sábado, 29 de janeiro de 2022

A TAPERA PERDEU A GRAÇA!

Quem mora em Florianópolis e transita entre a ilha e o continente não pode deixar de olhar a vastidão do mar e a beleza do céu. Ao transitar, célere ou não, pela ponte Ivo Campos, percorrer com o olhar, até onde a vista alcança, e vislumbrar, à sua direita, lá, distante, um recanto esverdeado chamado Tapera, que se esconde do mundo e abre-se ao sonho de um faz-de-conta, torna o homem mais humano.

Sempre que transito por àquela ponte meu olhar ligeiro percorre o espaço vazio até chegar naquele pequeno e distante amontoado de casinhas, aqui e acolá, que a vista não distingue direito, mas que eu sei que lá está.

Sempre foi muito reconfortante olhar para a distante Tapera; passar pela ponte e misturar o olhar com o pensamento e saber que na Tapera tinha amor, amizade, tranquilidade e alteridade; saber que tudo estava lá; mesmo que lá não fossemos.

Sentir que a qualquer momento poder-se-ia desfrutar daquele conforto pessoal que misturava alma e espirito; que sorrisos alegres e conversas de ontem e de hoje somavam-se com vidas que se reuniam na saudade do ontem; tudo isso, ou apenas isso, já tranquilizava o nosso agitado pensamento.

Mas a Tapera entristeceu; murchou seus campos e matas; a distância se perdeu, pois não é mais prazeroso percorrer àquele espaço que separava anseios, lembranças e vidas.

A Tapera não tem mais vida; a Tapera Morreu!

Cb Irapuan; Cb Gandon; Sd Rodrigues.

(Este texto, escrito com emoção, é dedicado à memória de um estimado colega de Farda: O Cabo Gandon; na foto: ao centro. E, também, à quem com ele conviveu.

Tapera foi sua última morada e o lugar onde alguns de nós, colegas de farda, estivemos várias vezes relembrando o amável, ético, ordeiro e responsável convívio da caserna)


segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

A EXISTÊNCIA HUMANA...

 ...dádiva divina que o homem até hoje, mesmo com sua pomposa racionalidade, teima em fazer de conta que tem o controle, nada mais é do que uma caminhada a "passos largos" pelo tempo.

No decorrer dos séculos conseguimos alguns avanços na área da medicina que possibilitaram ao homem acreditar que tais avanços poderiam ou podem fazer com que prolonguemos a existência. Mas, cada vez que tal pensamento se dissocia da humildade científica e se torna um culto ao ego, o homem cai tropeçando nas suas próprias ambições.

O poder humano é temporário e frágil e àquele que não consegue vislumbrar tal fragilidade existencial será apenas um nada, pois o que lhe resta é simplesmente o nada.
O tempo passado é a prova de que nada somos neste mundo; apenas estamos de passagem.

Filosoficamente apregoamos que ao mesmo tempo que o homem faz o mundo ele também se faz no mundo; elevamos mais ainda nossa digressão filosófica e acreditamos que o homem "É" no mundo e não simplesmente "está" no mundo. É a velha discussão do Ser e do não ser. Mas Ser no mundo exige-nos uma consciência metafísica e por tal exigência é certo que alguns homens simplesmente "estão" no mundo, como um veleiro sem controle que é levado pelo vento à um ponto indefinido.

Quem somos nós, homens, e para onde iremos?

Sem a consciência metafísica velejaremos em direção ao nada!

segunda-feira, 1 de março de 2021

A VIDA CONTINUA...


...e tem sempre andado!
Essa eterna caminhada, em passos milimétricos, como uma perfeita dança em que os pares não se desconectam, é como o Ser e o Nada: Um sem o outro não existiria.
Enquanto seres existentes fazemos parte deste circo de ilusões, onde a dança da vida nos impede de entender a eternidade.
Adeus à mais um companheiro de caserna; quero crer que tudo continuará igual ao que sempre foi, que sua presença terrena continuará em nossas mentes e corações; que encontrarás outros que já se foram e que juntos estarão nos acenando como antes, quando acenávamos, nos velhos tempos, em continência, de uma à outra viatura.
Adeus Sgt.
Selmo Ramos
, nosso encontro terreno no 18º RI, ainda como Soldados e depois Cabos, foi um desígnio de Deus e certamente nos encontraremos em outra missão!
Infantaria!!!

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

PROFESSOR: O FANTASMA DA ESCOLA!


O ano de 2021 iniciou escorado nos erros cometidos em 2020.

Especificamente sobre a conduta profissional do Professor, essa escora é muito mais preocuprante, pois tinha-se tal profissional elevado ao grau de Mestre no subconsciente daqueles que necessitam de um condutor na estrada do saber.

O Professor, mito sagrado do século passado, tornou-se em 2020/2021, apenas em um fantasma de escola, refugiando-se em casa como a um malandro boêmio do anos 50 que perambulava pelas ruelas da Lapa no Rio de Janeiro em busca de mais um distraído para o enganar.

Na era da tecnologia alienante das redes sociais esses ideólogos da educação conseguirão atingir seu objetivo político: Manipular a mente dos incautos.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

ELA NUNCA ESTEVE NO PALCO

 

Um artista que caminhava em direção ao microfone empurrado pela estrutura que faz do homem escravo, marionete, joguete de um poder abstrato que nos suga, absorve, consome nosso sangue até a última gota e quando nada mais resta espreme até que saia o suspiro da morte.

Assim foi a existência de Amy Winehouse, talvez como tantos mais, que são sustentados com vida, apesar de suas almas estarem mortas.

O olhar no vazio demonstrava sua fuga do presente, da realidade que a envolvia, que a dominava e que dela tirava o sangue para deleite de muitos que a rodeavam ou daqueles que a adoravam sem saber que sua presença e seu talento eram fantasmas que se punham de pé amparados pelo establishment que a tudo controla, que a todos conduz ao inferno de ostentações e ilusões.

Amy nunca esteve presente em suas apresentações; seu olhar no vazio denunciava medo, fragilidade, tristeza, dor, angústia; as mãos crispadas como querendo proteger-se de um monstro invisível que sempre a assediou e que a levou à miséria humana.

A plateia sorria quando ela ensaiava uma frase que parecia engraçada; gargalhavam com a ignorância de olharem sem ver, sem nada vislumbrarem da essência; via-se de Amy somente a frágil existência, que se agarrava ao nada, ao vazio, ao fantasioso circo de ilusões com palhaços e equilibristas existenciais. Seu grande talento viveu em um corpo apático por uma alma sofrida; doentia e dependente.

Nunca fui fã de Amy, nunca escutei suas canções como um entusiasta, tampouco como um devoto; não posso dizer que fui seu admirador, como também não posso de forma alguma contestar seu talento. Eu a via como uma grande artista, fato inegável; mas suas canções não estavam entre as minhas preferidas. Entretanto, quando observava seu rosto sofrido, tentando como um autômato gerar alegria e deleite para outros, me compadecia da sua dor escondida. Amy Winehouse nunca esteve inteira em um palco; sua alma não estava presente e seu corpo denotava vontade de fugir do mundo.

A compaixão é um sentimento que pode gerar no outro mais tristeza do que conforto e àquela artista, pelo seu talento, e por suas decisão em ser o que foi, não merece que se tenha pena pelos atos que decidiu tomar durante sua vida e pelos que a vida lhe reservou, pois a decisão de ser ou de estar no mundo é de cada um de nós, humanos, mas escrever sobre o que se observou de um artista cujo talento musicista vai integrar a história, pode ser um tributo àquela alma que esteve na existência humana tão distante do seu corpo.

À Amy Winehouse!

terça-feira, 15 de dezembro de 2020

POR ONDE ANDAM AS MARIAS?

Pois a conversa girava em torno de assuntos variados, afinal quando antigos colegas de farda se encontram têm muita coisa a contar um ao outro. E foi assim, naquela noite de recordações que nos reunimos com mais outros antigos companheiros de caserna pelo whatsapp e relembramos dos vivos e dos mortos.

Noite adentro, varando a madrugda, enganando o sono com histórias e exercitando os neurônios com o esforço mental, desfilavam nomes que formavam imagens e criavam por um instante qualquer o mundo que foi real, fantasiado agora por meras lembranças que se aformoseavam a cada lápso da memória.

Quem foi o melhor atirador; qual a marcha mais cansativa; o Comandante mais rigoroso e, como não poderia faltar em conversas de soldados, as histórias das conquistas amorosas ou eventuais de jovens que despertavam para a vida sem saber o que lhe reservaria a caminhada existencial.

O avanço tecnológico tem possibilitado encurtar distâncias, facilitar conversas e reunir pessoas de vários lugares; as redes sociais promovem reencontros inimagináveis e amizades outras que nunca seriam possíveis e tampouco pensadas em um passado bem recente. Essa facilidade de comunicação reune, agrega e torna o inimaginável algo possível e assim o sonho se torna realidade ou o sonho fica mais fantasiado ainda. Ao despertarmos de tal sonho nos damos conta de que andamos aqui e acolá, conquistamos, perdemos, ganhamos, aprendemos, desenvolvemos o conhecimento e desbravamos o desconhecido em pouco mais de 50 anos, nos damos conta também de que tudo é nada e que o tempo é tão efêmero que nos liga com a vida por um ínfimo fio.

Mas, por onde andam as Marias?

É verdade!!!

Aos 18 anos a tostesterona é mais intensa que um calor de 40 graus e não raro também que soldados no alvorecer da vida pensam tanto quanto uma ameba; são raros os Nerds, a maioria dos recrutas são cabeças de vento e viveram seu tempo na ilusão do descompromisso e da casualidade.

Os chamados amores do passado pulverizaram-se na história de cada um; a regra é o esquecimento. Ninguém mais lembra desse ou daquele namoro na esquina, numa calçada distante ou resultante de um encontro casual; quem sabe um cinema e uma caminhada na Rua da Praia. Tais acontecimentos são hoje quimeras e para entender-se àquele tempo somente o vivendo, coisa que, sabe-se, é tão possível como teletransportar-se. O passado está morto! Mas nós, naquele encontro virtual, teimosamente o ressuscitamos em um esforço mental para reproduzir historietas eivadas de saudades. 

Mas por onde andam as marias que nos fizeram homens?

A existência humana é uma caminhada em que os rumos são definidos por atalhos ao longo do caminho; aqui e acolá nos deparamos com bifurcações que nos levam a outros recantos que poderão ser uma morada mais firme. As marias seguiram seus rumos e certamente tambem encontraram moradas firmes; o que resta são lembranças e talvez saudades de um tempo existencial que morre a cada esquina, a cada contorno que fazemos e a cada passo que damos. 

Não é possível meia volta volver; a única opção é marchar; e marchar em frente!

(Este texto é dedicado aos colegas de Farda do antigo 18º Regimento de Infantaria: Sgt. Selmo; Sgt. Dionísio; Cabos Adélio, Gandon, Dario, Mativi. In memoriam ao Cabo Brandolf e ao Capitão Martins, que foi recruta com todos os demais no ano de 1967/68.)

OLHO POR OLHO; DENTE POR DENTE!

Jesus Cristo através da palavra deu a orientação devida à humanidade e não ao indivíduo, pois este está em trânsito no mundo e sua responsabilidade existencial atém-se à seu grupo temporal.

Se a humanidade não compreendeu e não segue àqueles ensinamentos, gerou por sua própria e intencional ignorância mais incautos no mundo existencial, eximindo o Ser subjetivo de uma responsabilidade além da sua temporalidade.

O mundo passou a ser unicamente do homem, por sua conta e risco, a cabe à ele a responsabilidade existencial Física e não a Metafísica!

Com isso gerou-se um homem "Lobo do Homem!" 

Se o indivíduo me afronta na tentativa de me ferir deu-me a liberdade de o ferir primeiro; não com a mesma intenção dele, que é o agressor, mas com o direito inalienável e instintivo de proteger minha vida.

Se eu o matar a dívida estará paga!

domingo, 15 de novembro de 2020

O BENEFÍCIO DO MAL

Dizem certos dicionário que a palavra “benefício” significa o ato ou o efeito de fazer o bem, de prestar um serviço a outrem; auxílio, favor; ou ainda: graça, privilégio ou provento concedidos a alguém; proveito, vantagem, direito. Os mesmos dicionário esclarecem que a palavra “mal” tem o significado de alguma coisa, ou ato, que seja ou se comporte de um modo irregular, ruim; diversamente do que convém ou do que se desejaria; ou ainda de maneira imperfeita, incompleta; insuficientemente.

Dicionários mais completos, como os de Filosofia, escrevem um tratado sobre cada uma destas palavras, mas não é este nosso propósito como também não o é ficar simplesmente em definições de palavras; o que nos moveu à escrever este pequeno texto é, sim, o “benefício que o mal” traz em certas ocasiões e como estamos vivendo um momento de exceção no mundo inteiro convém refletir sobre os atos, o comportamento e as imposições que se estendem de norte a Sul e de Leste a Oeste pelo nosso planeta e que tem origem simplesmente no comportamento humano.

Autoridades duvidosas espalharam o pânico pelo mundo por conta de uma “gripe”, talvez criada em laboratório, e que está sendo tratada como “pandemia”. Não sou autoridade para definir que essa “doença” seja gripe ou qualquer outro termo médico que possa ser utilizado, por minha conta eu a trataria como arma de um crime ou como guerra biológica disseminada contra os incautos e os desprecavidos. Note-se que os Estados Unidos, considerado o País do Ocidente como o melhor e mais preparado para qualquer situação enfrenta até o mais vil dos problemas: a fraude! Comumente atribuído aos pequenos países do “terceiro mundo”.

Se não conseguem nem mesmo lidar com uma fraude eleitoral, como enfrentar agora uma guerra desenvolvida por um outro País, com uma potência militar invejável, mas não equivalente, e que se torna o agressor mundial sem que nenhum dos demais países do hemisfério tenha pelo menos a coragem de seus porta vozes de esclarecer aos menos avisados que estamos em uma guerra; e guerra biológica?!

Voltando para o senso comum, pois nada posso esclarecer sobre a situação dos serviços secretos de cada País e das medidas que certamente são tomadas em cada situação específica, antevejo que os problemas gerados com a tal de “pandemia” servirão para que desperte à quem dorme por sobre a mesa do poder de que o sonho acabou, e não é uma pergunta, como fiz em meu primeiro livro escrito após o dia 8 de dezembro de 1980 e que, lá naquele livro, também demostrei de que lutar contra o “establishment” exige muito mais do que as armas comuns.

O mal assola o mundo e as pessoas comuns, em pânico, se isolam em suas casas e se mascaram como se bandidos ou criminosos fossem; e se mascaram com ordem das autoridades. Tais autoridades, porém, se mascaram para esconderem-se da vergonha de não saber lidar com um ataque violento de uma outra potência, agressora e virulenta, covarde e traiçoeira, que não mediu esforços para atingir seus objetivos, mesmo que isso custasse a vida de seus próprios conterrâneos.

Uma pergunta ficará ecoando no mundo inteiro por gerações e gerações: Por que o vírus de tal pandemia, descoberto e originado em Wuhan, atingiu o mundo inteiro e não chegou às portas de Pequim, a capital da China, e de Xangai a capital econômica daquele País?

Diversas outras perguntas ficarão sem resposta, como exemplos: Como antes mesmo da Pandemia ser anunciada a China já tinha vacinas específicas prontas para serem comercializadas? Por que alguns contratos de venda de tal vacina já estavam assinados entre alguns governantes menores de alguns países?

Mas o mal pode gerar benefícios! Parece estranho, mas pode!

Desde que o mundo se converteu numa sociedade, aqui e acolá organizados em grupos, cidades, estados, países, o homem gerou o mal e gerou benefícios e sempre essa dualidade manteve um e outro. Quando se fala, em direito, no benefício da dúvida, essa dúvida já contém “de per si” o mal; dele pode sair o bem ou dele pode sair o caos.

 O “establishment”, que está acima de qualquer nação, mantém acorrentados sob sua guarda a sociedade mundial, seja ela de que ideologia for; assim é que tanto os atores como suas plateias formam apenas um circo comandado por forças, parafraseando Getúlio Vargas, “ocultas”! Tais “forças ocultas” comandam o mundo cada vez mais com grilhões que nos prendem a fazeres invisíveis e, muito em breve, prenderão de tal forma nossos atos que eles advirão de nosso próprio pensamento, também comandado e hoje já manipulado. Aceitamos pacificamente o tom da música e ela tocou sob a égide de um só maestro: A Pandemia!

Retirem desse mal um bem. Cada um para si, se quiserem viver com um pouquinho do que resta da liberdade sonhada. Cada vez mais, nós mesmos, estamos entregando nossa liberdade aos donos do mundo; entregando graciosamente, “livremente”, por nossa vontade e por nossa ignorância.

Livrem-se das máscaras ou estarão condenados a esconderem-se atrás delas! Por medo, por ignorância ou por vergonha.

E, tirem uma lição: Do mal pode ser gerado benefícios!

Que o benefício seja o aprendizado.

segunda-feira, 13 de julho de 2020

SEMPRE SOLDADO!

Hoje calcei meus coturnos, 
velho borzega de guerra; 
cinco da madruga, como antigamente. 
Saí pelos caminhos, que já não são os de outrora, 
marchando a passos firmes como se estivesse com a tropa. 

É saudade, admito, mas uma saudade gostosa; 
revive-se vivendo e vive-se revivendo; assim é a vida. 

Os velhos coturnos guardados, o último par que usei, de marchas e manobras 
ficaram como recordação; 
e sei de tantos, entre Selmos, Gandons, Mativis, Brandolffs, Darios e Dionisios 
que guardam tantas saudades como as que hoje relembrei. 

Voltei para casa marchando, pois meus pensamentos ninguém vê, 
e de arma no ombro, mochila e satisfação 
bati com pé firme no chão e dei alto ao Pelotão!

domingo, 29 de março de 2020

UMA REFLEXÃO

Estamos em quarentena; resguardo temporário com o objetivo de proteger nosso corpo de uma alardeada pandemia que se espalha pelo mundo; podendo nos atingir com grande intensidade.

10 dias já se passaram de tal isolamento; a solidão é vizinha do medo e da angustiante espera. O mundo está parado, quase apático, perplexo, contemplando o vazio das ruas e o silêncio das multidões, como se não houvesse uma forma de se defender.

Esse tempo vazio e silencioso convida-nos a pensar e uma pergunta se impõe: Será que cada um de nós está aproveitando este interregno de tempo para refletir com mais profundidade sobre o seu existir e a sua missão existencial?

Por que e para que estamos no mundo? O que temos feito no mundo?

Religiosos ou não este momento é propício para o homem curvar-se à possibilidade metafísica e reconhecer da impossibilidade de estarmos sós no mundo. Albert Camus, um filósofo existencialista ateu curvou-se e reconheceu: “Eu não creio na sua ressurreição, mas não ocultarei a emoção que sinto diante de Cristo e dos seus ensinamentos. Perante Ele e a sua história não experimento senão respeito e reverência”.

Neste momento em que observamos uma possibilidade mortal, que nos ataca de forma invisível, cruel, sorrateira, sem que possamos divisá-la, sem que possamos recobrir-nos com armaduras de aço e nos escondermos do perigo, não seria o exato momento de concluirmos que àquilo que não aparece fisicamente é também real?

Não seria o momento de curvar nossa arrogância e definitivamente aceitarmos que o imaterial é parte integrante do mundo material?

Nossas defesas são agora frágeis perante à um perigo mortal que não divisamos, não podemos tocar com as mãos e afastá-lo de nosso corpo. Se o homem pudesse agora ver seu inimigo e implorar por sua vida certamente o faria; mas esse inimigo é invisível!

Por que temos medo do invisível quando nos ataca perigosamente e o sentimos real? E por que negamos o invisível quando ele se apresenta como um Ser de bondade, de salvação, de amor e de fé?

Não foi assim o pensamento do existencialista ateu Camus quando afirmou: “Não ocultarei a emoção que sinto diante de Cristo e dos seus ensinamentos! Perante Ele e a sua história não experimento senão respeito e reverência”!

E os homens da Igreja? Os homens que dizem ter fé? Os homens que oram, rezam e professam uma religiosidade morna e vazia, apenas para que sejam vistos pelos demais pares como tementes a Deus; mas não passam de fantasmas nas igrejas, de autômatos que por imposição do seu meio social se dizem crentes, mas ao primeiro solavanco nas muralhas de um templo correm a se esconder em outras paredes? E os fiéis que abandonam seu melhor amigo à solidão, esquecendo-se da missão que tinham para com o Criador? Sóis fraco homem! Muito fraco e com uma fé morna e adormecida pelo egoísmo que te empurra aos prazeres de pouca relevância.

Onde está tua reverência, tua emoção quando Cristo nos Ensina? Tua fé está aquém da fé de um ateu?

Meus Deus busca esse homem para tua igreja! Salva esse homem que é também teu filho e faze-o curvar-se à nosso Senhor Jesus Cristo, imagem viva em todas as mentes Cristãs que apesar de mais de 2 mil anos fisicamente separado de nós é presença espiritual que nos conforta e nos faz caminhar por esse mundo que tu, ó Deus, nos colocou para expressarmos nossa existência terrena.

Mais de 2 mil anos se passaram, mas está viva em nossa mente a imagem desse Homem que revolucionou o mundo de ontem até hoje, até amanhã e até sempre! Revolucionou o nosso modo de pensar; desde o passado até o presente. Ele nos apontou o caminho que devemos seguir neste mundo e se N’Ele confiarmos estaremos seguros, pois “A tua palavra é lâmpada que ilumina os meus passos e luz que clareia o meu caminho”. (Salmos 19:105).

Será que nós, homens do tempo moderno, seguimos a Palavra de tal forma que conseguiremos entender e ver essa luminosidade à nossa frente?

Caminharmos em conformidade com os ensinamentos que nos foi outorgado por Jesus Cristo é o primeiro passo para respondermos ao questionamento sobre por que e para que estamos no mundo.

Nossa existência seria absurda se nada estivesse que ser feito em um mundo que ao mesmo tempo que o fazemos, também nos fazemos neste mundo; pois o homem é um ser em trânsito, a cada passo dado é um fazer e um fazer-se!

Fazer o mundo e se fazer no mundo seguindo os ensinamentos do Criador é caminhar firme e com a certeza absoluta de que não iremos tropeçar. Para tanto deveremos ter sempre em mente a necessidade de afastar os pés de todo caminho mau para obedecer à palavra de Deus. (Salmos 119:101)

Estando de braços dados com o Criador teremos a certeza que encontraremos a resposta para nossa situação de ser existente no mundo e a missão neste mundo. Para tanto também deveremos refletir e nos perguntar: O que tenho feito até agora no mundo?

Àquele que tiver dúvidas deve clamar ao Senhor Deus:

“Ensina-me, ó Senhor, o caminho dos teus estatutos, e guardá-lo-ei até o fim.
"Dá-me entendimento, e guardarei a tua lei, e observá-la-ei de todo o meu coração.
"Faze-me andar na vereda dos teus mandamentos, porque nela tenho prazer.
"Inclina o meu coração aos teus testemunhos, e não à cobiça.
"Desvia os meus olhos de contemplarem a vaidade, e vivifica-me no teu caminho.
"Confirma a tua palavra ao teu servo, que é dedicado ao teu temor.
"Desvia de mim o opróbrio que temo, pois os teus juízos são bons.
"Eis que tenho desejado os teus preceitos; vivifica-me na tua justiça” (Salmos 119:33/40)

A Bíblia nos aponta para seguir os passos de Jesus: «Porque para isto sois chamados; pois também Cristo padeceu por nós, deixando-nos o exemplo, para que sigais as suas pisadas. O qual não cometeu pecado, nem na sua boca se achou engano. O qual, quando o injuriavam, não injuriava, e quando padecia não ameaçava, mas entregava-se Àquele que julga justamente; Levando Ele mesmo em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro, para que, mortos para os pecados, pudéssemos viver para a justiça; e pelas suas feridas fostes sarados» (1 Pedro 2,21-24).

Nossa vida terá sentido neste mundo se seguirmos o caminho do Senhor Deus; percorrermos a estrada existencial sabendo porquê estamos aqui e para que estamos aqui! 

Certamente que não estamos sozinhos e isto nos encoraja a caminhar engajados!

Levantemos nossas mãos ao céu e roguemos a Deus que segure nossas vidas!

Compromissamo-nos com a caminhada existencial ao lado de Jesus e certamente a felicidade que encontraremos será inexplicável e para sempre.

Que Deus nos abençoe para que possamos ultrapassar mais um percalço em nosso caminho.


Amem.

sábado, 21 de março de 2020

UM GIRO PELA CIDADE


Já faz algum tempo que deixo meu carro na garagem e caminho pela cidade observando o comportamento humano. Em um domingo desço pela rua de minha morada, uma servidão tranquila e que um dia foi Condomínio de uma única família, e desbravo um cantinho da cidade que escolhi para um tempo. Essa tal ruazinha de que falo, e habito, e que construí meu castelo, é estreita, mas está bem calçada, iluminada com o amarelado tristonho de luzes antigas; algumas portas e janelas próximas a calçada, como em Azenhas do Mar, em Portugal ou Albarracín na Espanha.

Dessas belas recordações de viagem às tristes memórias de certos momentos, a reflexão leva-me à um dia de domingo e relembro que, já passado alguns meses, quando descia pelo mesmo caminho que habituei-me a fazer desde quando resolvi, neste recando, resguardar-me um pouco mais, como a um ermitão, da vida atribulada que tive, deparei-me com um gemido:

-----“Vou morrer!"

-----“Mulher, eu vou morrer?”

Todos iremos morrer..., hoje, amanhã, todos os dias, um dia...

Entristeceu-me àquele lamento de uma pessoa que conheci, mesmo que eventualmente; a voz deixou transparecer não só medo, mas dor e uma certeza escondida na aflição que deve anteceder aos desenlaces humanos.

Toda vez que passo em frente àquela casinha elevo meu pensamento a Deus e faço uma oração por àquela alma.

Os acontecimentos são um turbilhão em meus pensamentos e caminhar pela cidade faz-me pensar sobre cada passo dado, sobre cada espaço em que me extasio ou me entristeço, sobre cada pessoa anônima que vejo.

Aqui e acolá grupos de pessoas sorriem, conversam; alguns cabisbaixos, outros em passos acelerados e àqueles que estão jogando conversa fora e chutando algumas pedras pelos seus caminhos.

Bares; muitos bares, afinal é uma cidade turística e, parece-me, que o único cantinho que sobrou com absoluto silencio é onde volto depois para descansar: O meu castelo, a minha servidão, o meu lar.

Um bar chama minha atenção com mais ou menos 20 pessoas, todos jovens; mais outro bar e mais outro. Estou próximo à universidade e mesmo aos domingos os jovens ali se reúnem.

Um outro recanto de encontros faz meu olhar observar que não somente o calor faz com que as pessoas bebam muito; é o vício, o costume, os encontros entre amigos ou namorados. A bebida é o que permeia todas as mesas e em cada mesa muitas ilusões. São tais ilusões que observo no homem; este ser ereto que equilibra-se em um mundo de exibições. Sozinho, angustia-se; em multidões nunca consegue expressar Alteridade.

Nesse viés seguimos fazendo o mundo e, ao mesmo tempo, nós fazendo no mundo! Uma pergunta, porém, inquieta-me: Que mundo? Que mundo estamos fazendo? Estamos fazendo ou destruindo o mundo já existente?

Enquanto o homem continuar acreditando na sua supremacia e na possibilidade infindável das suas descobertas, sem dar-se conta de reconhecer sua ignorância, finitude e a finitude do próprio mundo, caminhará para antecipar sua própria destruição.

Este homem petulante que se acredita poderoso, empunhando a ciência como um trunfo do seu poderio, nunca observando o que transcende ao mundo e ao seu próprio mundo, morrerá sem saber e sem percorrer o seu infinito.

Observo também que tal poder se desfaz quando tragédias apontam ao homem sua inércia e impotência; então de poderoso torna-se religioso e clama por Deus em orações.

À minha frente uma igreja; sim, em tais andanças também encontro e encontrei muitas igrejas e sem nenhuma curiosidade, como àquelas do tempo de menino, eu perpasso a grande porta de madeira nobre; verniz escuro, torneada com desenhos abstratos em trabalho perfeito do Artífice. Agora não é curiosidade como o menino de um dia; observar tais entalhes é extasiar-se com a arte e reconhecer que a mão do homem quando faz coisas belas tem um aporte divino.

Uma outra arte, a do sermão, ou do discurso, é tarefa de um Padre, quem sabe Dominicano ou seria Jesuíta? Ou Franciscano? A arte de um sermão informa, encanta, orienta e apazigua nossa alma; seja de qual ordem for, o Padre que tem o dom e a arte de falar deixa-nos bastante atentos à seu sermão, quiça como fazia o Padre António Vieira, que hoje se lê com emoção: “Primeiramente, digo que temos hoje nascido de Maria a Cristo, Senhor nosso, não como nasceu há três dias, mas com outro nascimento novo. E que novo nascimento é este? É o nascimento com que nasceu da mesma Mãe daqui a trinta e três anos, não em Belém, senão em Jerusalém. Isto é o que diz o nosso texto, e provo: Maria, de qua natus est Jesus, qui vocatur Christus: Maria da qual nasceu Jesus, que se chama Cristo. - Cristo quer dizer ungido, Jesus quer dizer salvador. E quando foi Cristo salvador, e quando foi ungido? Foi ungido na Encarnação e foi salvador na cruz. Foi ungido na Encarnação quando, unindo Deus a si a humanidade de Cristo, a exaltou sobre todas as criaturas, como diz Davi: Unxit te Deus, Deus tuus, oleo laetitiae, prae consortibus tuis. - E foi salvador na cruz, quando por meio da morte, e pelo preço de seu sangue, salvou o gênero humano, como diz S. Paulo. Factus obediens usque ad mortem, mortem autem crucis. Propter quod et Deus exaltavit illum, et donavit illi nomen, quod est super omne nomen, ut in nomine Jesu omne genu flectatur. - Logo, quando Cristo, Senhor nosso, nasceu em Belém, propriamente nasceu Cristo, mas não nasceu Jesus, nem salvador: nasceu Cristo, porque já estava ungido pela união hipostática com que a Pessoa do Verbo se uniu à humanidade; e não nasceu Jesus nem salvador, porque ainda não tinha remido o mundo, nem o havia de remir e salvar, senão em Jerusalém, daí a trinta e três anos.” (Sermão XIV (1633) - Edição de Referência: Sermões. Vol. V Erechim: EDELBRA, 1998).

Andanças, quem sabe seja este o título adequado para escrever sobre minhas caminhadas que geram reflexões, encontros, sonhos, textos e a certeza, em oposição a Sartre, de que não estamos sós no mundo!

“Eis que estou convosco todos os dias, até o fim dos tempos.” (Mt 28,20)

Continua...

sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

REFLEXÕES SOBRE O ÓBVIO

Adicionar legenda

Quase todas as pessoas gostam de ouvir músicas; eu também gosto, particularmente The Beatles e as canções dos anos 60. Mas é tão bom repassar, através da música, pelo tempo de outrora, ouvindo também as canções dos anos 20, 40, 50, passeando por um tempo que não foi o nosso, que não experimentamos factualmente.

Essas viagens pelo tempo, ocasionalmente ou para alguns frequentemente, uma vez que a música é uma forma de transportar o pensamento à distâncias inimagináveis, faz cada um de nós viajar pela distância que sua mente lhe beneficiar, lhe proporcionar e ousar.
Pois, assim, nessas viagens, que também sou acostumado a fazer, o passado nos mostra um tempo não vivido por nós e ao mesmo tempo apresenta-nos a realidade de um tempo vivido e passado; uma realidade morta!

Àquela realidade vivida não mais existe; nossas mentes fazem com que possamos refletir sobre o que foi feito; e o que foi, morreu!

Nosso hoje permite-nos olhar à frente, a possibilidade de um futuro inexistente, ainda por se fazer, fatalmente morto no agora. Permite-nos também olhar o que passou, "vendo" o expressado, o que existiu e que nunca mais existirá; o que está morto!

Por que, então, ter medo da morte?

Convivemos com a morte em cada pensamento; o próprio pensamento morre a cada momento que se expressa.
   
O pensamento se expressa e se esvai, em todo o instante pensado.

Enquanto não atingirmos a idade da razão não pensaremos sobre o morrer; parece-nos coisa muito distante, tão distante que não queremos perder tempo em pensar sobre tal acontecimento.

Mas em que momento atingimos a idade da razão?

Certamente não irei voltar ao romance sartreano “L'âge de raison”, pois o filósofo reflete em tais momentos muito mais sobre a liberdade do que sobre a racionalidade nessa ou naquela idade e tal romance faz parte da sua trilogia “Les Chemins de la liberte”; portanto não será Sartre à nos ajudar nesta reflexão; bem ao contrário, o filósofo nos colocaria muito mais fundo nesse poço existencial e para àqueles não acostumados com a filosofia resultaria em noites e noites de angustia e perda de sono, e de tempo, e de vida; a morte sempre espreitando...

Mas, e a idade da razão? 30 anos? 40 ou 50? Quem sabe 60 ou 70? Ou nunca!

A razão é uma capacidade do ser humano que através da mente consegue chegar à conclusões das suas premissas, que podem ter sido pensadas apenas como suposições. É uma forma de propor explicações racionais para a causa e o efeito de tudo que nos rodeia. O homem estará apto a concluir que chegou a sua idade da razão no momento em que conseguir refletir sobre sua existência no mundo e definitivamente saber o que faz no mundo; quem sabe voltando à uma pergunta que ainda está no ar: O que faço no mundo?

Cada ser humano sabe quando atinge a sua idade da razão, quando consegue refletir sobre si mesmo; quando sua mente avisa-lhe que chegou o momento de sair do sonho ingênuo e das fantasias que nos foram contadas; quando olha o mundo e se vê no mundo, fazendo, construindo o mundo e, ao mesmo tempo, se fazendo no mundo. Quando consegue olhar-se, não sozinho neste vazio existencial, mas como parte integrante de uma existência harmônica e incrivelmente perfeita. Quando sua reflexão mostra-lhe que é um nada e um tudo nessa existência perfeita; quando vê sua impossibilidade e sua grandeza; quando desperta para dentro de si mesmo e descobre no fundo do próprio ser o Céu e o Inferno e, nessa dualidade, impossível de ser desfeita, consegue amordaçar o inferno para abrir um caminho livre para sua existência factual e sua existência metafísica. O homem é um ser dual e, portanto, é também um ser concreto que busca alcançar o Tu Absoluto.

Será que ainda teremos medo de refletir sobre o óbvio?

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

AVE BERGÓGLIO!


Pode um Cristão ser Marxista? Perguntou o Monsenhor Urbano Zilles, Doutor em Filosofia, no título de um de seus livros. Já respondi esta pergunta ao próprio Zilles: Não!

Mas como Bergóglio pode? Bergóglio não é Cristão?

Então pergunto: Como pode um Papa ser mais ideólogo do que teólogo?

Pois Bergóglio o é! Suas manifestações de cunho esquerdista, favoráveis a ditadores sanguinários como o foi Fidel Castro, Hugo Chávez e agora com os remanescentes Nicolás Maduro e o fujão “cocalero” Evo Morales deixam claríssima a confusão que esse Papa tem feito na Igreja Católica. Os católicos se evadem das igrejas por conta de seus bispos também esquerdistas, como Bergóglio, e de padres desorientados, desde os tempos de seminários maior, que se juntaram à uma ideologia perniciosa e traiçoeira. Com o discurso “em defesa dos pobres”, na verdade os escravizam, tanto intelectualmente, como moralmente, eticamente e materialmente. Os escravos continuam escravos; agora mais escravos ainda!

Não confio em Bergóglio como orientador de uma Igreja que já definiu rumos morais, mas que agora cai na imoralidade, juntamente com seus bispos e padres, de “atiçar” o homem contra o homem, compactuando com a ideologia da confrontação onde o negro é contra o branco, o hétero contra o homo, o homem contra a mulher; possibilitando o avanço das teorias que se opõem à existência e à natureza querendo eles mesmos ditarem normas existenciais onde impera a tal de ideologia de gênero; acertadamente intitulada de ideologia, pois é, sim, uma ideologia, simplesmente!

Bergóglio deveria renunciar! Faria a melhor ação da sua vida, deixando voltar ao trono Papal um líder de Igreja que humildemente cedeu seu trono, por acreditar que existiriam padres melhores do que ele para comandar a igreja; uma humildade que não vejo em Bergóglio.

Errou Bento XVI; não existiam naquela fornada de bispos candidatos um melhor do que ele para comandar a Igreja Católica que, como todas as demais agremiações religiosos, deveria se ater àquilo à que foi chamada à existir: Cumprir a caminhada proposta por Cristo!

Talvez Bergóglio acredite-se um Cesar!

Ave Bergóglio, morituri te salutant!

sábado, 16 de novembro de 2019

TRAIDORES!


O homem tem uma série de equívocos durante sua vida que a existência à que teve o privilégio de receber do Criador, muitas vezes, é pouca para que possa fazer determinadas reflexões acerca de seus atos.

O ego de um homem pode ser tão daninho que poderá cegá-lo e fazer com que não consiga divisar o certo do errado, o falso do verdadeiro, os amigos dos inimigos.

Talvez este texto seja uma catarse, mas se o for, será somente para que eu possa dormir em paz na hora de acertar as contas com a minha consciência sobre os atos praticados contra ou a favor de alguém.

Sim, nós praticamos atos que podem ser contra uma pessoa e a favor de outra.

Existindo ou não atos que praticamos contra determinados interesses de uma pessoa, eu e três outros amigos, poderemos, pelo menos, dormir com a nossa consciência em paz sobre nossas decisões tomadas em momentos anteriores, pois foram corretas e estiveram, naquele momento, em desacordo com um sofisma.

O que é traição? Fazer um acordo com determinada pessoa e depois não cumprir tal acordo? Deixar de concordar com as decisões tomadas por uma pessoa, que até então estava acreditando que seus atos seriam todos abonados sem nenhuma resistência? Discordar, mais tarde, do que foi anteriormente acordado?

Existem várias indagações que poderiam compor um escopo de feitos com possibilidade de serem atos de traição, mas é necessário que se tenha bem claro que um ato vem precedido de vários outros e que desfazer um acordo talvez tenha uma razão de ser; uma razão bem mais grave do que simplesmente desfazer acordos feitos.

Os leitores poderão exclamar: Que texto hermético? E o é! Sim é hermético! Diz respeito a catarse sobre a consciência, cobrando-me por vários anos uma resposta para uma frase dita de forma maliciosa, raivosa e vingativa que atribuía decisões tomadas em um tempo pretérito para corrigir erro anterior, como se tal decisão fosse traição.

Quando se erra existe tempo para corrigir o erro; e isso foi feito! Este fazer ensejou um ataque a sorrelfa à dignidade alheia e tal ataque foi assimilado com paciência doce, embora o amargor do discurso de malicia que acompanhava tal afronta; um verdadeiro copo de cicuta para àqueles que esquecem que o tempo é o senhor da razão!

Pois o tempo passou; e passou, e passou...

Ano após ano minha consciência cobrava-me esta catarse; e cobrava-me a verdade! 

E a verdade é que senti-me traído pelo meu melhor amigo daquela ocasião; bem ao contrário do discurso daquele tempo, daquele interregno de espaço existencial em que nossas vidas se cruzaram para um objetivo que se tornou, posteriormente, apenas uma utopia.

A verdadeira traição é a que estivemos sujeitos e não àquela apregoada pela mágoa e pela vingança!

Hoje, a partir de agora, posso dizer, pela força do tempo; do amadurecimento; da reflexão e da temperança que ninguém traiu ninguém; as decisões tomadas foram o resultado de conclusões acerca do mito de um discurso teórico e a realidade de uma prática execrável, que todos condenavam, e que a ela se apequenaram quando o ego se inflou; a ganância se apresentou; os erros se estabeleceram; a força de um discurso ético fragilizou-se e a união em torno da verdade fragmentou-se pela força da mentira.

Nós estamos livres daquela traição: livres de termos sido traídos e livres de termos traído alguém! A vida continua, aqui e acolá.

P.S. Este texto é dedicado à Dartagnan e aos Três Mosqueteiros. (Tudo de forma hermética; ou quase!)