segunda-feira, 31 de julho de 2017

FILHO DE TORNA VIAGEM...

No ano de 1981, depois de alguns anos como Militar do Exército Brasileiro, montei uma Editora; tinha o pomposo nome de Editora Jornalística Laçador e, além de uma Revista de Turismo e um Jornal de Notícias, editados mensalmente, propunha-me a editar livros. Uma das primeiras edições da novel empresa foi o Livro do advogado Léo da Silva Alves, então pouco conhecido pois sua labuta tinha sido somente no interior do Rio Grande do Sul, numa pequena cidade da Fronteira Oeste gaúcha, de nome Rosário do Sul. 

A propósito, foi naquela cidade que o conheci. Léo era jovem, labutava na rádio local e tinha sido eleito vereador. Eu, numa missão que me foi confiada, assumi a direção daquela emissora de rádio por um período específico, e foi lá que nos conhecemos.

Mas por que agora venho escrever sobre um advogado do interior de Rosário do Sul? Porque a caminhada existencial tem propósitos; os encontros e desencontros não são mera obra do acaso e a sociedade necessita conhecer melhor sua história, incluindo os grandes homens que a fazem.

Costumo escrever que ao mesmo tempo que nos fazemos no mundo fazemos o próprio mundo; estamos numa permanente construção: Existencial e Social. Os homens necessitam saber sobre quem os cerca e definir, movidos pela razão, quem melhor pode representa-los nessa organização complexa que chamamos de sociedade e que é movida por outro complexo e mal organizado grupo denominado de políticos.

O livro
Quando Léo Alves escreveu o Livro Ao Redor da Casa Branca, em seu prefácio o historiador Tarcísio Taborda sentenciou: "É o filho de torna viagem!" Uma longa análise sobre o escrito e a necessidade do relato; todo o viajante que sai da sua terra, por uma razão psicológica talvez, seria induzido inconscientemente a escrever sobre suas viagens. 

Àquele historiador gaúcho me confidenciaria, à época, que sua análise sobre a obra tinha por base essa ideia: o homem tem a necessidade de "contar seus feitos", mesmo que sejam somente "recordações daquilo que vê por onde passa". Eu confidencio, e não o fiz à Taborda, que não fiquei satisfeito com àquela análise. Posso estar errado e até devo estar; Tarcísio Taborda tinha uma incrível visão para o fato histórico. Mas continuo não satisfeito e, talvez, seja por isso que agora escrevo.

Léo não foi somente um viajante e um escritor de torna viagem! Esse gaúcho rosariense, rebuscado na fala, eivada de terminologias jurídicas, me surpreendeu quando jovem e ainda hoje me surpreende.

Depois de vários encontros e reencontros, aqui e acolá, e passado vários anos, nossos passos se cruzaram novamente, agora em Brasília, onde Léo ainda se encontra e onde mantém sua base intelectual e jurídica criando teses e as defendendo. Na linguagem militar é lá que mantém sua trincheira.

Brasília, a bem organizada capital do nosso País é, na verdade, uma ilha da fantasia. Os três poderes, capitaneados por uma política sórdida, que a tudo contamina, não mais são àqueles de outrora e as quimeras se realizam apenas para alguns poucos; justamente àqueles que deveriam propiciar a realização do sonho de toda uma Nação. É lá que se criam as Leis que irão determinar a vida de todos os cidadãos; mas seus criadores estão fechados em gabinetes herméticos, longe da realidade para o qual àquelas leis são criadas. Vivem em um mundo que não é o mundo do povo que compõem a Nação pela qual legislam. Talvez por isso decidi não mais envolver-me na atividade política deixando Brasília e a ilha da fantasia; felizmente não me desliguei das boas pessoas que lá permanecem.

Léo da Silva Alves é uma dessas pessoas!

Acompanho suas atividades e vejo, além do esforço e da tenacidade naquilo a que se propõe, também uma utopia engajada; tornada realidade desfaria toda a fantasia existente nos palácios brasilienses.

Seu mais recente livro traz no título a utopia de um pensador político sem a ambição monetária e sim com a ambição de possibilitar ao povo a construção de um País realmente livre das amarras eleitoreiras.

Luzes do Planalto, da editora Rede, contém as ideias do jovem Léo, para iluminar a política brasileira.

domingo, 2 de julho de 2017

O INFERNO DE GABRIEL E A PAIXÃO POR BEATRIZ

Foi o mais avassalador sentimento de um homem por uma mulher; embora não pudessem viver a paixão que os consumia pois, um e outro, haveriam de casar por imposições familiares, restava a paixão e o platonismo que desencadeava os mais belos poemas para Beatriz, como o Canto dos Cisnes:

"Tão longamente me reteve Amor
E acostumou-se à sua tirania,
Que, se a princípio parecia rude,
Suave agora me habita o coração.
Assim, quando me tira tanto as forças
Que os espíritos vejo me fugirem,
Então a minha frágil alma sinto
Tão doce, que o meu rosto empalidece,
Pois Amor tem em mim tanto poder
Que faz os meus suspiros me deixarem
E saírem chamando
A minha amada, para dar-me alento.
Onde quer que eu a veja, tal sucede,
E é coisa tão humil que não se crê."

Beatriz, mulher de outro, um dos maiores adultérios espirituais da história da literatura, é personagem viva em toda poesia de Dante:

"Pelo exemplo de Beatriz compreende-se 
facilmente como o amor feminino dura pouco, 
se não for conservado aceso pelo olhar e pelo tacto do homem amado."

Aníbal de La Vharga, em 1953, deu sua versão:

"- Diga-me, Beatriz, você nunca sonha comigo?...

Agitado pela carreira, aberto o gibão, o rosto aceso e os gestos um tantos entorpecidos, apresenta o jovem um aspecto diferente, que intimida a moça. As amigas, julgando-o ébrio, aconselham-na a retirar-se.

- Vamos querida Bice, deixe-o.

- Não, não vá! Responda-me - insiste Dante, aproximando-se ainda mais. Beatriz retrocede e se afasta rapidamente.

- Sempre é assim! Nos sonhos também não consigo alcança-la. Tem a pele demasiadamente branca.

Logo após este encontro, suas diversões têm o caráter de orgias. Dante beija todas as bocas formosas que encontra, rima odes, bebe e chama de Beatriz a todas as mulheres.

- Num homem existe o anjo e o demônio - explica ele a um companheiro. Mas eu possuo uma característica especial: tenho o anjo separado do demônio. O anjo se chama Beatriz, o diabo sou eu. Os dois juntos somos um."

Dante Alighieri nasceu em Florença, no ano de 1265; era o período medieval e reinava São Luís IX na França. São Tomás de Aquino e São Boaventura ainda viviam, haviam cruzadas e se construíam as grandes catedrais. Dante faleceu no ano de 1321 no dia 14 de setembro.

Beatriz Portinari, ou Beatrice (Bice) Portinari em italiano, nasceu em 1266 e faleceu no dia 8 de junho de 1290; foi a musa e a paixão de Dante.

Toda a paixão de Dante por Beatriz deu, também, origem ao romance de Sylvain Reynard (pseudônimo de autor desconhecido) "O Inferno de Gabriel", onde um professor universitário apaixona-se por sua aluna e amiga da família e a transforma na sua Beatriz. 

Envolvente, mas também cansativo, o romance personifica a Beatriz de Dante na figura de Juliane, a Beatriz de Gabriel:

"O calor irradiava de seus braços nus e de sua blusa, aquecendo-a.
Ela respirou fundo e em seguida suspirou, contente e impressionada ao notar como se encaixava bem debaixo do braço dele. Como se tivesse sido feita para ele.
- Você é Beatriz.
- Beatriz?
- Beatriz, de Dante.
- Ela ficou vermelha.
- Não sei quem é.
Gabriel deu uma risadinha, seu hálito quente contra o rosto dela enquanto esfregava o nariz em sua orelha.
- Eles não lhe contaram? Não disseram que o filho pródigo está escrevendo um livro sobre Dante e Beatriz?
Quando Julia não respondeu, ele levou os lábios até o topo de sua cabeça e pousou um beijo suave em seu cabelos."

sábado, 1 de julho de 2017

CAFÉ COM MARGARIDAS

QUANDO O ACASO...
...constrói uma estrada, 
não indica ao caminhante os passos que se perderam.
Retoma, ó homem, teu destino; o amanhã é infinito...

DEIXEI TUA PAIXÃO...
...platônica tomar conta das falas que não falamos e me encantei com o silêncio das palavras escondidas bem no fundo de nosso desejo!
Sem dizer tu me sentiu e, nós dois, continuamos perdidos num distante amanhecer...


O HOMEM VAGUEAVA...
...pelos caminhos tortuosos
riscados no mapa da cidade azul.
Ela passeava ao leo, colhendo margaridas
O sopro do vento ocioso...
fê-los cair em paixão!

SOPRADO PELO VENTO O....
...perfume da rosa contagiou o incauto Cravo...
...que esqueceu do espinho que lhe feriu a alma!

quinta-feira, 29 de junho de 2017

CARTA DE UM NAZISTA AO BRASIL!

“Aos cuidados do supremo comandante desta força, transmito minha admiração e meus sinceros cumprimentos á bravura de seus homens, dos quais tive o prazer de estar em batalha contra três bravos soldados, sentindo na pele a maior dificuldade e enfrentamento do qual me deparei nesta guerra. 
"Praticando um gesto de nobreza e honrando a memória dos fuzileiros, o Alto Comando do Terceiro Reich abre mão da posse do material transportado e devolve a carga ao Exército Brasileiro. 
"Informamos que os seus compatriotas mortos em batalha se encontram sepultados ao leste, próximo a um grande campo de feno. 
"Os cumprimentos de Hermann Fegelein, General de Campo do Esquadrão de Paraquedistas da Divisão 103° Airbone."
Os três bravos soldados brasileiros, heróis na 2º Guerra Mundial, que foram mortos em batalha na região de Montese, Itália, foram: Geraldo Baêta da Cruz, Arlindo Lúcio da Silva e Geraldo Rodrigues.

Quem lembrou desses heróis?
1. O General Nazista; 
2. a Banda Sueca Sabaton, que recentemente fez uma música em homenagem aos três heróis brasileiros da FEB.
Deixem morrer a história e morrerão juntos!

OBRA INACABADA...

...poderá estar saindo das cinzas!
O segundo tomo do "Quase Diário" inclui pensamentos filosóficos do cotidiano e tem como paradigma o sujeito que faz e se faz no mundo.
Como em todo "diário" é uma obra inacabada, não no conceito de arte mas no conceito de temporalidade do pensamento, que se transforma e se estende enquanto existir o trânsito existencial.
A responsabilidade e decisão em editar foi da Liberty Book, de Iowa-USA; consenti, dando autorização, por conta do incêndio que consumiu minha biblioteca com mais de 5 mil livros, teses, dissertações, quadros com pinturas e gravuras de vários artistas, os computadores que armazenavam meus escritos, incluindo teses e livros e quase todas as anotações dos dois tomos do "Quase Diário".
Eu estava nas nuvens mas minhas obras estavam na memória dos computadores; portanto, pouca coisa foi salva do incêndio, restando fragmentos.
De tais fragmentos...
..."O RELACIONAMENTO...
"...entre dois seres tem que incluir alteridade; não reconhecer o outro como a si próprio é a forma mais clara de que a relação é de sujeito x objeto.
"A alteridade é uma diferença que soma!" (II Tomo p. 95)
Aos "amigos de fé", virtuais ou não, informarei do andamento dessa publicação que está na dependência do "rescaldo", que ficou por conta da editora; espero que consigam digitar o que restou das cinzas.
Quase Diário será como o foi Fênix?

terça-feira, 13 de junho de 2017

A RESILIÊNCIA DE FÊNIX


OBRA INACABADA...


...poderá estar saindo das cinzas!

O segundo tomo do "Quase Diário" inclui pensamentos filosóficos do cotidiano e tem como paradigma o sujeito que faz e se faz no mundo.

Como em todo "diário" é uma obra inacabada, não no conceito de arte mas no conceito de temporalidade do pensamento, que se transforma e se estende enquanto existir o trânsito existencial.

A responsabilidade e decisão em editar foi da Liberty Book, de Iowa-USA; consenti, dando autorização, por conta do incêndio que consumiu minha biblioteca com mais de 5 mil livros, teses, dissertações, quadros com pinturas e gravuras de vários artistas, os computadores que armazenavam meus escritos, incluindo teses e livros e quase todas as anotações dos dois tomos do "Quase Diário".

Eu estava nas nuvens mas minhas obras estavam na memória dos computadores; portanto, pouca coisa foi salva do incêndio, restando fragmentos.

De tais fragmentos...

..."O RELACIONAMENTO...

"...entre dois seres tem que incluir alteridade; não reconhecer o outro como a si próprio é a forma mais clara de que a relação é de sujeito x objeto.

"A alteridade é uma diferença que soma!" (II Tomo p. 95)

Aos "amigos de fé", virtuais ou não, informarei do andamento dessa publicação que está na dependência do "rescaldo", que ficou por conta da editora; espero que consigam digitar o que restou das cinzas.

Quase Diário será como o foi Fênix?


quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

AMOR: Uma Via de Duas Mãos.

Você jura que é amor e passará a vida inteira sentindo paixões; somente ao final do trânsito existencial saberá discernir, e separar, o joio do trigo.

A descoberta acarretará o arrependimento desnecessário, e a exclamação sem sentido, de que poderia ter vivido diferente ou que faria tudo de outra forma.

Viver é como velejar no mar; haverá dias de calmaria e dias de tempestade mas nada será igual de um dia para o outro e tampouco haverá acontecimentos definitivos pois tudo passa!

As paixões serão, e são, transitórias; o tempo, silente, o senhor da razão. Viver é deixar acontecer fazendo o mundo e se fazendo no mundo; saber da liberdade de ser no mundo para não existir como produto ou objeto que apenas está no mundo por acaso ou complacência.

Essa transitoriedade humana, contemplada pelo tempo, faz com que tenhamos a responsabilidade para o nosso tempo, permitindo-nos existir eticamente na liberdade inalienável de Ser. Sem ética não é possível uma vida plena pois tolheremos e seremos tolhidos da liberdade existencial. Sem Amor a liberdade existencial se torna vazia e desprovida da sentimento, acarretando-lhe um descompromisso com a vida.

Amor é pois não só um sentimento que se pode vestir e se despir; amor é a responsabilidade de ser com o outro, num casamento indissolúvel de ética, moral, compromisso, doação, liberdade e alteridade; vinculando-se com toda a existência humana.

Amar é pois... Ser com o outro e não apenas estar; é colocar-se no outro e sentir o outro como Ser. É a mais linda e divina das relações humanas pois não existirá objeto, apenas sujeitos. Via de duas mãos onde o trânsito do sujeito caminha paralelamente com o outro sujeito, lado a lado; sem competições, numa parceria livre dotada de sentimento e compromisso com a felicidade.