domingo, 27 de outubro de 2013

ONDE ANDARÃO? Encontros, reencontros e desencontros...

Há vários anos venho republicando este texto em meus blogs; a intenção é o reencontro, saber por onde andam velhos companheiros de caserna, na esperança de retornar no tempo através da memória.

Albatroz: passaram-se 40 anos...
Em pé: Cb. Irapuan; Cb. Dario; Cb. Bittencourt; Cb. Azevedo; Cb. S. Gandon; 
Sgt. N. Gandon (hoje Capitão); Cb. Selmo (hoje Sgt) e, agachados: Cb. Brandolf; 
Cb. Dionísio (hoje Sgt) e Cb. Mative. Encontro na Praia de Albatroz.

Pois teve êxito essas publicações e muitos contatos foram efetivados; além da tenacidade do Cb. Dário, que conseguiu reunir 10 companheiros do antigo 1º/18º R.I. de Porto Alegre (hoje 18º BIMtz, sediado em Sapucaia do Sul-RS), na praia de Albatroz, mais de 40 anos depois de cumprida a missão militar inicial. 

Lá estiveram Cb. Bittencourt, Cb. Mative, Cb. Azevedo, Cb. Brandolf. Cb. Dario, Cb. Sidnei Gandon, Cb. Selmo (hoje Sgt reformado), Cb. Irapuan, Cb Dionísio (hoje Sgt reformado) e Sgt Nelson Gandon (hoje Capitão reformado). 

Além de um encontro preliminar feito no Atelier Selmo Ramos, em Porto Alegre, onde eu, Dario e Selmo confraternizamos em um almoço, também nos reunimos na Semana Farroupilha, para prestigiar nosso companheiro Cb. Mative, hoje cantor nativista, que se apresentou naquele palco em um evento brilhante. 

Recentemente, em Florianópolis, mais uma confraternização, desta vez na casa do Gandon, onde recepcionamos o Cb. Mative e sua família.

Já programamos outras festividades e esperamos o comparecimento de mais companheiros que um dia vestiram a farda verde oliva.

A lembrança é o repositório da história, a história existencial e a história de cada ser que transita neste mundo.

Os reencontros vêm acontecendo e eu agradeço muito àqueles que nos informam sobre um ou outro dos velhos companheiros da vida militar pois assim nossa história cria vida.

Informações são bem vindas...

Foi dessa forma, através de informações, que encontrei o filho do Cb. Adão Renato e pude saber que o velho companheiro do 9º R.C.B., de São Gabriel, para onde fui transferido, dando continuidade a minha vida militar, se encontra hoje em João Pessoa, já reformado, como sargento. 

Também, através da internet, reencontrei com o irmão do Cb Dias e 
pude lhe escrever. São acontecimentos de rara felicidade que nos remete ao passado trazendo alegria.


Juntamente com boas notícias, algumas tristezas; infelizmente o soldado Martins, nosso companheiro de Pelotar do 1º/18º R.I., que chegou ao posto de Capitão, partiu de forma inesperada e abrupta. Mas, assim é nossa existência; caminhamos... Também sabemos da partida de outros velhos companheiros, como o Sgt Salinhac, prematuramente falecido em acidente automobilístico; 2º Ten. Guedes (promovido a capitão) falecido também prematuramente em função de doença contraída na selva amazônica; Cb. Rudenir - Rudenir Meireles Cunha - Rudy Meireles (Artista Plástico e Poeta, falecido em função de doença contraída no exterior); Cb. Claudinei (depois Policial Civil) falecido após enfrentar uma paralisia por conta de troca de tiros com bandidos na sua missão policial; Sd. Boff (depois Cabo) e outros ainda que não temos informações precisas. 



A vida de cada um...
Cbs. Dario, Irapuan e Selmo; no Atelier Selmo Ramos.

Reencontrar os Cbs. Dario, Gandon e Selmo, hoje reformado como sargento, infantes dos bons tempos, foi de uma alegria ímpar. Saber que o Cb. Dionísio, também reformado como sargento, é um ermitão da praia e motociclista do asfalto; que o Cb. Mative é cantor nativista; que o Cb. Bittencourt é um empresário de sucesso em Torres; que o Cb Brandolf continua sendo um grande Mestre do Karatê; que o Cb. Azevedo trilhou o caminho da comunicação e que o nosso velho sargenteante Nelson Gandon é um Capitão de praia de água doce em Itapuã alegrou-nos muitíssimo.


Foi um tempo de vida, vivido na Caserna, entre o 1º/18º RI, QG da 6ª DI, 11ª Cia Com e o 9º RCB; de 1968 a 1973, e que permanecerá alimentando nossa memória.

Mas, insisto, onde andarão os velhos companheiros de Caserna? Onde andarão àqueles que ainda não temos notícias?

Sabemos que a internet é um meio eficaz de contatos e, por isso, qualquer internauta que nos trouxer informações ficaremos gratos.

Em busca de contatos... 

Pois, a pergunta continua: Onde andarão?...

Cb. Rondon; Cb. Carlos; Cb. Jacobsen; Cb. Maciel - Antonio Carlos Souto Maciel (último contato em Caxias do Sul-RS no ano de 1986 - onde exercia a profissão de radialista); Cb. Carvalho (Sgt. da Reserva); Cb. Gomes; Sd. Getúlio (reincluído em 1969 ou 68); Sd. Pereira; Cb. Valmor; Sd. Aquiles - Aquiles Eder (de Videira - Santa Catarina); Sd. Gayer - Omar Gayer (herdeiro das empresas Gayer); Cb. Cambraia; Cb. Portela; Cb. Tavares; Cb. Teixeira; Cb. Bombardeli; Sd. Osório; Sd. Nélio;  Sd. Tolentino; Sd. Edgar; Sd. Pereira; Sd. Laudelino; Cb. Mathias; Cb. Claudiomar; Cb. Beltrão (músico); Cb. Valiatti (músico); Sd. Pimentel; Cb. Severo (provavelmente assessor político); Sd. Frota (provavelmente policial civil); Sd. Deuner; Sd. Airton. Sd. Nei (fotógrafo); Sd. Strapassom (fotógrafo); Sd. Belea; Sd. Ferrão (barbeiro); Sd. Macedo; Sd. Willirich;  Sd. Vargas; Sd. Albino; Sd. Lopes; 2º Sgt. Odracir; 3º Sgt. Lima; 3º Sgt. Flávio; 3º Sgt. Lydio (Cozinheiro e Corneteiro); 3º Sgt. Tamir; 2º Ten. R2 Adel; 1º Ten. Inf. Hilgemberg - Manuel Aldu Teixeira Hilgemberg; 1º Ten. Inf. Porciúncula; 1º Ten. Inf. Correia Lima; 2º Ten. Inf. Messias; 2º Ten. Inf. Sparta (hoje Coronel da Reserva); Capitão Inf. Cordeiro - Fernando Vilhena Cordeiro - (hoje Coronel da Reserva); Capitão Inf. Caggiano - João Caggiano Neto - (Hoje Coronel da Reserva); 2º Ten. R2 Estrázulas (Cursou a AMAN; em nosso último contato havia sido promovido ao posto de Capitão e servia em Cruz Alta, no 17º BI); 2º Ten. R2 Clézio (também cursou a AMAN, companheiro inseparável de Estrázulas; continuou no oficialato); Major Inf. Índio; Cel. Inf. Magalhães; Cel. Inf. Sharnadoff - Harry Alberto Sharnadoff; Ten Cel. Cav. Ney - Ney Lauro Nunes de Carvalho; Cel. Cav. Jacobina - Alberto Bayard Pereira Jacobina (nosso último contato foi em Brasília, no ano de 2004); Capitão Com. Brocardo - Odone Silvio Viero Brocardo (Coronel da Reserva; nosso último encontro foi em São Paulo, no ano de 2003); Major Cav. Léo; Major Cav. Salgado; Capitão Inf. Assis e seu irmão, Capitão Cav. Assis; 2º Ten. R2 Carvalho (cursou a Academia da Polícia Militar do MT e continuou no oficialato); 2º Ten. R2 Marloi; 2º Ten. R2 Bittencourt; 2º Ten. R2 Amodeo - Salvador Amodeo Neto; 2º Ten. R2 Fernando (Cursou a Academia Naval e continuou no oficialato); 3º Sgt. Coimbra (Cursou a Academia Naval e foi para o oficialato); 2º Ten. R2 Cavalinho; 3º Sgt. Adailton; 2º Sgt. Calvi; 3º Sgt. Odone; 3º Sgt. Valério; 2º Sgt. Salgado; 2º Ten. R2 Marder; 2º Ten. R2 Vicente - João Vicente Vitola; ; Cap. Dentista Del’Olmo - Florisbal Del'Olmo; 2º Ten. Médico Macy;  2º Ten. R2 apelido "Cabecita"; 1º Ten. Com. Amorim - Rui Amorim de Lima - (abandonou o Exército em meio as acusações de amizade com o Capitão Lamarca, que desertou por conta de envolvimentos com a guerrilha pós 64); 2º Ten. R2 Byron - Paulo Byron de Oliveira Soares Filho (hoje Artista Plástico);  3º Sgt. Cícero; Gen. Borges Fortes - Breno Borges Fortes; Gen. Mourão; Gen. Mena Barreto;  2º Ten. R2 Cesar; 2º Ten. Inf. Sávio; 2º Ten. Com. Élcio e os alunos da 11ª Cia. Com. CFC 1969, Cb. Santa Maria; Cb. Bonemar (pela internet foi possível reencontrá-lo; e hoje reside em Campo Grande/MS com sua família; é empresário), Cb. Elso, Cb. Silveira; Sd. Leonardo, Sd. Tolfo, Sd. Siega, Sd. Costa, Sd. Bittencourt, Sd. Prates, Sd. Assis; além de tantos outros, do 1º/18º RI, do QG da 6ª DI, da 11ª Cia. Com e do 9º RCB, que as imagens são presentes, mas os nomes se perderam pelo acúmulo de informações em nossa memória.


Claro que, à distância, eu soube das promoções; das reformas; de algumas mudanças de carreira, assim como, inevitavelmente, de alguns que já se despediram da vida; mas o trânsito no mundo exige-nos o caminhar constante.

Cada um daqueles que um dia se encontraram tem o seu mundo e o faz a cada instante, pois a existência é feita também da materialidade, com suas competições e a permanente busca por ascensão social; por esta razão meus feitos não ficaram estagnados, mas, infelizmente, distanciaram-me de muitos daqueles com quem um dia convivi.

Os nomes fazem parte da lembrança que celebramos durante um instante do tempo existencial e nos apontam o significado de Ser com o Outro. Essa identidade materializa a memória e a faz viva em nova perspectiva revivendo o passado cristalizado no tempo.


Seriam necessárias várias páginas para ser fiel a todos os que participaram e ainda participam da vida de alguém; no meu caso eu deveria acrescentar colegas de profissões, como os professores; colegas de atividades, como os de parlamento; colegas das universidades e faculdades e os amigos; estes poucos, muito poucos. Mas pensei que os meus 18 anos seria um marco referencial e por isso enumerei os companheiros da caserna, de um instante de tempo que somou mais de cinco anos. Propositalmente os nomes não estão em ordem de hierarquia e muito menos divididos por unidade militar, pois todos eles de um tempo e outro, com divisas, sem divisas ou com estrelas gemadas ou não, foram seres humanos de um interregno do meu tempo existencial.

Onde andarão?

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

PENSANDO ALTO

Vive-se um momento de rusgas intensas e sem possibilidade de trégua; a vida política e social degrada o ser humano pelo abuso e astúcia de um lado e pela inércia e ignorância de outro. 

Somos reféns de nossos próprios atos, insanos ou ingênuos. Um verdadeiro cabo de guerra em que cada um puxa para um lado; o vencedor é sempre lobo da sua própria carne. 

terça-feira, 8 de outubro de 2013

OSTRAS VAZIAS

Se você separar 2 minutinhos do seu tempo tão corrido para ler o texto abaixo, garanto que não irá se arrepender. Vale muito a pena ler.

"Uma ostra que não foi ferida não produz pérolas."

Pérolas são produtos da dor; resultados da entrada de uma substância estranha ou indesejável no interior da ostra, como um parasita ou grão de areia. Na parte interna da concha é encontrada uma substância lustrosa chamada nácar.

Quando um grão de areia a penetra, ás células do nácar começam a trabalhar e cobrem o grão de areia com camadas e mais camadas, para proteger o corpo indefeso da ostra. Como resultado, uma linda pérola vai se formando. Uma ostra que não foi ferida, de modo algum produz pérolas, pois a pérola é uma ferida cicatrizada.

O mesmo pode acontecer conosco. Se você já sentiu ferido pelas palavras rudes de alguém? Já foi acusado de ter dito coisas que não disse? Suas idéias já foram rejeitadas ou mal interpretadas? Você já sofreu o duro golpe do preconceito? Já recebeu o troco da indiferença?

Então, produza uma pérola ! Cubra suas mágoas com várias camadas de AMOR.

Infelizmente, são poucas as pessoas que se interessam por esse tipo de movimento. A maioria aprende apenas a cultivar ressentimentos, mágoas, deixando as feridas abertas e alimentando-as com vários tipos de sentimentos pequenos e, portanto, não permitindo que cicatrizem.


Assim, na prática, o que vemos são muitas "Ostras Vazias", não porque não tenham sido feridas, mas porque não souberam perdoar, compreender e transformar a dor em amor. Um sorriso, um olhar, um gesto, na maioria das vezes, vale mais do que mil palavras!

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

O NOVO MACCA DE 71 ANOS!



O ex-beatle Paul McCartney
Foto: Divulgação

LONDRES — Em uma típica tarde londrina, cinzenta e chuvosa, Paul McCartney, provavelmente o maior artista vivo do planeta e o homem cotado para ser a atração de encerramento da Copa do Mundo de 2014, deu início à maratona de entrevistas para promover seu novo trabalho, simplesmente chamado “New” (“Novo”), o primeiro disco de inéditas em seis anos. Aparentando menos do que os seus 71 anos e ainda ostentando um olhar jovial, Sir Paul — que passou o dia anterior gravando um clipe nos lendários estúdios em Abbey Road, onde os Beatles gravaram praticamente todas as suas canções — chega à sala onde jornalistas de vários países o aguardam, faz uma piadinha e começa a dar detalhes sobre o novo trabalho, que será lançado mundialmente no dia 14, e até sobre alguns aspectos da sua vida pessoal.
Gravado com a colaboração de quatro produtores — Giles Martin (filho de George Martin, produtor dos Beatles), Ethan Johns (filho de Glyn Johns, engenheiro de som que trabalhou com Paul nos Beatles e Wings), Mark Ronson (que gravou com Amy Winehouse) e Paul Epworth (responsável pelo estrondoso sucesso do álbum “21”, de Adele) —, “New” mostra um McCartney bem diferente do que lançou “Kisses on the bottom” — uma coleção de clássicos americanos, em 2012. No novo trabalho, Macca está muito mais “moderno”, embora tenha preferido usar apenas instrumentos vintage na gravação das canções, num clima que lembra bastante o seu projeto “The fireman”, que rendeu o ótimo “Electric arguments” (2008).
— Eu queria ver como era trabalhar com cada um desses produtores. Quando vi o que eles fazem, eu achei interessante, por razões diferentes. Paul Epworth, o primeiro com quem trabalhei, gosta muito de experimentar. Ele tem uma ideia e diz para você: “Por que não tentamos algo assim (imita o som de uma bateria)?”. Então, fui para o piano, toquei algo parecido com o que ele sugeriu, e isso acabou se transformando na faixa de abertura do álbum (“Save us”). Esse é o método dele — contou Paul. — Já quando trabalhei com Mark Ronson, foi diferente. Ele pegou minhas canções e tentou fazer com que soassem da melhor maneira possível, o que é um método totalmente diferente de trabalho em relação ao Epworth, sem tanta improvisação. Ethan Johns é muito orgânico. Eu disse: “Tenho essa canção chamada ‘Hosanna’, cantei para ele, e fomos juntos para o estúdio. Quando terminou, perguntei se estava tudo ok, se os vocais estavam bons. E ele disse: “Perfeito!”. Era basicamente um take ao vivo. Giles já é interessante por outros motivos. Ele gosta de pegar uma canção, trabalhar nela, algo no estilo do que o pai dele fazia. É como um novo George Martin!
“Como qualquer um”
Na canção que dá nome ao disco, Paul diz que “podemos ser o que quisermos, podemos fazer o que escolhermos”. Mas Paul McCartney pode fazer o que quiser?
— Sim. Normalmente, as pessoas dizem que você não pode fazer isso ou aquilo por ser famoso, mas eu consigo — diz. — Vou ao cinema, como qualquer um. Adoro ver um filme novo. Eu sei que algumas pessoas que são tão famosas quanto eu não podem fazer isso, mas eu adoro ir ao cinema ou fazer compras, ir até a academia. As pessoas não me importunam. E, por outro lado, artisticamente eu tenho muita liberdade. O que é uma sorte. Então, a resposta é sim.
Mas, se Paul tenta levar uma vida normal, alguns aspectos da fama ainda o incomodam. E, como detentor de uma história musical riquíssima, ele ainda se preocupa em dar a sua versão dos fatos. Na balada “Early days”, por exemplo, ele deixa claro que fica incomodado quando as pessoas tomam por verdade histórias que não aconteceram.
— A canção é na maior parte feita de lembranças sobre John (Lennon) e eu. Sou eu me lembrando do nosso início, andando pelas ruas de Liverpool com violões nos ombros. E a canção diz “You can’t take it away from me” (você não pode tirar isso de mim). São minhas lembranças. Alguns jovens jornalistas às vezes dizem: “Isso foi assim”, e eu respondo: “Não, você não estava lá”. Há momentos em que isso se torna um problema, porque as pessoas distorcem a realidade — afirma. — Para mim, por exemplo, na época dos Beatles ou Wings, eu trabalhava com um grupo de pessoas, e nós éramos iguais. Não importava quem tinha feito algo ou de quem foi tal ideia. Às vezes, a gente nem lembra quem fez o quê. Isso não importa. Mas, quando chega ao estágio de fazer uma análise, e escritores precisam fazer isso, senão provavelmente não teriam sobre o que escrever, isso se complica. Por exemplo, em um dos livros que eu li dizia: “Paul fez essa canção em resposta a John na canção tal”. E eu pensei: “Eu não fiz! Apenas escrevi. Não tem nada a ver com John ou outra pessoa”. É disso que falo, às vezes a realidade é distorcida.
Tristeza como combustível
Outra revelação é a de que o sempre sorridente e otimista Paul McCartney também sabe usar a tristeza como combustível para sua inspiração:
— É bom ficar triste. Seria estúpido viver somente rindo. Quando você compõe, tristeza é sempre um bom elemento, mas também é bom poder rir e fazer piada sobre esses momentos. Às vezes, é preciso transformar dor em risada. Uma das coisas boas sobre os Beatles, Wings e sobre a minha banda atual é que nós rimos muito. Nós estamos rindo o tempo todo, mesmo quando passamos por algum momento difícil. Nem sempre as coisas são fáceis. É a condição humana.
“New” chega como um apanhado de tudo o que Paul já fez em sua carreira, já que é difícil ser totalmente novo para quem já gravou tantas coisas em tantos estilos. Em determinado momento, o músico — que, pela primeira vez, ontem, respondeu a perguntas de fãs via Twitter — parece ainda muito preocupado com o futuro e com o que ainda tem para produzir, e não apenas com o passado glorioso:
— Uso o passado e as emoções que senti frequentemente na minha música, mas não acho que seja o único. Acho que muita gente faz isso, e é bom. É claro que há canções das quais acabo me esquecendo, e aí fica perigoso a gente acabar se repetindo. Nessas horas, o jeito é confiar nos amigos e perguntar se algo lhes soa familiar. De vez em quando, um se vira para você e diz: “Adorei isso, mas você já usou na canção tal...”. Não tem como ser diferente.
Mas o passado não é o único alvo de Paul, assim como a aposentadoria não faz parte de seus planos. Com uma agenda que ainda inclui mais entrevistas, festas de audição das 12 faixas do disco e uma apresentação em um novo programa da BBC, o que esperar de Paul McCartney no futuro?
— Mais música! Eu tinha mais canções do que precisava para este álbum, e quando tiver tempo para revisitar algumas dessas músicas que eu não gravei, vamos ter uma outra safra de novas canções — prevê Paul, que deixa claro que está longe de dizer adeus aos palcos ou às gravações.

Créditos:
Entrevista feita para o Globo por Fernando de Oliveira.
(fonte:http://oglobo.globo.com/cultura/aos-71-anos-paul-mccartney-ressurge-modernizado-no-disco-new-10245296)

As músicas de "New":
1. Save Us
2. Alligator
3. On My Way To Work
4. Queenie Eye
5. Early Days
6. New
7. Appreciate
8. Everybody Out There
9. Hosanna
10. I Can Bet
11. Looking At Her
12. Road
13. Turned Out
14. Get Me Out Of Here

(Crédito http://diariodosbeatles.blogspot.com.br/2013/10/aos-71-anos-paul-mccartney-ressurge.html)




Paul Mc Cartney reconhece que não pode cantar para sempre

Cantor sabe que cansaço físico pode fazê-lo parar de se apresentar, ainda que se veja fazendo isso para sempre
Paul McCartney reconheceu que não pode cantar para sempre.

A lenda dos Beatles, de 71 anos, anteriormente já havia falado sobre seu desejo de continuar a trabalhar, mas sabe que pode chegar um momento em que será impossível realizar exaustivas turnês. Por conta disso, o músico planeja reavaliar sua vida após sua próxima série de shows.

Ele afirmou: "Vamos fazer um pequeno malabarismo com este álbum e a turnê. E quando eu sair disso vou dar uma olhada no cenário e se houver um abismo, talvez eu dê uma cambalhota.  Mas vou decidir quando chegar o momento".

"Se você perguntar qual a previsão de longo prazo, eu me vejo fazendo o que faço para sempre, mas, como um jogador de futebol, há um momento físico no qual você talvez não seja mais capaz de fazer".

Entretanto, Paul espera que esse momento nunca chegue, porque não gosta da ideia de não fazer nada com seus dias. 

Ele disse à revista NME: "Estou esperando ficar exausto, mas ainda não estou. Não estou criticando isso. Nem mesmo vou pensar nisso".

"Vejo pessoas que são mais jovens do que eu sentadas na frente da televisão todos os dias. Não estou certo de que essa seja a vida que eu quero para mim. Posso pensar em algo melhor do que isso".

Em entrevista recente, Paul afirmou que acredita que compôr músicas é como uma terapia.

O artista - que foi condecorado por seus serviços prestados à música - admitiu que alguns de seus sucessos, como 'Yesterday' e 'Calico Skies', foram escritos quando ele estava passando por um momento emotivo em sua vida porque as letras o permitiram libertar o 'demônio' de dentro dele.

Ele disse: "Acho que é tão bom quando você está em um período mais escuro, o bom é que [as músicas] são seu psicanalista, é sua terapia, e você sabe que temos muitas histórias - todo mundo que escreve, tem".

"Superar quando você está realmente triste por alguma coisa e colocar isso na sua música - você se liberta desse armário, e já pensa: 'me sinto melhor'. Você realmente exorciza o demônio. É um dos prazeres de escrever músicas".

(in http://entretenimento.surgiu.com.br/noticia/112797/paul-mc-cartney-reconhece-que-nao-pode-cantar-para-sempre.html)

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

DITADURA DO CONCEITO

Falar em ditadura e em conceito reserva a quem escreve o ônus da objetividade e da imparcialidade; coisa bastante difícil no caso deste artigo, onde me proponho a escrever justamente sobre uma questão subjetiva, a beleza; e seus conceitos, que também são subjetivos.

Caminhando distraidamente pelos centros da moda de São Paulo deparei-me, na tarde de ontem, com a manchete estampada em uma capa de revista: “Linda e magra”! A modelo realmente é bonita, tem coisas que é impossível negar; que seu conteúdo corporal não tinha recheios adequados a necessidade de compor uma estrutura sustentada por ossos, num equilíbrio que só a existência explica, também não tinha qualquer sombra de dúvidas. Mas, minha atenção foi ao mesmo tempo despertada pelo olhar e pela maldita palavra que os filósofos colocam no início da fila das suas indagações: “Por quê?”.

Por que linda e magra?

De que neurônio saiu à ideia de que para ser linda tem que ser magra?

Respirei fundo e deixei a indignação de lado; acalmei meus pensamentos e, imediatamente, peguei a caneta para escrever o título que esta ostentando este artigo: “Ditadura do Conceito”. Sim, porque é uma ditadura impor conceitos de beleza quando a própria beleza é um conceito e como conceito é subjetivo. Por que uma pessoa tem que ser magra para ser bela?

São esses conceitos que criam e multiplicam estereótipos bizarros, impostos à população como regra, através dos meios de comunicação e da mídia bem torneada. É também aformoseada por um bando efusivo de marqueteiros plantonistas que moldam o nada para que se torne alguma coisa.

É vero! Um nada se torna alguma coisa pelas mãos hábeis de quem conhece as fraquezas humanas.

Essa fraqueza é que torna uma maioria refém de uma minoria; acreditar num conceito imposto e deixar isso alastrar-se em sua vida é viver sob a égide de uma ditadura conceitual que servirá apenas para escravizar àqueles que nem timidamente se dão ao trabalho de exigir da razão uma resposta às ditaduras que lhes sufocam.

Linda e magra!

Por que não linda e gorda?

O conceito de magra e gorda é objetivo, qualquer um sabe quanto pesa, basta acessar uma balança. Entretanto 50 quilos na balança não significa beleza, é apenas o peso da massa corporal. Seu corpo pode ser belíssimo, mesmo com 70 ou 80 quilos; por que deveria pesar menos para ser belo?

Na verdade não é o peso que torna um corpo belo ou não; é o conceito de belo, imposto por uma ditadura conceitual que lhes empurram goela abaixo a ficção criada a partir de interesses comerciais associados a padrões criados por meia dúzia de espertalhões da moda.

O belo é subjetivo, assim como o feio. Dizer que a beleza esta associada aos conceitos e padrões criados através de uma ditadura da moda é querer tornar o ser humano escravo do conceito.

Todo ser humano é belo, assim como belos são os animais e toda a natureza. A beleza, mesmo que seja um conceito subjetivo, é expressa através da sua manifestação objetiva. Belo é aquilo que meus olhos se alegram em ver. E eu me alegro em ver um ser humano se manifestando existencialmente; eu me alegro em ver um animal como resultado da criação existencial; eu me alegro em poder olhar toda a natureza que me recebe em seus braços.

A beleza é mais espiritual do que corporal; o corpo apenas manifesta o interior e sua grandeza esta em possibilitar essa manifestação.

Se fosse para discutir subjetividades e padrões de beleza corporal, embora isso seja insignificante quando se tem a frente de si um ser humano, eu diria que existe beleza também nas pessoas que são taxadas de gordas pela ditadura do conceito.

Nulla ratione melius vivet!

terça-feira, 1 de outubro de 2013

ÉTICA

Muitas pessoas utilizam a palavra Ética querendo na verdade referir-se a questão Moral; moral é uma coisa, ética é outra. A ética, em contraposição as questões morais, não muda com o tempo. Se uma coisa é moralmente condenável num período da história, em outro pode não o ser. Isso não acontece com a Ética. Ser ético nos tempos de hoje vai exigir as mesmas condições que o foram no tempo de Sócrates.

Alguns autores convêm citar, para ancorarmos nosso raciocínio: Baruch de Spinoza, o teólogo judeu; Aristóteles, o estagirita grego; Sócrates, o filósofo do discurso interrogativo e que nada escreveu, deixando essa tarefa para seus discípulos, entre os quais Platão, que também abordou com maestria o tema, e tantos outros.

Nossa proposta é abordar algumas questões de ordem ética e não esgotar o tema. Este estudo não é completo, apenas abordagens sucintas, mas nem por isso perde sua importância.

Para ser ético, de modo geral, “inicie mantendo-se como um modelo de civilidade e eficiência; suas mãos não devem se sujar com erros e atos desagradáveis. Procure ser impecável em seu comportamento tendo sempre presente que o outro é você” (1).

Esta citação demonstra de modo radical (radical de raiz) que cada ser humano [i] deve se colocar no lugar do outro, para entender melhor a postura ética. Quando destaca: “o outro é você”, demonstra a necessidade da alteridade entre as pessoas, pois todos são iguais enquanto seres-humanos. A ética, portanto, dirige a ação do indivíduo para o bem; o contrário seria a maldade, e a maldade é resultado da ignorância, diz Sócrates e Platão. Porém, não basta apenas o conhecimento sobre o dever para que sejamos inclinados a cumpri-lo, é necessário, sim, que haja um esforço através de nossa vontade para poder subordinar a conduta ao dever.

É crível que o homem tem um senso moral inato e esse senso moral inato poderia levá-lo a praticar boas ações; mas, por outro lado, não se pode negar que estas boas ações só se estabelecem através do conhecimento de normas do dever que, assim, facilitaria o seu cumprimento.

“A Ciência Moral mostra, com clareza, os princípios que devem orientar nossa conduta e justifica, racionalmente, o dever que devemos cumprir, evitando que nossa ação seja dominada pelas reações instintivas, pelos impulsos da afetividade e pelos sofismas da paixão” (2).

Sócrates, o grande Filósofo Grego que pelo cumprimento das normas Éticas e devoção à sua Cidade, Atenas, preferiu a morte ao invés da possibilidade de fuga para o exílio, deu-nos mostras irrefutáveis da importância de mantermos uma conduta moral irrepreensível, pois isso nos torna, além de homens do bem, um ser que postula pela reta razão. A ciência Ética, que por alguns autores é denominada de a ciência Moral, no contexto segue, entretanto, o mesmo vértice, uma vez que tem suas responsabilidades no encaminhamento moral, sendo um complemento indispensável às demais ciências e, “quem sabe se todas as ciências, sem a ciência do bem, seriam mais nocivas do que úteis” (3).
Sócrates nos ensina que não pode existir no comportamento do homem ação que não seja precedida por uma norma ética e para tal devem existir os valores morais que estabelecem nossa conduta inserida na sociedade. O progresso da inteligência e da cultura seria supérfluo e até prejudicial, se não concorresse para melhorar o homem e encaminhá-lo à prática do bem.

Portanto, Ética, ou moral, como diz o Prof. Theobaldo Miranda, é o estudo da ação humana enquanto livre e pessoal. Sua finalidade é traçar normas à vontade da sua inclinação para o bem.

É bom observar que a conduta ética também exige a liberdade do homem e, entender que não poderia existir liberdade sem pressupor a responsabilidade. Quando falamos em Ética, então, estamos afirmando a liberdade e a responsabilidade humana.

Finalmente, tenhamos presente que três condições se apresentam como necessárias para o exercício da conduta ética: A razão, o livre arbítrio e a inclinação para o bem. A partir de então poderemos especificar funções para o cumprimento de normas éticas, a saber, de modo geral: A Ética no trabalho; a Ética nas questões Ecológicas; a Ética no Direito; Ética e Tecnologia; Ética e Família e assim por diante.

Vejamos um exemplo de texto antigo, belíssimo, em que Sófocles, em Antígona, exalta o homem e o trabalho mesclado com a dimensão ética a que, como norma, o homem cumpre:

“Existem inúmeras coisas maravilhosas na physis, porém nenhuma é tão maravilhosa quanto o homem”. Singrando os mares bravios, impelido pelos ventos meridianos, ele navega. Arrasta as vagas ingentes que rugem a seu redor. Gê, a suprema divindade que a todas supera desde a eternidade, o homem talha com suas charruas graças à força das mulas, revolvendo e fertilizando o chão, ano após ano.

“A tribo dos pássaros ligeiros, o homem a captura. Ele a domina. As hordas de animais selvagens e de visitantes das águas do mar, o homem prende nas malhas de suas redes. Amanhã, igualmente, tanto o animal do campo... o dócil cavalo... como o touro selvagem das campinas” (4).

Obvio que Sófocles está a se referir ao trabalho, em sua época; o trabalho do homem; o trabalho que dignifica e enobrece; o trabalho que deve ser exercido com retidão.

Quando o homem penetra a natureza e faz dela sua serva colocando-a a seu serviço, desvendando seus segredos e a subjugando, o faz para manter-se vivo e hígido, com vigor para suplantar as adversidades inerentes à vida; entretanto essa dominação da natureza pelo homem só terá valor se a inteligência humana tiver iluminação suficiente para observar que o veio da vida só poderá permanecer existindo conformidade entre o uso ético da natureza e a sua preservação, perpetuando assim a própria existência humana.

Se o homem agir iluminado pela sua inteligência certamente saberá que a profissão exige-lhe saber o significado da sua vocação e a consciência que somos diferentes; que na unidade existe a diversidade, portanto, cada ser labora conforme a sua aptidão. Sejamos fieis a nossa vocação e saibamos que cada homem tem a sua finalidade no mundo e a sua parcela de responsabilidade na sociedade; todos fazem parte de um mosaico que necessita da totalidade da participação, uníssona, para existir.

Assim, sabendo que somos apenas parcelas de um todo, o outro sempre nos será necessário e, esse outro, será tanto o ser humano quanto a natureza. Não poder dispensar essa parte do todo significa que a ação do homem sobre a natureza e a necessidade do outro se estabelecem com regras éticas rígidas e necessárias.

Dar-se conta de que a vocação de cada homem é de suma importância e necessária a todos os demais, faz-nos acreditar no valor do trabalho individual e da importância em gostar de tudo aquilo que se faz; da mesma forma ver e saber que aquilo que o outro faz também é de suma importância para nós; somente assim poderemos coexistir.


A importância de todas as profissões e sua relação com cada um de nós demonstra a necessidade do trabalho de todos, irmanados e direcionados ao bem. Cada homem é de suma importância ao mundo e cada homem é de suma importância para cada um de nós com o seu trabalho e o seu conhecimento. Entender isso significa compreender a necessidade de dar valor ao trabalho de todos e, assim, a dimensão ética estará presente nessa consideração.

[i] (1) Prof. Irapuan Teixeira, in Curso de PG em Direito na FADOM-MG.
(2) Prof. Theobaldo Miranda, in Curso de Filosofia no IEEG.
(3) Sócrates (469-399 a.C.) citado por Platão (427-347 a.C.).
(4) Sófocles (496-406 a.C.) em Antígona.