sábado, 18 de novembro de 2017

LEVE VANTAGEM VOCÊ TAMBÉM!

JEITINHO BRASILEIRO EM ORLANDO-USA
Quando não tem jeito o brasileiro dá um jeitinho; na conversa publicitária do grande jogador Gerson, o brasileiro quer "levar vantagem em tudo", "leve vantagem você também!", exclamava o jogador na propaganda do cigarro Vila Rica.
Em Orlando empresas de brasileiros e brasileiros sem empresa já empresariaram um outro jeitinho: Vender horários para atendimento no Consulado Geral do Brasil.
Aproximando-se a época de grande demanda para atendimento naquele consulado os "vivaldinos" agendam horários e depois saem a vender aos incautos, uma prática criminosa, se não no Brasil, nos Estados Unidos sim!
Desde o dia 15 de novembro o Consulado estendeu os horários de atendimento para dar prioridade aos cidadãos brasileiros, é só acessar a agenda do Consulado em https://cgmiami.appointy.com. E também já avisou: Tomará medidas judiciais contra àqueles que vendem horários de atendimento e contra àqueles que compram.
Não pensem, tais adeptos da ideia de Gerson, que o detetive será o Mickey, pois a tarefa não será mera fantasia.

sábado, 11 de novembro de 2017

UM ADEUS DOLORIDO

SEGUIMOS NOSSO CAMINHO...
...e quando chegar a hora partimos; não se pode protelar e nem mesmo minimizar o sentimento de quem fica.
Não devemos nada a nenhum daqueles com quem mantivemos a caminhada existencial por um tempo; foi bom, caminhar é sempre bom, e àqueles que nos acompanharam foram fieis e amorosos no trânsito que nos foi legado.
Acreditem ou não foi o Criador quem deixou-nos sorver o nectar existencial e à Ele voltamos para uma nova missão.
Àqueles que estiveram compartilhando por um tempo a presença existencial continuem, pois o caminho é um só e cada um tem sua estrada para percorrer.
Comam e divirtam-se (!), pois a vida é para ser compartilhada com alegrias.
Não existe adeus, a vida é apenas um estágio do Ser; saibam que o tempo apenas nos espiona enquanto transitamos, com passos largos, em busca do eterno...
Siga teu caminho tio João Guterres, forcei para que as lágrimas não fossem derramadas, mas não as pude conter.

segunda-feira, 31 de julho de 2017

FILHO DE TORNA VIAGEM...

No ano de 1981, depois de alguns anos como Militar do Exército Brasileiro, montei uma Editora; tinha o pomposo nome de Editora Jornalística Laçador e, além de uma Revista de Turismo e um Jornal de Notícias, editados mensalmente, propunha-me a editar livros. Uma das primeiras edições da novel empresa foi o Livro do advogado Léo da Silva Alves, então pouco conhecido pois sua labuta tinha sido somente no interior do Rio Grande do Sul, numa pequena cidade da Fronteira Oeste gaúcha, de nome Rosário do Sul. 

A propósito, foi naquela cidade que o conheci. Léo era jovem, labutava na rádio local e tinha sido eleito vereador. Eu, numa missão que me foi confiada, assumi a direção daquela emissora de rádio por um período específico, e foi lá que nos conhecemos.

Mas por que agora venho escrever sobre um advogado do interior de Rosário do Sul? Porque a caminhada existencial tem propósitos; os encontros e desencontros não são mera obra do acaso e a sociedade necessita conhecer melhor sua história, incluindo os grandes homens que a fazem.

Costumo escrever que ao mesmo tempo que nos fazemos no mundo fazemos o próprio mundo; estamos numa permanente construção: Existencial e Social. Os homens necessitam saber sobre quem os cerca e definir, movidos pela razão, quem melhor pode representa-los nessa organização complexa que chamamos de sociedade e que é movida por outro complexo e mal organizado grupo denominado de políticos.

O livro
Quando Léo Alves escreveu o Livro Ao Redor da Casa Branca, em seu prefácio o historiador Tarcísio Taborda sentenciou: "É o filho de torna viagem!" Uma longa análise sobre o escrito e a necessidade do relato; todo o viajante que sai da sua terra, por uma razão psicológica talvez, seria induzido inconscientemente a escrever sobre suas viagens. 

Àquele historiador gaúcho me confidenciaria, à época, que sua análise sobre a obra tinha por base essa ideia: o homem tem a necessidade de "contar seus feitos", mesmo que sejam somente "recordações daquilo que vê por onde passa". Eu confidencio, e não o fiz à Taborda, que não fiquei satisfeito com àquela análise. Posso estar errado e até devo estar; Tarcísio Taborda tinha uma incrível visão para o fato histórico. Mas continuo não satisfeito e, talvez, seja por isso que agora escrevo.

Léo não foi somente um viajante e um escritor de torna viagem! Esse gaúcho rosariense, rebuscado na fala, eivada de terminologias jurídicas, me surpreendeu quando jovem e ainda hoje me surpreende.

Depois de vários encontros e reencontros, aqui e acolá, e passado vários anos, nossos passos se cruzaram novamente, agora em Brasília, onde Léo ainda se encontra e onde mantém sua base intelectual e jurídica criando teses e as defendendo. Na linguagem militar é lá que mantém sua trincheira.

Brasília, a bem organizada capital do nosso País é, na verdade, uma ilha da fantasia. Os três poderes, capitaneados por uma política sórdida, que a tudo contamina, não mais são àqueles de outrora e as quimeras se realizam apenas para alguns poucos; justamente àqueles que deveriam propiciar a realização do sonho de toda uma Nação. É lá que se criam as Leis que irão determinar a vida de todos os cidadãos; mas seus criadores estão fechados em gabinetes herméticos, longe da realidade para o qual àquelas leis são criadas. Vivem em um mundo que não é o mundo do povo que compõem a Nação pela qual legislam. Talvez por isso decidi não mais envolver-me na atividade política deixando Brasília e a ilha da fantasia; felizmente não me desliguei das boas pessoas que lá permanecem.

Léo da Silva Alves é uma dessas pessoas!

Acompanho suas atividades e vejo, além do esforço e da tenacidade naquilo a que se propõe, também uma utopia engajada; tornada realidade desfaria toda a fantasia existente nos palácios brasilienses.

Seu mais recente livro traz no título a utopia de um pensador político sem a ambição monetária e sim com a ambição de possibilitar ao povo a construção de um País realmente livre das amarras eleitoreiras.

Luzes do Planalto, da editora Rede, contém as ideias do jovem Léo, para iluminar a política brasileira.

domingo, 2 de julho de 2017

O INFERNO DE GABRIEL E A PAIXÃO POR BEATRIZ

Foi o mais avassalador sentimento de um homem por uma mulher; embora não pudessem viver a paixão que os consumia pois, um e outro, haveriam de casar por imposições familiares, restava a paixão e o platonismo que desencadeava os mais belos poemas para Beatriz, como o Canto dos Cisnes:

"Tão longamente me reteve Amor
E acostumou-se à sua tirania,
Que, se a princípio parecia rude,
Suave agora me habita o coração.
Assim, quando me tira tanto as forças
Que os espíritos vejo me fugirem,
Então a minha frágil alma sinto
Tão doce, que o meu rosto empalidece,
Pois Amor tem em mim tanto poder
Que faz os meus suspiros me deixarem
E saírem chamando
A minha amada, para dar-me alento.
Onde quer que eu a veja, tal sucede,
E é coisa tão humil que não se crê."

Beatriz, mulher de outro, um dos maiores adultérios espirituais da história da literatura, é personagem viva em toda poesia de Dante:

"Pelo exemplo de Beatriz compreende-se 
facilmente como o amor feminino dura pouco, 
se não for conservado aceso pelo olhar e pelo tacto do homem amado."

Aníbal de La Vharga, em 1953, deu sua versão:

"- Diga-me, Beatriz, você nunca sonha comigo?...

Agitado pela carreira, aberto o gibão, o rosto aceso e os gestos um tantos entorpecidos, apresenta o jovem um aspecto diferente, que intimida a moça. As amigas, julgando-o ébrio, aconselham-na a retirar-se.

- Vamos querida Bice, deixe-o.

- Não, não vá! Responda-me - insiste Dante, aproximando-se ainda mais. Beatriz retrocede e se afasta rapidamente.

- Sempre é assim! Nos sonhos também não consigo alcança-la. Tem a pele demasiadamente branca.

Logo após este encontro, suas diversões têm o caráter de orgias. Dante beija todas as bocas formosas que encontra, rima odes, bebe e chama de Beatriz a todas as mulheres.

- Num homem existe o anjo e o demônio - explica ele a um companheiro. Mas eu possuo uma característica especial: tenho o anjo separado do demônio. O anjo se chama Beatriz, o diabo sou eu. Os dois juntos somos um."

Dante Alighieri nasceu em Florença, no ano de 1265; era o período medieval e reinava São Luís IX na França. São Tomás de Aquino e São Boaventura ainda viviam, haviam cruzadas e se construíam as grandes catedrais. Dante faleceu no ano de 1321 no dia 14 de setembro.

Beatriz Portinari, ou Beatrice (Bice) Portinari em italiano, nasceu em 1266 e faleceu no dia 8 de junho de 1290; foi a musa e a paixão de Dante.

Toda a paixão de Dante por Beatriz deu, também, origem ao romance de Sylvain Reynard (pseudônimo de autor desconhecido) "O Inferno de Gabriel", onde um professor universitário apaixona-se por sua aluna e amiga da família e a transforma na sua Beatriz. 

Envolvente, mas também cansativo, o romance personifica a Beatriz de Dante na figura de Juliane, a Beatriz de Gabriel:

"O calor irradiava de seus braços nus e de sua blusa, aquecendo-a.
Ela respirou fundo e em seguida suspirou, contente e impressionada ao notar como se encaixava bem debaixo do braço dele. Como se tivesse sido feita para ele.
- Você é Beatriz.
- Beatriz?
- Beatriz, de Dante.
- Ela ficou vermelha.
- Não sei quem é.
Gabriel deu uma risadinha, seu hálito quente contra o rosto dela enquanto esfregava o nariz em sua orelha.
- Eles não lhe contaram? Não disseram que o filho pródigo está escrevendo um livro sobre Dante e Beatriz?
Quando Julia não respondeu, ele levou os lábios até o topo de sua cabeça e pousou um beijo suave em seu cabelos."

sábado, 1 de julho de 2017

CAFÉ COM MARGARIDAS

QUANDO O ACASO...
...constrói uma estrada, 
não indica ao caminhante os passos que se perderam.
Retoma, ó homem, teu destino; o amanhã é infinito...

DEIXEI TUA PAIXÃO...
...platônica tomar conta das falas que não falamos e me encantei com o silêncio das palavras escondidas bem no fundo de nosso desejo!
Sem dizer tu me sentiu e, nós dois, continuamos perdidos num distante amanhecer...


O HOMEM VAGUEAVA...
...pelos caminhos tortuosos
riscados no mapa da cidade azul.
Ela passeava ao leo, colhendo margaridas
O sopro do vento ocioso...
fê-los cair em paixão!

SOPRADO PELO VENTO O....
...perfume da rosa contagiou o incauto Cravo...
...que esqueceu do espinho que lhe feriu a alma!

quinta-feira, 29 de junho de 2017

CARTA DE UM NAZISTA AO BRASIL!

“Aos cuidados do supremo comandante desta força, transmito minha admiração e meus sinceros cumprimentos á bravura de seus homens, dos quais tive o prazer de estar em batalha contra três bravos soldados, sentindo na pele a maior dificuldade e enfrentamento do qual me deparei nesta guerra. 
"Praticando um gesto de nobreza e honrando a memória dos fuzileiros, o Alto Comando do Terceiro Reich abre mão da posse do material transportado e devolve a carga ao Exército Brasileiro. 
"Informamos que os seus compatriotas mortos em batalha se encontram sepultados ao leste, próximo a um grande campo de feno. 
"Os cumprimentos de Hermann Fegelein, General de Campo do Esquadrão de Paraquedistas da Divisão 103° Airbone."
Os três bravos soldados brasileiros, heróis na 2º Guerra Mundial, que foram mortos em batalha na região de Montese, Itália, foram: Geraldo Baêta da Cruz, Arlindo Lúcio da Silva e Geraldo Rodrigues.

Quem lembrou desses heróis?
1. O General Nazista; 
2. a Banda Sueca Sabaton, que recentemente fez uma música em homenagem aos três heróis brasileiros da FEB.
Deixem morrer a história e morrerão juntos!

OBRA INACABADA...

...poderá estar saindo das cinzas!
O segundo tomo do "Quase Diário" inclui pensamentos filosóficos do cotidiano e tem como paradigma o sujeito que faz e se faz no mundo.
Como em todo "diário" é uma obra inacabada, não no conceito de arte mas no conceito de temporalidade do pensamento, que se transforma e se estende enquanto existir o trânsito existencial.
A responsabilidade e decisão em editar foi da Liberty Book, de Iowa-USA; consenti, dando autorização, por conta do incêndio que consumiu minha biblioteca com mais de 5 mil livros, teses, dissertações, quadros com pinturas e gravuras de vários artistas, os computadores que armazenavam meus escritos, incluindo teses e livros e quase todas as anotações dos dois tomos do "Quase Diário".
Eu estava nas nuvens mas minhas obras estavam na memória dos computadores; portanto, pouca coisa foi salva do incêndio, restando fragmentos.
De tais fragmentos...
..."O RELACIONAMENTO...
"...entre dois seres tem que incluir alteridade; não reconhecer o outro como a si próprio é a forma mais clara de que a relação é de sujeito x objeto.
"A alteridade é uma diferença que soma!" (II Tomo p. 95)
Aos "amigos de fé", virtuais ou não, informarei do andamento dessa publicação que está na dependência do "rescaldo", que ficou por conta da editora; espero que consigam digitar o que restou das cinzas.
Quase Diário será como o foi Fênix?

terça-feira, 13 de junho de 2017

A RESILIÊNCIA DE FÊNIX


OBRA INACABADA...


...poderá estar saindo das cinzas!

O segundo tomo do "Quase Diário" inclui pensamentos filosóficos do cotidiano e tem como paradigma o sujeito que faz e se faz no mundo.

Como em todo "diário" é uma obra inacabada, não no conceito de arte mas no conceito de temporalidade do pensamento, que se transforma e se estende enquanto existir o trânsito existencial.

A responsabilidade e decisão em editar foi da Liberty Book, de Iowa-USA; consenti, dando autorização, por conta do incêndio que consumiu minha biblioteca com mais de 5 mil livros, teses, dissertações, quadros com pinturas e gravuras de vários artistas, os computadores que armazenavam meus escritos, incluindo teses e livros e quase todas as anotações dos dois tomos do "Quase Diário".

Eu estava nas nuvens mas minhas obras estavam na memória dos computadores; portanto, pouca coisa foi salva do incêndio, restando fragmentos.

De tais fragmentos...

..."O RELACIONAMENTO...

"...entre dois seres tem que incluir alteridade; não reconhecer o outro como a si próprio é a forma mais clara de que a relação é de sujeito x objeto.

"A alteridade é uma diferença que soma!" (II Tomo p. 95)

Aos "amigos de fé", virtuais ou não, informarei do andamento dessa publicação que está na dependência do "rescaldo", que ficou por conta da editora; espero que consigam digitar o que restou das cinzas.

Quase Diário será como o foi Fênix?


quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

AMOR: Uma Via de Duas Mãos.

Você jura que é amor e passará a vida inteira sentindo paixões; somente ao final do trânsito existencial saberá discernir, e separar, o joio do trigo.

A descoberta acarretará o arrependimento desnecessário, e a exclamação sem sentido, de que poderia ter vivido diferente ou que faria tudo de outra forma.

Viver é como velejar no mar; haverá dias de calmaria e dias de tempestade mas nada será igual de um dia para o outro e tampouco haverá acontecimentos definitivos pois tudo passa!

As paixões serão, e são, transitórias; o tempo, silente, o senhor da razão. Viver é deixar acontecer fazendo o mundo e se fazendo no mundo; saber da liberdade de ser no mundo para não existir como produto ou objeto que apenas está no mundo por acaso ou complacência.

Essa transitoriedade humana, contemplada pelo tempo, faz com que tenhamos a responsabilidade para o nosso tempo, permitindo-nos existir eticamente na liberdade inalienável de Ser. Sem ética não é possível uma vida plena pois tolheremos e seremos tolhidos da liberdade existencial. Sem Amor a liberdade existencial se torna vazia e desprovida da sentimento, acarretando-lhe um descompromisso com a vida.

Amor é pois não só um sentimento que se pode vestir e se despir; amor é a responsabilidade de ser com o outro, num casamento indissolúvel de ética, moral, compromisso, doação, liberdade e alteridade; vinculando-se com toda a existência humana.

Amar é pois... Ser com o outro e não apenas estar; é colocar-se no outro e sentir o outro como Ser. É a mais linda e divina das relações humanas pois não existirá objeto, apenas sujeitos. Via de duas mãos onde o trânsito do sujeito caminha paralelamente com o outro sujeito, lado a lado; sem competições, numa parceria livre dotada de sentimento e compromisso com a felicidade.

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

O INFINITO DO ARTISTA

Seria tautológico dizer que a obra de arte é aberta, pois ela o é. O artista quando inicia o processo de criação está envolto em sua objetividade e em sua subjetividade; seu cotidiano não difere do cotidiano que cerca todos os humanos que habitam uma sociedade, e nesse processo de criação está envolto e com ele se confunde. Entretanto, como artista, no processo de criação sua subjetividade aflora independente da sua vontade objetiva. Nessa simbiose a veia artística se desenvolve externando objetividade e subjetividade e se consubstanciando no coração da obra: A sua essência e que, na duração do fazer e se fazer, culminará na sua existência.

O processo de criação exige do artista, de forma inconsciente, àquilo que lhe é próprio: a sensibilidade. É pela sensibilidade que se processa todo o arcabouço de uma obra e é pela sensibilidade que o artista a tem pronta antes mesmo de externar um só pingo de tinta em uma tela, um só pingo de caneta no papel, um só dedilhado no teclado do piano. A obra, assim, existe sem existir; vive sem ainda ter nascido. Aqui, exatamente aqui, ela tem um "dono" que lhe possibilitará o sopro da existência; ela, a obra, vive no artista, lhe é intrínseca, faz parte da sua alma. Ela é o sangue de vida do útero materno; o sêmen não processado pelo acasalamento, mas que vive em potência; pela potência de Ser.

Arduamente o artista transforma a potência em Ser, ao estabelecer o liame entre a sensibilidade e o processo de criação. Assim o artista e a obra, se fazem; uma obra tem na sua essência a sensibilidade do artista e, ao mesmo tempo, é o artista. Contém na sua composição pragmática toda essência potencializada na criação que se fez e foi feita. Enquanto o artista faz a obra a obra se faz com o artista. Esse caminho de mãos dadas, onde se misturam emoções, pensamentos, realidade e irrealidade; sensibilidade, manifestações inconscientes faz da obra em formação sempre inacabada; sendo criada ao mesmo tempo em que se cria. O artista cria a obra e a obra se cria com o artista. Uma obra de arte em criação nunca é, nem mesmo um esboço; a primeira pincelada, a primeira tentativa de aformoseamento aflora-se pela sensibilidade artística uma parceria entre aquilo que é pensado ou projetado e aquilo que vai se processando na criação.

Assim, pois, a obra de arte nunca é; ela está sempre em formação, pois a sua estrutura pragmática, a sua existência, será sempre aberta e a cada olhar se manifestará em processo, estando sempre em constante superação daquilo que é para aquilo que tem potência de Ser.

Exatamente nessa constante superação alia-se ao artista e à obra o seu objetivo: deixar-se ver; mostrar-se; encantar e desencantar. Questionar e despertar sonhos ou verdades. A obra é, pois livre e aqui perde a paternidade e se coloca aberta a interpretações. Ela é, por si só, uma infinidade de possibilidades interpretativas e satisfaz a cada uma dessas interpretações por estar aberta justamente a todas essas interpretações. A obra não é mais do artista, não tem mais "dono"; rompeu-se o ínfimo fio de ligação entre o criador e sua criação. Nem mesmo a própria obra é mais dona de si, pois sua extensão é infinita.

Assim, pois se vê na obra de arte o sonho, a realidade, a quimera, a verdade, a ilusão, a vida e a alma; a música e a poesia. Nessa dança em que o autor e a obra embalam àqueles que se misturam com seus olhares e com suas almas processa-se o ápice da escalada ao infinito do artista.


A FORÇA EXPRESSIVA DE UMA OBRA DE ARTE

Ghost Obra em Óleo, tela 86x63, emoldurada em quadro de madeira especial, criação do Artista Vanderlei Assis, é uma dessas exceções em que a objetividade se apresenta tão forte que a interpretação das almas mais suscetíveis à verdade expressada chegam a chocar-se. Nela o artista sobrevoou o mundo do alto da sua alma criativa e apontou, pincelada a pincelada, o caminho existencial de toda criatura. Com tons fortes expressando a natureza e brandamente, aqui e acolá, possibilitando um pequeno vazio para a fuga da realidade, onde àqueles que são tocados podem respirar e recompor-se de uma verdade inalienável, dura e única, impossível de fuga ou de postergação.

A verdade expressada por Vanderlei Assis tornou sua Obra, apresentada no Vernissage do Salão Verde da Câmara dos Deputados, em debates acalorados sobre a existência humana e os caminhos desconhecidos depois da transição entre o Ser e o Não ser. Um misto de tentativas e elucubrações filosófico-teológicas se desenvolveu durante os dias da exposição e, quiçá, durante as noites em que àqueles que lá estiveram deixaram seus pensamentos conduzir-nos aos devaneios de uma realidade impossível de se desfazer ou de se mudar.

O quadro é atípico, pois foi rejeitado pela filha do artista que viu, naquela obra, a retratação de uma caminhada existencial associada a seus pais. Claro uma interpretação também atípica, pois envolveu a passionalidade, compreensível pela ligação emocional.
Foi por essa atipicidade que o quadro envolveu tantas outras pessoas, entre debates acalorados e as tentativas de estabelecerem-se primazias filosóficas ou teológicas nos argumentos de mesa de bar.

Por atenção, amizade e o fugaz coleguismo de atividade, que nos levou a estreitar mais ainda nossos laços ideológicos, fui brindado com a preferência para aquisição de Ghost sem que houvesse lances de leilão, comuns em situações de disputas por obras de arte. O quadro acompanha-me desde aquela época e tem uma história não só esboçada na surpresa pelo choque da sua expressão causado na filha do artista como pela sua “sobrevivência” ao incêndio que destruiu minha biblioteca, consumindo uma infinidade de livros raros e o acervo de obras de arte amealhado em mais de 40 anos, entre outras raridades. Sobreviveu Ghost que, por ironia, expressa uma objetividade existencial irrefutável: O viver e o morrer!


O ARTISTA

Vanderlei Assis é um desses artistas difíceis de encontrar nos catálogos comuns dos Marchands, pois ele é especial sem querer sê-lo. Sua generosidade humana, desvestida do ego, do pragmatismo fútil e comercial, do esnobismo e do convencimento ilusório; sua tranquilidade, irradiando paz mesmo em meio a uma guerra; a leveza de sua alma que colhe do nada a semente para frutificar a obra, criando belas ilusões ou afrontando-nos com verdades absolutas, que por vezes fugimos de ver, ou de aceitar, são mostras da sua potencialidade como Artista.

Esse Vanderlei-Artista conheci muito tempo depois de com ele transitar por caminhos eivados de espinhos na estrada política. Nosso trânsito pelas áridas estradas que possibilitam encontros e desencontros, nos debates ideológicos, não me deixaram ver no colega político um Artista com a sensibilidade que ora reconheço. Médico, Físico, Professor e Matemático o Artista Vanderlei se completa na Arte e a Arte o completa. Suas várias obras retratam desde o rosto desconhecido expressando a existência humana, passando pelas fotografias da sua terra, o Rio de Janeiro, onde o mar é a mansidão e a infinitude, até um surréalisme francês cunhado por André Breton com base na ideia de "estado de fantasia supranaturalista" de Guillaume Apollinaire, e que traz um sentido de fuga da realidade comum, transpondo-se para uma supra realidade. Essa tentativa de resolver uma contradição antiga entre sonho e realidade criando uma realidade absoluta faz daqueles e dos atuais artistas exploradores, nas artes, do imaginário e dos impulsos ocultos na mente.

Vanderlei seguramente tem do seu público, de seus admiradores e dos seus companheiros de tantas lutas, algumas perdidas, outras vencidas, sem que vencer tenha sido a glória, mas sim a compensação pelo esforço de se querer o melhor para àqueles que habitam este mundo que nos foi dado por emanação, tem, sim, seguramente uma gratidão pela sua generosidade humana expressada por la sympathie de l'artiste.


Ghost Obra em Óleo, tela 86x63, emoldurada em quadro de madeira especial, criação do Artista Vanderlei Assis.



domingo, 30 de outubro de 2016

É PRECISO LEMBRAR


No fundo de cada um de nós existe um Céu e um inferno, uma luta interna que faz do ser humano um guerreiro tenaz em busca da melhor vitória.

A luta é aguerrida e alguns vencem para o mal e, outros, vencem para o bem.
Mas é preciso também reconhecer:

Existe mais Paz do que Guerra;

Mais gente boa do que gente ruim;

Mais amor do que ódio.

Só falta amordaçarmos o inferno que existe dentro de cada um de nós para deixar florescer o Céu!

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

POR QUE CORTAMOS NOSSOS CABELOS?




POR QUE CORTAMOS NOSSOS CABELOS?
A juventude que revolucionou os anos 60 tinha uma característica incomum para a época: Os homens começaram a usar cabelos compridos; e, por uma ironia, muitas meninas cortavam seus cabelos ao estilo “homenzinho”, bem curtinhos. Mas não foi somente esta mudança estética que revolucionou e escandalizou muita gente na época da chamada “juventude transviada”, “jovem guarda” e tantas outras denominações.

A música, o rock principalmente, com sua batida forte e que John Lennon denominou muito bem dizendo que, diferente dos demais ritmos, o rock “atingia diretamente às vísceras”, foi o “grito” da independência de uma juventude que nada mais queria do que ser feliz. 

Ser Feliz, nada mais!

Nos anos 60 os jovens não queriam bater em ninguém; não queriam revolução, ao contrário, quando existia luta de ideias era pela paz, unicamente pela paz. A guerra no Vietnã, sustentada pelos norte-americanos, tinha a oposição ferrenha dos jovens de todo o mundo e John Lennon, na época já separado dos Beatles, foi um dos artistas mais destacadas na luta contra a guerra; dizem alguns que sua morte teve cunho político e que sua oposição à guerra do Vietnã foi o motivo principal para que o “stablisment” tenha arquitetado o seu assassinado através das mãos de um inocente útil psicopata.

Muitas outras características foram específicas da juventude dos anos sessenta e muitos escritores atribuem, também, o consumo de drogas, que na verdade se resumia em fumar maconha e não era uma tônica geral. Enquanto Suzi Quatro detonava os irreverentes rock com sua banda e seu frenético contra baixo, na plateia um ou outro espectador “pitava” seu tabaco proibido, enquanto a própria Suzi Quatro, italiana que nasceu Susan Kay Quatrocchio, após o show, saboreava bombons de chocolate, seu vício favorito.

Com o passar do tempo, os cabelos das mulheres novamente iam crescendo e o dos homens começavam a encurtar. Interessante um vídeo, que anexei à este artigo, com uma série de apresentações de Suzi Quatro desde o início da sua carreira até hoje em que, já com 66 anos de idade, a cantora e contrabaixista irreverente dos anos 60 continua com seu característico estilo; assim como vários outros artistas, entre os quais, também, Paul MacCartney que, juntamente com John Lennon, foram os mais famosos compositores e duetos daquela época.

Sobre a juventude dos anos sessenta escreve-se com romantismo, pois foi uma época romântica. Os cabelos cresceram, mas também encurtaram, pois durante a era do rock a vida tinha seu trânsito normal e os adolescentes de 16 anos chegariam aos 18 anos e tinham seus deveres a serem cumpridos como, no Brasil, e também nos Estados Unidos, prestarem o serviço militar servindo à sua Pátria.

Foi assim que testemunhei àquele tempo, participando intensamente e sendo ator e espectador. De roqueiro e cabeludo irreverente aos 16 anos aos deveres com a Pátria aos 18 anos, que se estenderem por mais 05 anos de serviço militar, cumprido com a seriedade de uma juventude que também tinha seus protestos, mas nunca esqueceu da sua responsabilidade.

No Brasil, engajados desde a pré-adolescência, no ano de 1962, pelas mãos talvez de seus pais, como foi o meu caso, muitas das crianças tinham ciência da vida de nossa república e dos acontecimentos que se desencadeavam com a possibilidade de um viés não muito favorável a estabilidade social; assim foi que em 1964, ao som do rock, alguns jovens estavam em guaritas militares ou em tanques de guerra, não em luta contra um inimigo externo que aqui estivesse nos atemorizando mas mostrando à quem de fora nos espreitava que somos suficientemente inteligentes, fortes e decididos em resolver nossos problemas com a sobriedade necessária.

Hoje, quando muitos pedem para que o Exército Brasileiro retome o poder dos civis somos nós, que estivemos naquele tempo combatendo uma possibilidade negativa ao nosso País, que alertamos da necessidade de se conservar a democracia existente e dar ao povo a responsabilidade de saber escolher seus governantes, sem que tenhamos a incumbência de reviver um tempo que desgastou nossas relações de homens de paz e de uma civilização ordeira.

Àqueles que quiserem, divirtam-se com o Vídeo de Suzi Quatro, com 1h13m17s, terão um belo trabalho musical que percorre o ano de 1970 até hoje; lembrando que Suzi Quatro iniciou sua vida de musicista aos 14 anos, em 1964.

sábado, 20 de agosto de 2016

DO FUNDO DO MEU CORAÇÃO

A mágoa talvez seja inimiga da reconciliação. Pessoas que um dia estiveram juntas e, por divergências existenciais, daquelas em que o foco da vida é visto através de ângulos diferentes, podem cultivar resíduos sentimentais que chegam a cegar o olhar, criando uma nuvem que ofusca até mesmo a visão do bem comum.

O fato de os pares estarem em desacordo sentimental não deveria significar que as arestas não resolvidas continue a interagir entre ambos ao ponto de gerar conflitos em terceiros.

É o caso de pais que resolveram por decisão própria, ou por acidente de percurso, gerar um filho e, depois, concluíram que seus caminhos nunca foram pela mesma estrada.

Quando, um e outro, agora no seu percurso próprio, continuar com a nuvem escura frente à fonte das suas interpretações, seja ela de cunho social, da vida pragmática, seja ela de cunho existencial, de uma existência vivída, nunca descortinará a possibilidade de, ele próprio, ser feliz; a magoa impossibilitará toda forma de um viver pleno de satisfações.

Pior do que tudo isso  é levar, de roldão, àquele que, em sua vida espiritual, o escolheu para possibilitar-lhe a vida terrena.

Emanuel Levinás
o Filósofo da Alteridade
Olhar para dentro de si e colher o fruto da bondade, compreensão e do amor incondicional é tarefa que toda pessoa nessa situação deveria se propor.

É importante colocar-se em alteridade; eu sou eu e o outro é como eu. Eu sou sujeito e o outro é, também, sujeito. Não existe objeto nessa relação, embora quase a totalidade dos seres-humanos continue agindo como se houvesse.

Ab imo pectore!

domingo, 7 de agosto de 2016

BASTA O TEMPO?


Se soubermos que o tempo apenas contempla um imenso nada e que nele se expressa os passos apressados de cada ser, veremos que a agonia hermética e subjetiva dos humanos são decorrentes dessa caminhada longa e curta; duradoura e efêmera que ao contrário de uma contradição é, verdadeiramente, um suspiro existencial.

domingo, 22 de maio de 2016

O PENSAMENTO A SERVIÇO DO CORAÇÃO

Todo o ser humano, em qualquer parte do mundo, em um momento de sua vida deixa-se levar pelos pensamentos; estejamos onde estivermos. Divinópolis, Recife, Porto Velho ou Santana do Livramento no Brasil; Elizabeth, Palo Alto ou Montain View nos Estados Unidos; Damaia ou Figueira da Fóz em Portugal; ou em algum canto qualquer que somente o Satéllite Provider poderá localizar, não temos saída, o pensamento estará sempre nos impondo conceitos; lembranças, boas ou más; arrependimentos; saudades; sonhos, feitos, desfeitos ou por se fazer. Uma ditadura imposta a qualquer hora à todo àquele que não souber controlá-lo.
É pois, nosso pensamento, o sensor implacável de todos os momentos da nossa vida. Não podemos nos livrar do pensamento; pensamos a todo instante e isso é inerente ao ser humano. Entretanto, podemos controlar o pensamento; podemos direcioná-lo; podemos fazê-lo "trabalhar" em nosso proveito; talvez seja por isso que Osho escreveu certa vez que "a cabeça é um bom instrumento, mas tem de ser usada como um servo - ela não deve ser o mestre".
Parece, nessa visão de Osho, que o pensamento é meramente pragmático, fazendo uma distinção entre o pensar e o amar. Nesse caso, segundo àquele pensador, o ato de amar não é uma ação do pensamento e sim ação do coração, dando à este uma autonomia tal que independe do cérebro para acontecer. "Uma pessoa muito obcecada com o pensamento em pouco tempo se esquece completamente de que também tem um coração", diz Osho, e completa: "há milhões de pessoas neste estado, sem saber o que significa o coração".
Essa postura do mais polêmico pensador do mundo contemporâneo transforma o coração não só na máquina que faz pulsar a vida, bombeando a energia vital pelo corpo humano, mas o coloca como o centro da sensibilidade; é o coração responsável pelo amor, seja àquele direcionado às questões pessoais ou àquele no nível metafísico, e faz uma crítica ao pragmatismo daqueles que se deixam levar unicamente pelo pensamento: "uma vez que a cabeça se torne o mestre e o coração seja deixado para trás, você viverá, você morrerá, mas você não saberá o que é Deus, porque não saberá o que é amor".
Para Osho o silêncio é fundamental, pois nos coloca como sujeito em relação ao pensamento e, dessa forma, poderemos controla-lo. A meditação é o caminho. Para meditar esqueça o pensamento, deixe-o fluir sem dar-lhe importância e concentre-se unicamente no silêncio, no vazio, no nada. Imagine-se numa "tábula rasa" e a partir daí seja meramente um espectador.
Parece difícil, mas é bem provável que todo àquele que começar a fazer essa distinção, entre o cérebro e o coração, transformará o pensamento no mais perfeito instrumento para servir-lhe.
Podemos começar com um conselho do próprio Osho: "Então, silencie e observe".