasil acima de tudo!

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

HOMO HOMINI LUPUS

Vivemos um momento de rusgas intensas e sem possibilidade de trégua; a vida política e social degrada o ser humano pelo abuso e astúcia de um lado e pela inércia e ignorância de outro. 

Somos reféns de nossos próprios atos, insanos ou ingênuos. Um verdadeiro cabo de guerra em que cada um puxa para um lado; o vencedor é sempre lobo da sua própria carne. 



terça-feira, 30 de janeiro de 2018

LURDINHA, MEU AMOR (um papo de soldado)

Ela foi muito conhecida como Lurdinha, era saltitante e bela; seu auge foi nos idos da década de 60. Esguia, magrela, tinha a capacidade de se alargar quando estava nos braços dos soldados; mas adorava um sargento.

Ela era assim, aninhava-se junto ao peito de quem acariciava suas costas e esticava-se quando era colocada debaixo do braço daqueles que a amavam.

Nasceu próxima aos nazistas, numa guerra em que a Dinamarca estava envolvida; tinha uma irmã bem mais velha, a Madsen.


Quando Adolf invadiu o reino da Danmark, no início da segunda Guerra Mundial, por uma questão de acaso lá estava um brasileiro de nome Plínio Paes Barreto Cardoso; mais tarde ele seria o pai da Lurdinha.

Os dinamarqueses receberam em missão técnica o brasileiro Plínio Paes e confiaram a ele alguns projetos, mais especificamente o de armas leves; em desenvolvimento estava o projeto de uma submetralhadora e que não teve continuidade em função da guerra. Antes de que Adolf colocasse mãos nos projetos de Plínio Paes ele voltou ao Brasil, pois o reino caíra em mãos dos alemães; com ele vieram todos os projetos em desenvolvimento, principalmente o da submetralhadora.

A irmã mais velha da Lurdinha era a Madsen, uma linda dinamarquesa que foi deixada a mercê dos alemães.

Salvara-se Lurdinha, pela agilidade daquele brasileiro, um militar que na época tinha um posto no oficialato; não lembro se era 1º ou 2º tenente; ou mesmo se já era um capitão; sei, sim, que foi como General R1 que implantou no Brasil o projeto INA, no ano de 1949, coincidentemente no mesmo ano que minha mãe estava grávida deste que vos escreve; eu fui nascer no final daquele ano, bem próximo a data de nascimento da Lurdinha.

Madsen M-1946
Plínio Paes trouxe da Dinamarca todos os projetos de uma submetralhadora leve, que lhes foi cedido, por deferência e gratidão, pela Dansk Industri Syndikat.

Que projetos foram esses? O da submetralhadora Madsen modelo 1946, que daria suporte a criação da submetralhadora conhecida mais tarde como INA, mesmo nome da empresa que o General fundaria no Brasil: A "Indústria Nacional de Armas", no bairro de Utinga, na cidade de Santo André, Estado de São Paulo.

Adotada pelo Exército Brasileiro e também pela Brigada Militar do Rio Grande do Sul, assim como, mais tarde, pelas Polícias Militares de todo o Pais, a submetralhadora INA tinha um calibre diferente da sua irmã dinamarquesa, a Madsen 1946.

A diferença principal da original dinamarquesa foi a mudança do calibre, de 9 mm Luger para o 45 ACP.

INA, a Lurdinha
A INA, ou como gostávamos de chama-la, a Lurdinha, tinha uma cadência de 600 tiros por minuto; como possuía baixa cadência, àqueles que tinham mais intimidade com a "moça" podiam disparar rajadas curtas. Mas nada de disparar com uma só mão; a Lurdinha não era pistola e nem revolver. Um dispositivo junto ao retém do carregador obrigatoriamente tinha que ser pressionado com a outra mão para que ele começasse a festa. Seu peso 3 kg e 400 gr; comprimento de 74,9 mm e um narizinho empinado (cano) de 214 mm.

A Lurdinha teve a péssima fama de engasgar, principalmente nas rajadas intermitentes e nas mãos dos policiais; a culpa nunca foi da Lurdinha, tampouco de seus "amantes", que a manejavam com perícia. O problema sempre foi da munição .45 ACP, de fabricação nacional e de péssima qualidade, com cartuchos muito velhos e que foram entregues aos policiais, piorando mais ainda a fama de "negaciar" (negar fogo).

Mas quem, como eu, não amou a Lurdinha?

domingo, 21 de janeiro de 2018

TEM ALGUMA COISA QUE NÃO ENCAIXA... OU, A MINHA IGNORÂNCIA SOBRE PERFORMANCES!

Estamos na era das tais performances; Lula e Amorim foram fotografados assistindo a uma dessas performances em que dois homens barbudos se beijavam, trocando salivas e roçando línguas.

Dizem àqueles que leem imagens e lábios que Lula estava com cara de nojo e, Amorim, claramente virou o rosto.

Será porque respingou salivas?

Outra dessas performances deixou-me com algumas interrogações.

Título: Deserto!

Uma mulher aparece enterrada na areia, nua, claro; meia hora ali, enterrada, e com a cabeça a mostra, sem nenhum gesto. A seguir, vagarosamente, começa a mexer o corpo e, aos poucos, a areia vai sendo "arredada" dando maior espaço ao corpo que começa a aparecer; primeiramente os seios e, depois, de tanto mexer, começa a se levantar e aparece totalmente nua com a expressão vazia no olhar. Levanta-se e caminha vagarosamente em direção ao público. Fim da performance.

Na mesma linha...

Título da performance: Terra!

A mesma mulher aparece totalmente nua, deitada na terra e com a boca "cravada" em um arbusto. Fica assim mais meia hora. Várias pessoas assistindo e a mulher imóvel, sem nenhum gesto, a boca grudada ao arbusto e o corpo estendido horizontalmente com as nádegas para cima, totalmente nu. É só isso a performance.

Mais uma, com o mesmo título da anterior: Terra! (Pareceu-me que a criatividade estava escassa, inclusive nos títulos).

Desta vez a natureza é forçada a participar da tal performance.

Ainda a mesma mulher, obviamente nua, aparece parada numa área totalmente gramada; previamente a grama foi roçada deixando àquele espaço mais livre e, em volta uma grama bem mais alta. No espaço definido, com a grama baixa, a mulher, nua, está imóvel. Assim fica um tempo até que se aproxima uma retroescavadeira, lentamente e barulhenta (como todas as retroescavadeiras). Chegando a poucos metros da mulher o operador da máquina aciona a grande pá de corte e começa a cavar em volta da mulher; algum tempo cavando em forma um grande sulco deixando a mulher ilhada numa pequena área de alguns metros. Ao final formou uma ilha quadrada e a mulher nua lá em cima. Fim da performance. Esta, porém, teve o auxílio do operador da retroescavadeira.

Fosse eu jurado de tal evento, creditaria à ele, operador da retroescavadeira, o mérito pela performance.

Outra, bem mais complexa, e novamente com um coadjuvante.

A mesma mulher aparece num púlpito lendo um texto desconexo. Desta vez totalmente vestida; com uma calça Jeans e uma blusa branca, poupando a plateia de visualizá-la novamente com seus pêlos vaginais não cortados, vastos, num visual anti-higiênico.

Ela, a mulher, continua lendo o tal texto por alguns minutos e, então, aproxima-se um homem vestido com uniforme de enfermagem e um aparelho de anestesia nas mãos. A mulher abre a boca e o tal homem aplica uma anestesia em um dos lados da gengiva; massageia, como fazem os dentistas, depois sai. A mulher continua lendo, agora com mais dificuldade em função da anestesia. Esta interrupção da leitura é feita por mais quatro vezes; em todas o "dentista" aplica uma anestesia em um dos lados da gengiva, totalizando toda a boca. A cada anestesia ela recomeça a leitura até uma nova anestesia ser feita pelo "dentista"; quatro vezes; quatro anestesias.

Não é necessário dizer que ela concluiu a leitura babando.

Ao se retirar, deixa o púlpito recebendo um sofrível aplauso de dois ou três entusiastas.
Outra performance externa, similar àquela da retroescavadeira, em que a natureza é forçada a participar.

Em um campo está armado um "altar" de tijolos e um mastro ao centro, no alto. Chega a mulher com uma veste totalmente transparente, esvoaçante, branca, com fendas dos dois lados, fazendo a veste abrir-se totalmente pela ação do vento; ela nua por baixo, como de costume.

A mulher sobe ao "altar" e um homem amarra seus punhos às costas e ao mastro. A seguir vários outros homens começam a colocar arbustos secos em volta do "altar". É tanto arbusto que a mulher quase sumiu, ficando somente com a cabeça a mostra.

Juro! Pensei que iriam colocar fogo; ai lembrei-me do título da performance: A intenção!

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

VAMOS ACORDAR?

Acordo pela manhã, bem cedo, talvez inconscientemente lembrando o Clarim tocar Alvorada e penso que poderíamos ter mais um chance; só mais uma. Começar de novo!
Certamente que eu iria repensar algumas coisas; todos nós repensaríamos.
É, ... todos nós!
Não sou tão egoísta assim, eu gostaria de uma nova chance com todos nós juntos, afinal eu nada seria se não fosse com vocês.
Sim, .. vocês que fazem parte deste mundo que nós ao mesmo tempo que nos fazemos, fazemos o mundo. Este mundo!
Mas o que eu repensaria? O que nós repensaríamos?
Toque da Alvorada
Eu gostaria de ouvir tocar novamente o Clarim da Alvorada; ter o viço daquela juventude para fazer o que não foi feito; a tranqüilidade e a boa ingenuidade da pós adolescência; o fogo, a garra, a energia, a paixão e talvez até a inconsequência que nos fazia homens sem medo.
Quando lembro, e eu ainda lembro, do trânsito, passo a passo, dos percalços, dificuldades, barreiras; de portas fechadas e de caminhos que pareciam infindáveis, lembro também do que disse Heráclito: "Tudo flui e nada permanece; tudo se afasta e nada fica parado.... Você não consegue se banhar duas vezes no mesmo rio, pois outras águas e ainda outras sempre vão fluindo.... É na mudança que as coisas acham repouso...."
Pois, então, neste repouso de hoje, onde as mudanças acontecem e o que dói vai sarar e o que é bom pode piorar é necessário olhar para a frente pois o Clarim não vai tocar; a Alvorada já se foi e o que resta é andar em frente. É nesse trânsito existencial que caminhamos todos juntos; uns mais para trás outros mais à frente mas ninguém, ninguém mesmo, deixa de seguir o seu percurso. É por isso também que não posso esquecer do provérbio latino: "Praeteritum tempus umquam revertitur" ou Tempo perdido não se recupera!
Não podemos perder tempo! Mas podemos relembrar; e na lembrança o Clarim toca e aprimora o pensamento: "O difícil se faz agora, o impossível logo a seguir".
É isso mesmo! Lamentações não devem ser nossa máxima e o que passou foi a melhor coisa de nossas vidas mas, nossas vidas, ainda não estão completas, é preciso mais.
A cada passo dado uma pedra do quebra cabeças se assenta em seu lugar; o lugar certo, e único.
Quando o Clarim tocar, não será mais o Clarim da Alvorada de ontem, pois sempre existirá uma nova Alvorada!

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

VAMOS TOMAR CAFÉ?

Já faz algum tempo que ando desiludido com a cultura do livro, da leitura. Em todo o mundo está disseminada uma outra cultura: A da Anorexia Literária! Já escrevi anteriormente um texto a respeito e continuo acreditando que se o apetite pela leitura se esvai; da mesma forma desce ladeira abaixo a possibilidade do senso crítico ter meios de se alimentar. Estamos caminhando em direção a morte das idéias; sepultando a possibilidade de controlarmos o mundo e deixando a tecnologia nos contaminar a tal ponto que seremos, em breve, escravos de máquinas. 

Parece uma contradição: Escravos de nós mesmos!

O avanço tecnológico só foi possível pela inteligência e magnitude do pensamento humano, mas esse pensamento foi forjado por homens que buscaram o conhecimento e se convenceram que conhecer é superar o próprio conhecimento. As idéias devem ser incessantemente confrontadas com suas antíteses para que possam se manter no topo do desenvolvimento. Assim, dia após dia, chegamos ao que antes não era possível a não ser pelo pensamento.

Pensar é criar a possibilidade...

O pensamento deve ser forjado na leitura, como ferro e fogo, pois o metal mais forte é forjado na chama mais quente. Ler alimenta a alma mas também as idéias que deverão ser, sempre, testadas e reavaliadas. Uma ideia que se mantém inalterada é como chama que se apaga por falta de lenha no fogo. É necessário realimentar as idéias e através da leitura o fazemos incessantemente. O livro é o meio para tal procedimento e se o mantivermos fisicamente melhor ainda, pois saboreá-lo página a página é como pássaro sorvendo o néctar da flor, gota a gota.

O desenvolvimento tecnológico deve continuar mas se pararmos de pensar, de alimentar o pensamento e de sobrepujar idéias ficaremos escravos de uma construção que se estagnará no tempo; por si só a tecnologia não avançará a não ser construindo máquinas  que um dia escravizarão o homem.

Será que já não somos escravos das máquinas?

Houve um tempo que meu pai cortava lenha para alimentar a lareira que aquecia a casa; minha mãe cozinhava ao fogão onde ardia o fogo, mantido pela mesma lenha; a tardinha, quando aproximava-se a noite, a luz ainda era a de "candieiros" e "lampiões", ou mesmo da lareira que ainda aquecia a casa com as brasas avermelhadas que sobraram de uma das dádivas da natureza que o homem se utilizava para seu conforto. Não existiam botões que controlavam o acender ou apagar de luzes e tampouco as máquinas para lavar a roupa ou a louça; não sonhava-se com ar-condicionado e tampouco com um despertador que não fosse o galo que cantarolava todas as manhãs no mesmo horário, sem atrasar. Levantar-se, abrir a janela e respirar o ar perfumado da manhã era bem diferente do ar que respiramos hoje nas grandes cidades; não tinha o mesmo perfume que hoje respiro, na mesma avenida de outrora. Tudo mudou! 

É necessário que se continue a mudança, mas adaptá-la e reencetá-la para o rumo mais adequado ao ser humano.

Ler é buscar esse rumo, desenvolvendo idéias e alimentando o pensamento.

domingo, 31 de dezembro de 2017

A CARNE E O FOGUETE

Hábitos, manias e neuroses são coisas difíceis de se tratar; mais ainda quando incautos e ignorantes (àqueles que ignoram alguma coisa) são escolhidos pelos manipuladores do senso comum.
Criar um hábito não é difícil, em se tratando de pessoas não afeitas a buscar o conhecimento, a ler, se informar ou, no mínimo, desocultar aquilo que lhe é apresentado como verdade.
A Lei criada por um deputado estadual de São Paulo, aproveitando o que já vigora em outros 34 países, com a "segunda sem carne", que nem ao menos foi, ainda, vetada ou não pelo Governador, está causando histeria pela internet pelo simples fato de que a maioria dos censores, libertários ou, como se dizem, democratas, nem leram o tal projeto.
Some-se ignorância, má fé, desconhecimento, preguiça, manipulação, ideologia e a sempre frequente, infernal e maléfica mania de certos brasileiros criticarem o que não sabem e, pior, se for "político é ladrão"; esquecendo-se que não existe político sem voto e mandato sem anuência de eleitores.
Tal ignorância reflete-se, também, no foguetório de final de ano, defendido com unhas e dentes por muitos que desconhecem o porquê do foguetório, sua história e os malefícios que causam não só para os animais; mas também para o homem.
Alguns insanos, como não poderia deixar de ser, escreveram em seus pomposos "posts" a expressão: "Que os cachorros se f..." Mal sabem que serão eles mesmos a tomarem esse rumo caso persistam na sandice de comemorar qualquer evento com barulhos ensurdecedores e sem qualquer sentido; mesmo porquê não sabem o sentido que teria em soltar foguetes em "comemoração" ao novo ano.
Como a internet é livre para as manifestações, sejam quais forem, eu as respeito e não as contradigo nas postagens de seus adeptos; assim como em minhas manifestações são poucos àqueles que se arriscam a contradizê-las; ou por respeito ou por falta de argumentos, mesmo porque não iria eu levar adiante histéricos debates de internet.
Meus textos têm que servir para alguma coisa; mesmo que seja para um tênue alerta àqueles que buscam desocultar certas verdades escondidas e amordaçadas por muita ideologia contida nas redes sociais.
Os fogos de final de ano poderiam ser apenas fogos, sem explosões, como em Santos-SP, e as geladeiras dos famintos por carne poderão ser abastecidas sem problemas, mesmo com a lei paulista não seja vetada pelo governador.
"La vérité ne peut pas être cachée!"

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

O VÔO DAS ANDORINHAS...

O tempo não passa, como normalmente ouvimos falar ou em escritos aqui e acolá; o tempo espreita-nos, de olho rasteiro e perplexo pelo nosso caminhar.
Aligeiramo-nos quando deveríamos dar passos lentos, mas firmes e decididos. Escolhemos ruelas, quando belas estradas estão disponíveis para se trilhar; fazemos de nós mesmos escravos de regras mal regradas e transformamos nosso passar existencial em um tormento de lamúrias em que lobos sedentos digladiam-se para abocanhar seu igual numa carnificina virulenta.
Quem somos nós, humanos?

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

O ÚLTIMO DOS MOICANOS!

Onde foi que erramos?
Toda minha geração tinha o dever de construir um futuro promissor e sem lamentos; lutamos contra velhos erros, mas criamos novos e fomos traídos pela ingenuidade.
Nosso dever foi o de orientar aos jovens para somar diferenças unindo em uma única canção a beleza da existência.
Onde erramos?
Os jovens estão dispersos, perdidos no vazio de uma sociedade de egos, de competição sem ética; de moral combalida; numa mortífera parafernália de vícios, lascívia e devassidão; desencontrados e seduzidos pela mentira orquestrada por antigos marginais que antes da agonia deixaram discípulos reescrevendo a história e manipulando escolas, destruindo a família e confundindo mentes inocentes e incautas.
Ainda existe tempo para reencetar essa caminhada... a orquestra de jovens não pode se dispersar, pois a luta continua; mesmo que sejamos o último dos moicanos!

domingo, 26 de novembro de 2017

I WANT TO HOLD YOUR HAND

A potência vocal com que The Beatles iniciam essa música, além de deixar uma imensa saudade faz com que tenhamos a obrigação de aproveitar a vida, pois nosso estágio existencial é muitíssimo curto e vai, a cada segundo, corroendo-nos as vísceras e neurônios, garganta e voz, visão e olfato... Sorte que nossa alma é eterna.
Por conta dessa eternidade é que escuto Paul como sempre escutei I Want To Hold Your Hand, sabendo que tudo passa, mas que ainda estamos aqui!


Vamos nos dar as mãos!
Paul - 1964

Paul - 2017

sábado, 18 de novembro de 2017

LEVE VANTAGEM VOCÊ TAMBÉM!

JEITINHO BRASILEIRO EM ORLANDO-USA
Quando não tem jeito o brasileiro dá um jeitinho; na conversa publicitária do grande jogador Gerson, o brasileiro quer "levar vantagem em tudo", "leve vantagem você também!", exclamava o jogador na propaganda do cigarro Vila Rica.
Em Orlando empresas de brasileiros e brasileiros sem empresa já empresariaram um outro jeitinho: Vender horários para atendimento no Consulado Geral do Brasil.
Aproximando-se a época de grande demanda para atendimento naquele consulado os "vivaldinos" agendam horários e depois saem a vender aos incautos, uma prática criminosa, se não no Brasil, nos Estados Unidos sim!
Desde o dia 15 de novembro o Consulado estendeu os horários de atendimento para dar prioridade aos cidadãos brasileiros, é só acessar a agenda do Consulado em https://cgmiami.appointy.com. E também já avisou: Tomará medidas judiciais contra àqueles que vendem horários de atendimento e contra àqueles que compram.
Não pensem, tais adeptos da ideia de Gerson, que o detetive será o Mickey, pois a tarefa não será mera fantasia.

sábado, 11 de novembro de 2017

UM ADEUS DOLORIDO

SEGUIMOS NOSSO CAMINHO...
...e quando chegar a hora partimos; não se pode protelar e nem mesmo minimizar o sentimento de quem fica.
Não devemos nada a nenhum daqueles com quem mantivemos a caminhada existencial por um tempo; foi bom, caminhar é sempre bom, e àqueles que nos acompanharam foram fieis e amorosos no trânsito que nos foi legado.
Acreditem ou não foi o Criador quem deixou-nos sorver o nectar existencial e à Ele voltamos para uma nova missão.
Àqueles que estiveram compartilhando por um tempo a presença existencial continuem, pois o caminho é um só e cada um tem sua estrada para percorrer.
Comam e divirtam-se (!), pois a vida é para ser compartilhada com alegrias.
Não existe adeus, a vida é apenas um estágio do Ser; saibam que o tempo apenas nos espiona enquanto transitamos, com passos largos, em busca do eterno...
Siga teu caminho tio João Guterres, forcei para que as lágrimas não fossem derramadas, mas não as pude conter.

segunda-feira, 31 de julho de 2017

FILHO DE TORNA VIAGEM...

No ano de 1981, depois de alguns anos como Militar do Exército Brasileiro, montei uma Editora; tinha o pomposo nome de Editora Jornalística Laçador e, além de uma Revista de Turismo e um Jornal de Notícias, editados mensalmente, propunha-me a editar livros. Uma das primeiras edições da novel empresa foi o Livro do advogado Léo da Silva Alves, então pouco conhecido pois sua labuta tinha sido somente no interior do Rio Grande do Sul, numa pequena cidade da Fronteira Oeste gaúcha, de nome Rosário do Sul. 

A propósito, foi naquela cidade que o conheci. Léo era jovem, labutava na rádio local e tinha sido eleito vereador. Eu, numa missão que me foi confiada, assumi a direção daquela emissora de rádio por um período específico, e foi lá que nos conhecemos.

Mas por que agora venho escrever sobre um advogado do interior de Rosário do Sul? Porque a caminhada existencial tem propósitos; os encontros e desencontros não são mera obra do acaso e a sociedade necessita conhecer melhor sua história, incluindo os grandes homens que a fazem.

Costumo escrever que ao mesmo tempo que nos fazemos no mundo fazemos o próprio mundo; estamos numa permanente construção: Existencial e Social. Os homens necessitam saber sobre quem os cerca e definir, movidos pela razão, quem melhor pode representa-los nessa organização complexa que chamamos de sociedade e que é movida por outro complexo e mal organizado grupo denominado de políticos.

O livro
Quando Léo Alves escreveu o Livro Ao Redor da Casa Branca, em seu prefácio o historiador Tarcísio Taborda sentenciou: "É o filho de torna viagem!" Uma longa análise sobre o escrito e a necessidade do relato; todo o viajante que sai da sua terra, por uma razão psicológica talvez, seria induzido inconscientemente a escrever sobre suas viagens. 

Àquele historiador gaúcho me confidenciaria, à época, que sua análise sobre a obra tinha por base essa ideia: o homem tem a necessidade de "contar seus feitos", mesmo que sejam somente "recordações daquilo que vê por onde passa". Eu confidencio, e não o fiz à Taborda, que não fiquei satisfeito com àquela análise. Posso estar errado e até devo estar; Tarcísio Taborda tinha uma incrível visão para o fato histórico. Mas continuo não satisfeito e, talvez, seja por isso que agora escrevo.

Léo não foi somente um viajante e um escritor de torna viagem! Esse gaúcho rosariense, rebuscado na fala, eivada de terminologias jurídicas, me surpreendeu quando jovem e ainda hoje me surpreende.

Depois de vários encontros e reencontros, aqui e acolá, e passado vários anos, nossos passos se cruzaram novamente, agora em Brasília, onde Léo ainda se encontra e onde mantém sua base intelectual e jurídica criando teses e as defendendo. Na linguagem militar é lá que mantém sua trincheira.

Brasília, a bem organizada capital do nosso País é, na verdade, uma ilha da fantasia. Os três poderes, capitaneados por uma política sórdida, que a tudo contamina, não mais são àqueles de outrora e as quimeras se realizam apenas para alguns poucos; justamente àqueles que deveriam propiciar a realização do sonho de toda uma Nação. É lá que se criam as Leis que irão determinar a vida de todos os cidadãos; mas seus criadores estão fechados em gabinetes herméticos, longe da realidade para o qual àquelas leis são criadas. Vivem em um mundo que não é o mundo do povo que compõem a Nação pela qual legislam. Talvez por isso decidi não mais envolver-me na atividade política deixando Brasília e a ilha da fantasia; felizmente não me desliguei das boas pessoas que lá permanecem.

Léo da Silva Alves é uma dessas pessoas!

Acompanho suas atividades e vejo, além do esforço e da tenacidade naquilo a que se propõe, também uma utopia engajada; tornada realidade desfaria toda a fantasia existente nos palácios brasilienses.

Seu mais recente livro traz no título a utopia de um pensador político sem a ambição monetária e sim com a ambição de possibilitar ao povo a construção de um País realmente livre das amarras eleitoreiras.

Luzes do Planalto, da editora Rede, contém as ideias do jovem Léo, para iluminar a política brasileira.

domingo, 2 de julho de 2017

O INFERNO DE GABRIEL E A PAIXÃO POR BEATRIZ

Foi o mais avassalador sentimento de um homem por uma mulher; embora não pudessem viver a paixão que os consumia pois, um e outro, haveriam de casar por imposições familiares, restava a paixão e o platonismo que desencadeava os mais belos poemas para Beatriz, como o Canto dos Cisnes:

"Tão longamente me reteve Amor
E acostumou-se à sua tirania,
Que, se a princípio parecia rude,
Suave agora me habita o coração.
Assim, quando me tira tanto as forças
Que os espíritos vejo me fugirem,
Então a minha frágil alma sinto
Tão doce, que o meu rosto empalidece,
Pois Amor tem em mim tanto poder
Que faz os meus suspiros me deixarem
E saírem chamando
A minha amada, para dar-me alento.
Onde quer que eu a veja, tal sucede,
E é coisa tão humil que não se crê."

Beatriz, mulher de outro, um dos maiores adultérios espirituais da história da literatura, é personagem viva em toda poesia de Dante:

"Pelo exemplo de Beatriz compreende-se 
facilmente como o amor feminino dura pouco, 
se não for conservado aceso pelo olhar e pelo tacto do homem amado."

Aníbal de La Vharga, em 1953, deu sua versão:

"- Diga-me, Beatriz, você nunca sonha comigo?...

Agitado pela carreira, aberto o gibão, o rosto aceso e os gestos um tantos entorpecidos, apresenta o jovem um aspecto diferente, que intimida a moça. As amigas, julgando-o ébrio, aconselham-na a retirar-se.

- Vamos querida Bice, deixe-o.

- Não, não vá! Responda-me - insiste Dante, aproximando-se ainda mais. Beatriz retrocede e se afasta rapidamente.

- Sempre é assim! Nos sonhos também não consigo alcança-la. Tem a pele demasiadamente branca.

Logo após este encontro, suas diversões têm o caráter de orgias. Dante beija todas as bocas formosas que encontra, rima odes, bebe e chama de Beatriz a todas as mulheres.

- Num homem existe o anjo e o demônio - explica ele a um companheiro. Mas eu possuo uma característica especial: tenho o anjo separado do demônio. O anjo se chama Beatriz, o diabo sou eu. Os dois juntos somos um."

Dante Alighieri nasceu em Florença, no ano de 1265; era o período medieval e reinava São Luís IX na França. São Tomás de Aquino e São Boaventura ainda viviam, haviam cruzadas e se construíam as grandes catedrais. Dante faleceu no ano de 1321 no dia 14 de setembro.

Beatriz Portinari, ou Beatrice (Bice) Portinari em italiano, nasceu em 1266 e faleceu no dia 8 de junho de 1290; foi a musa e a paixão de Dante.

Toda a paixão de Dante por Beatriz deu, também, origem ao romance de Sylvain Reynard (pseudônimo de autor desconhecido) "O Inferno de Gabriel", onde um professor universitário apaixona-se por sua aluna e amiga da família e a transforma na sua Beatriz. 

Envolvente, mas também cansativo, o romance personifica a Beatriz de Dante na figura de Juliane, a Beatriz de Gabriel:

"O calor irradiava de seus braços nus e de sua blusa, aquecendo-a.
Ela respirou fundo e em seguida suspirou, contente e impressionada ao notar como se encaixava bem debaixo do braço dele. Como se tivesse sido feita para ele.
- Você é Beatriz.
- Beatriz?
- Beatriz, de Dante.
- Ela ficou vermelha.
- Não sei quem é.
Gabriel deu uma risadinha, seu hálito quente contra o rosto dela enquanto esfregava o nariz em sua orelha.
- Eles não lhe contaram? Não disseram que o filho pródigo está escrevendo um livro sobre Dante e Beatriz?
Quando Julia não respondeu, ele levou os lábios até o topo de sua cabeça e pousou um beijo suave em seu cabelos."